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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Bule Lusitânia


Como o blogue Moderna Uma Outra Nem Tanto celebra esta semana o seu primeiro aniversário, resolvi oferecer-lhes uma singela "prenda": apresentar aqui este bule Lusitânia, que fez parte de um tête-à-tête em estilo Déco igual ao que o MUONT publicou há meses, embora a decoração seja diferente.

O tête-à-tête  da coleção MUONT

Na altura, em comentário, falei-lhes do meu bule e eles sugeriram que o mostrasse aqui. Achei esta uma boa ocasião.
 Como lhes disse na altura, o conjunto deve ter sido fabricado nos finais dos anos 40,  já que foi prenda de casamento dos meus pais e eles casaram-se logo no início de 1950.


Ainda me lembro de o tabuleiro redondo e as chávenas andarem lá por casa, mas quando vi que só restava o bule, com estas belas linhas Art Déco, resolvi pô-lo a salvo :). As riscas estavam muito em voga nessa época e eu desconfio que a escolha do conjunto com riscas verdes  se deve ao facto de o meu pai ser desde sempre um sofredor do Sporting... ;)


A marca está muito pouco visível, mas consegue-se identificar bem como uma das marcas da Fábrica Lusitânia, da unidade instalada em Coimbra por volta de 1930.
E já agora, um extra para quem gosta de peças Déco e modernistas, como é o caso dos autores do blogue aniversariante: um açucareiro Vista Alegre com a marca de 1947-1968.


Nunca vi outras peças deste formato, mas sendo um açucareiro, haveria as restantes loiças do serviço, a branco ou decoradas.


Que estes amigos AM-JMV celebrem o aniversário do seu blogue  por muitos anos!!!

Por coincidência, na semana seguinte a este post, numa exposição sobre a porcelana Vista Alegre patente no Museu da Chapelaria em S. João da Madeira, fotografei peças de um serviço VA no modelo do meu açucareiro.


Como se pode ver no açucareiro, em termos de formato, só as asas são diferentes.
Penso até que este modelo está em exposição no Museu da Vista Alegre, mas com a diferença nas asas e na decoração, nunca tinha detetado afinidade com a minha peça.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Peças Déco para o chá - Deco pieces for tea

Hoje trouxe para o chá de terça-feira, com Tea Cup Tuesday, Tea Time Tuesday e Tuesday Cuppa Tea, um conjunto de peças, todas de porcelana de Coimbra ao estilo Art Déco, embora de períodos de fabrico distintos.


Começo pelas chávenas, uma de chá e outra de café com respetivos pires, que me encantaram na Feira de Velharias de Ovar, onde já não ia há mais de um ano.
Achei-as lindas, de uma elegância sóbria e delicada, neste branco imaculado decorado a azul e ouro, moldadas em suave canelado horizontal, formato Porto segundo o MAFLS, com as típicas asas Déco em orelha, formando os dois tamanhos um conjunto muito harmonioso.



A marca é da Sociedade de Porcelanas de Coimbra, ou Coimbra S.P. Portugal; a forma e a decoração levam-me a concluir que terão sido fabricadas nos anos 30 ou 40 do século passado.


Os bules também os adquiri há pouco tempo, são daquelas peças isoladas que aparecem baratíssimas na Feira da Ladra e eu não lhes consigo resistir. O maior tinha uma falha no bico, que disfarcei limando-o, mas o pequeno estava impecável; os dois, comprados em separado, não me chegaram a custar 5 €.   :)

 
Estas são as marcas dos bules, ambas da Porcelana de Coimbra, com o brasão da Rainha Santa Isabel inserido em dois círculos concêntricos, o que as data dos anos 20 ou do início dos anos 30 do século passado, altura em que a fábrica da Porcelana de Coimbra mudou de mãos e se constituiu a Sociedade de Porcelanas de Coimbra.  O carimbo da direita corresponde ao bule mais pequeno, tendo ainda a anotação manuscrita do formato, Estoril, seguida de uma referência com letras e um número, que julgo indicar o motivo decorativo.


À curta história da Porcelana de Coimbra, depois Sociedade de Porcelanas de Coimbra, já aqui fiz referência num post de 7 de Novembro último, também num Tea Cup Tuesday e também com peças Déco, curiosamente o post que detém o recorde de visitas deste blogue.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Formas Clarice Cliff em porcelana da Vista Alegre- Clarice Cliff shapes in Vista Alegre porcelain


Hoje, a aproximar-se mais uma terça-feira com os seus eventos ligados ao chá em Tea Cup Tuesday, Tea Time Tuesday e Tuesday Cuppa Tea, vou "servir" chá e café com porcelana portuguesa da Vista Alegre ao estilo de Clarice Cliff.
A Fábrica de Porcelana da Vista Alegre sempre procurou acompanhar as últimas  tendências europeias no design de porcelana, a par das linhas mais clássicas e tradicionais.
É assim que nos anos 30 e 40 a vemos fabricar modelos marcadamente Arte Déco, da mesma maneira que nos anos dez tinha fabricado modelos Arte Nova (ver aqui  dois desses modelos).


As peças V.A. que hoje aqui mostro foram certamente influenciadas na forma, embora não na decoração, pelo modelo "Conical" da artista cerâmica inglesa Clarice Cliff (1899-1972).

Motivo "Ravel" (produzido entre 1929 e 1935) no modelo "Cónico", pertencente à série "Fantasque"

Esta artista, cujo trabalho veio a ser conotado com a Arte Deco, nasceu em Tunstall, Stoke-on-Trent, coração das "Potteries" (as terras oleiras de Staffordshire), onde cedo iniciou uma carreira de ceramista industrial, enquanto ia fazendo os seus estudos em arte. Mais tarde, em Burslem,  teve estúdio próprio na empresa do que veio a ser o seu marido e aí deu largas ao já adquirido domínio de técnicas artísticas e à sua criatividade. Ficou conhecida como criadora de modelos imaginativos, cheios de exuberância nas cores, com desenhos quase "naif" pintados à mão, tendo dado apropriadamente os nomes  de "Bizarre" e de "Fantasque" ao estilo dessas peças das séries mais populares..


A Vista Alegre optou por manter o mesmo formato na cafeteira e na leiteira e quanto ao açucareiro deu-lhe uma forma mais aberta, com tampa, o que quanto a mim o torna mais gracioso e o faz parecer um pequeno OVNI.
Curiosamente, a leiteira deste conjunto original de época tem uma tampa, igual à que teria a cafeteira, mas entretanto, à falta dela, encontrei uma tampa branca também Arte Deco e lá compus (ou descompus) a peça :)
Embora com um ar muito contemporâneo que qualquer casal jovem não desdenharia usar em sua casa, são já velharias com cerca de 80 anos.


A marca que se vê no fundo de qualquer destas porcelanas foi usada pela Vista Alegre entre 1924 e 1947, abrangendo portanto o período de influência Arte Deco, que as suas linhas bem representam.

Há cerca de uma década, a Fábrica da Vista Alegre fez a reposição deste modelo de serviços, quer de chá quer de café, embora com outras decorações.

Peças de serviço de chá Amadeus

 Não sei qual o nome do serviço a que pertenceu o meu conjunto de peças  em amarelo e branco, mas a esta linha recente foi dado o nome de Amadeus.
Na minha opinião, perdeu algo de fundamental que foi a decoração a cores vibrantes dos modelos originais.
Talvez seja mais vendável assim, mais sóbrio e intemporal, mas parte do encanto foi-se...
As chávenas destes serviços Vista Alegre também não copiaram os modelos Clarice Cliff, de que se vê em baixo um conjunto muito representativo encontrado num sítio da net.


Entretanto, graças aos comentários com informação preciosa aqui deixados por  MAFLS -  Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém - fiquei a saber que este formato da Vista Alegre foi denominado Asa Triangular e a versão igual às minhas três peças em amarelo e branco figurou na exposição realizada nos Estados Unidos em 2005 intitulada Portuguese Ceramics in the Art Deco Period.
Só me falta dizer que esse meu conjunto de três peças foi comprado em 2002 num antiquário de Angra do Heroísmo e foi o "souvenir" que trouxe da última viagem que fiz àquela encantadora cidade.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Revestimentos Arte Déco


Há pouco mais de um mês, precisamente na altura do Natal, devido ao internamento de um familiar muito próximo, fui diariamente, durante uma semana, ao Hospital dos Covões, uma das unidades do Centro Hospitalar de Coimbra.
Não foi a primeira vez que entrei na ala dos internamentos, mas foi a primeira vez que reparei nos revestimentos azulejares do interior do edifício.


Trata-se de azulejos monocromados, na maioria retangulares, que me surpreenderam pelos efeitos conseguidos através do mero jogo de contrastação das cores e forma de aplicação.
Para além do preto e branco, o efeito mais dramático, e do amarelo e branco, vi paredes com o mesmo efeito dos amarelos mas em azul, que não cheguei a fotografar,  podendo haver ainda outras cores e feitios.
Mas o que mais me impressionou foi o efeito conseguido nas zonas de escadas. Como é possível com um material tão simples obter tal efeito decorativo!!!


Imagem retirada de http://www.chc-imagiologia.org/index.php?option=com_content&view=article&id=90&Itemid=60


Está aqui bem patente o gosto Arte Deco, o que não surpreende se tivermos em atenção a época em que foi construído este edifício que deu início ao atual complexo hospitalar.
Efetivamente, tendo sido iniciado em 1918, decorria ainda a 1ª Guerra Mundial, com intenção de ali recolher e educar os órfãos dos soldados mortos nesse confronto, só veio a ser concluído em 1930, perdendo-se entretanto a razão de ser do objetivo inicial. Foi então convertido em hospital-sanatório para doentes tuberculosos do sexo masculino, representando na época o que havia de mais moderno, confortável e inovador em edifícios hospitalares do país.


Neste postal, que deve datar de finais dos anos 30, o hospital está identificado como Sanatório da Quinta dos Vales (Vales e Covões serão topónimos diferentes para designar a mesma caraterística do terreno?) mas também foi conhecido como Hospital Sanatório da Colónia Portuguesa do Brasil,  já que dessa comunidade de imigrantes no Brasil se receberam avultados donativos para obras de assistência em Portugal, nomeadamente para esta.   



segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Chávenas Arte Déco da Coimbra S.P. - Coimbra S.P. Art Deco cups


Aproxima-se mais uma terça-feira em que vou participar nos eventos ligados ao chá, Tea Time Tuesday e Tea Cup Tuesday, desta vez com porcelana portuguesa da Coimbra S.P.
A Sociedade de Porcelanas de Coimbra tem muito modelos de chávenas de chá e de café ao estilo Arte Déco, mas geralmente corta a rigidez das linhas geométricas típicas deste estilo com cores e desenhos mimosos, como é o caso destes dois exemplares.

 

Aqui não há arestas vivas, cores contrastantes ou formas muito inovadoras, mas o estilo parece-me bem reconhecível.
Para além da forma de ambas as asas, igual à do conjunto SP que aqui mostrei há cerca de dois meses,  reconhecem-se as linhas Arte Deco nas nervuras da chávena e pires de chá e na forma poligonal da chávena e pires de café.


Ambas apresentam barras em tons pastel de azul e de verde, delimitadas por filetes a ouro e são decorados por delicados raminhos de flores, no caso da azul, a decorar também o fundo da chávena.
Como a Sociedade de Porcelanas manteve o mesmo carimbo ao longo de décadas, só pela forma me atrevo a datar ambos os exemplares das décadas de 30 ou 40.


O conjunto de chá com a barra verde, embora com defeitos na chávena, apresenta  pormenores na marca  que me convenceram logo à compra, uma vez que não tinha ainda visto exemplares com este tipo de anotações, muito claras, tanto na chávena como no pires. Como qualquer pessoa perceberá, trata-se do modelo Tânger, o pires nº 2 será o tamanho de chá e os restantes dados são a referência desta decoração.
Tenho variadas peças e um ou outro serviço SP, mas com estas anotações escritas à mão só tenho estes 2 exemplares, chávena e pires, e um conjunto de pires que comprei na altura do encerramento da fábrica (2005) que me parecem ser amostras para decorações ou para ensaio de cores.



 Este é o único que, para além das anotações no verso, também tem números e letras na parte da frente; julgo  tratar-se de uma peça para uso interno, com instruções para decoração.



segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Serviço de chá Arte Déco - Art Deco teaset



Depois de muitas participações nos eventos internacionais de terça-feira relacionados com o chá -  Tea Cup Tuesday, Tea Time Tuesday e também Teapot and Tea Things Tuesday -  com porcelana portuguesa da Fábrica da Vista Alegre, venho hoje participar novamente com porcelana portuguesa, mas desta vez com porcelana de Coimbra, da Sociedade de Porcelanas (S.P.).
After a lot of participations in the international tea related events on Tuesday - Tea Cup Tuesday,  Tea Time Tuesday and also  Teapot and Tea Things Tuesday - with Portuguese porcelain of the Vista Alegre Factory, today I'm participating with Portuguese porcelain again, but this time with Coimbra porcelain made by the Sociedade de Porcelanas (Porcelain Partnership).




A fábrica  Porcelana de Coimbra foi  fundada no início dos anos 20 do século passado - por escritura datada de 1922, cuja foto foi apresentada pelo MAFLS, mas já se encontraria em laboração anteriormente - e usou como  marca as figuras centrais do brasão da cidade de Coimbra. Em 1936, encontrando-se com dificuldades financeiras, foi adquirida em partes iguais pela Fábrica de Porcelana da Vista Alegre e pela Empresa Electro-Cerâmica do Candal, até que, em 1945, também a Electro-Cerâmica passou para a posse da Vista Alegre. Esta empresa tornou-se assim, nessa altura, a única proprietária da Sociedade de Porcelanas de Coimbra que continuou no entanto a manter produção própria com a sua marca Coimbra S. P. que já tinha introduzido e se vê em baixo. Foi encerrada em Dezembro de 2005.
The Porcelana de Coimbra factory was established in the early 20s of the past century and it used the central figures of Coimbra city coat of arms as its backstamp. In 1936, facing financial difficulties, it was purchased in equal shares by Vista Alegre Porcelain Factory and by Empresa Electrocerâmica do Candal, starting together the Sociedade de Porcelanas de Coimbra, until in 1945 Electrocerâmica was also taken over by Vista Alegre. Thus, this company became the sole owner of Sociedade de Porcelanas de Coimbra, which, nevertheless, kept its own production and its own backstamp, Coimbra S. P., which it had already introduced and you can see  below. It was closed in December 2005.



Este serviço terá tido originalmente 12 chávenas e pires,  bule, açucareiro, leiteira, manteigueira e dois pratos de bolo, como era hábito nos serviços de porcelana portugueses deste período.
This set must have had, originally, 12 cups and saucers, teapot, sugar bowl, creamer, butter dish and two cake plates, as was usual in Portuguese porcelain teasets of this period.


A este faltam muitas peças, entre elas o açucareiro, mas encontrei há tempos um do mesmo modelo mas com outra decoração e resolvi acrescentá-lo aqui para se ver a sua  bonita forma, a rivalizar com as formas da leiteira e da manteigueira.
In this one,  a lot of pieces are missing, among them the sugar bowl, but some time ago I found one of the same mould but with another decoration and I decided to add it here so that you can see its pretty shape, rivalling the shapes of the creamer and of the butter dish.






Infelizmente já sem tampa, uso a manteigueira para servir compotas ou para pequenos bolos a acompanhar o chá.
Unfortunately without the lid, I use the butter dish to serve jam or  small cakes or cookies to accompany the tea.


Finalmente o tabuleiro, de que gosto muito, também um modelo típico deste período, com a superfície em espelho embelezado pelo trabalho português de lapidação, moldura em madeira com aplicações de rosas em metal e as pegas cilíndricas a preto.
Finally the tray, which I like a lot, also a typical model of this period, with the mirror surface, embelished by the Portuguese cut-glass work, wooden frame with metal roses  and the cylindrical handles in black.

domingo, 21 de agosto de 2011

Azulejos publicitários na Figueira da Foz

Os primeiros dois painéis de azulejos que aqui apresento podem ver-se nas paredes que ladeiam a entrada sul do Mercado Engenheiro Silva na Figueira da Foz.
É a entrada que dá para o rio e era em frente que se situava o porto de pesca que hoje deu lugar à marina.



À vista nenhum dos painéis está marcado ou datado, mas são obviamente da Fábrica de Sacavém que assim publicitou a sua produção de faiança fina e ao mesmo tempo a produção de azulejos.
A avaliar pelos modelos da loiça representada e pelo próprio design do primeiro painel, muito ao estilo Arte Deco, terão ali sido colocados nos anos 30 ou 40 do século XX e isso mesmo me foi confirmado em conversas que tive com alguns vendedores mais antigos do mercado, inaugurado ainda no século XIX, como se pode ver na entrada principal do lado do jardim público.

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Um dos vendedores,  nascido em 1947, por ali criado já que herdou o negócio dos pais, disse-me que sempre ali conheceu os azulejos, por isso teriam que ser anteriores à década de 50.  Causa-lhe alguma estranheza - e a mim também - terem sido  colocados na entrada à época reservada aos abastecimentos do mercado e não utilizada pelo público em geral. 
Depois falei com uma vendedora, a Sra Leopoldina, nascida em 1934, filha e neta de vendedoras, e ela disse-me ser ainda  miúda quando ali colocaram os painéis, mas não se lembra se ainda nos anos 30 ou já na década de 40.
Também os painéis de publicidade às águas de Carvalhelhos só se conseguem datar por aproximação graças à história da casa comercial onde foram aplicados.


São três painéis iguais, por baixo de igual número de montras da Casa Encarnação, uma antiga loja de mercearias e vinhos que se situa numa esquina da rua Miguel Bombarda, no chamado Bairro Novo, próxima da avenida marginal.


No canto inferior direito pode ler-se a marca ALELUIA AVEIRO, mas quanto a datas, a única certeza que se pode ter é que serão também anteriores à década de 50. A atual proprietária daquele estabelecimento apenas me soube dizer que quando o marido para ali foi trabalhar, no início dos anos 50, já os painéis lá estavam. Disse-me ainda que durante muitos anos a empresa das Águas de Carvalhelhos oferecia contrapartidas, em determinado volume de águas, à publicidade que o estabelecimento assim lhes proporcionava, numa zona nobre do veraneio figueirense.
A Fábrica Aleluia em Aveiro, de que já falei num post recente, parece ter tido uma intensa produção de azulejos na primeira metade do século XX, alguns ao estilo Arte Nova, e felizmente tinham o hábito de marcar os seus painéis.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Caixa de costura Arte Déco... ou um mundo feminino em vias de extinção


 Há cerca de um mês, o LuísY do blogue Velharias apresentou um post sobre um pequeno móvel e daí partiu para considerações, que bem ilustrou, sobre a utilização em Portugal, durante séculos, de pequenos móveis de estrado nas dependências da casa reservadas aos lavores femininos.
 Nesse estrado, devidamente revestido a tapeçaria, as mulheres da casa sentavam-se entre almofadas e pequenos móveis e aí se dedicavam à costura, aos bordados, às rendas e talvez também lessem em conjunto ou rezassem.
O Luís ilustrou esse ambiente com a magnífica pintura de Josefa de Óbidos (1630-1684) "Casamento Místico de Santa Catarina" do Museu Nacional de Arte Antiga.


Também da Josefa de Óbidos é esta "Anunciação" em que se vê  Maria ajoelhada num desses estrados, ao lado de uma banqueta com um livro aberto, o que significa que, aos olhos seiscentistas da Josefa de Óbidos, a Virgem estaria a ler em cima do estrado quando foi visitada pelo anjo...
Vi mais uma vez esse ambiente recriado numa recente visita ao MUDE em Lisboa para visitar a exposição “M & M. MNAA & MUDE / MUDE & MNAA. Artes e Design”. Lá estava o estrado com a tapeçaria, os almofadões e a pequena mesa de costura vindos do Museu Nacional de Arte Antiga.


Sempre tive, como qualquer mulher da minha geração, pequenas caixas com divisórias para guardar linhas, agulhas, fitas, molas e colchetes, para não falar das caixas cheias de botões, enfim um nunca acabar daquelas coisas que achamos necessárias para fazer pequenos arranjos de roupa em casa. Mas ficava deslumbrada com as caixas de costura grandes, em madeira, e nunca me tinha disposto a adquirir nenhuma.
Só há pouco mais de um ano, numa feira, vi uma que me encantou, já não tanto a pensar na costura mas na quinquilharia de loiça que ando sempre a comprar e precisa de ser guardada.


Claro que não é um móvel de estrado, aliás é grande como caixa embora pequena como móvel, mas pertence ao mesmo mundo dos lavores femininos.
Eu é que já não me dedico muito a esses trabalhos e então guardo nesta caixa pratos de faiança inglesa que vão sendo destronados por outros que tenho expostos.
As linhas deste pequeno móvel são Arte Deco e veja-se o pormenor dos puxadores metálicos e esféricos, sendo feito em madeira de umbila -  uma madeira moçambicana bastante dura, segundo me disseram as senhoras a quem o comprei.
Voltando à nossa Josefa de Óbidos, ou Josefa de Ayala, cuja pintura reflete bem uma visão do mundo muito feminina, não podia deixar de mostrar aqui uma obra que me impressionou entre muitas outras que vi numa magnífica exposição patente no Museu Gulbenkian no ano passado:  "A Perspectiva das Coisas - A Natureza-Morta na Europa".
É esta natureza-morta, onde estão bem ilustradas outras prendas tradicionalmente femininas, não as da costura e lavores, mas as da confeção de doçarias e a forma  requintada e festiva de as apresentar sobre uma mesa.


Penso que só umas mãos de mulher poderiam ter criado uma composição como esta, com esta riqueza de pormenores e esta profusão de flores. Aqui também se vêem caixas, maiores e mais pequenas, forradas com papéis recortados, certamente para ofertas ou venda de doces a partir dos conventos femininos.
A exposição tinha vários núcleos, mas este das doçarias era um verdadeiro festim para o olhar.
Também apreciei demoradamente os pormenores da loiça, vidros e outros objetos, alguns preciosos, retratados em algumas telas.