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terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Para os votos natalícios... um doce menino e uma pia de água benta




Estamos mais uma vez na época de celebração natalícia, marcada por imagens e símbolos do nascimento de Cristo, embora cada vez mais ofuscadas por todo o festival de brilhos, cores e música a convidar a outro tipo de celebração, bem mais mundana... De qualquer forma,  os presépios, por vezes na sua expressão mais simples, e as figuras de Jesus menino deitado nas palhinhas são símbolos incontornáveis da época - e não são só os crentes que mantêm viva a tradição.


Meninos e anjos com corpos de meninos estão entre as figuras mais representativas e também as que encontram o melhor acolhimento em qualquer ambiente de Natal. Este Menino Jesus é daquelas prendas especiais para mim, já que foi aconchegado nas palhinhas e ornamentado com muito bom gosto pelas mãos criativas de uma amiga. Sobretudo aprecio a utilização de materiais orgânicos, cascas e folhas secas, colhidos num qualquer parque ou jardim.
Este  ano trago também aqui, para abrilhantar a celebração, uma peça de faiança portuguesa usada em contexto religioso embora não necessariamente natalício: uma pia de água benta em faiança antiga.



Só o facto de ser uma pia de água benta em faiança já me enchia bem as medidas, mas aqui veio juntar-se-lhe a hipótese muito provável de ser fabrico de Miragaia. Não tem marca, o famigerado R de Rocha Soares que tiraria todas as dúvidas, mas o modelo  é em tudo - forma , cores deoração e tamanho - semelhante a vários exemplares conhecidos e catalogados, com marca de Miragaia.
Apesar de bem marcada pelo tempo e pelo uso, partida e unida com gatos e ainda com faltas, foi sendo preservada e foi agora tratada com todo o desvelo aqui em casa, sobretudo pelas mãos habilidosas do C.A., ao estilo dos restauros museológicos, sendo-lhe devolvida a inteireza e um aspeto digno e bonito, capaz de ombrear com os belos exemplares  do Museu Nacional Soares dos Reis.

 Museu Nacional Soares dos Reis
Fábrica de Miragaia, 1775-1822
 Museu Nacional Soares dos Reis
Fábrica de Miragaia, 1775-1822




















Encontrei estes dois exemplares nas coleções do Matriznet, de um total de cinco com idênticas caraterísticas, quatro deles com marca da Fábrica de Miragaia.

Pias de água benta do catálogo "Fábrica de Louça de Miragaia"
Quer os exemplares do Matriznet, quer os do catálogo "Fábrica de Louça de Miragaia", têm um ar de parentesco, talvez evidenciado pelo motivo central - sempre  a cruz da Paixão, com ou sem instrumentos de tortura.


Mas outros elementos se repetem em quase todos os exemplares, incluindo o meu : o alçado recortado em voluta e rematado em concha, a pia semi-circular moldada em gomos e com o remate inferior em bico e a altura de 27-28 cm. A diferença mais notória que o meu exemplar apresenta é o esmalte num tom anilado em vez de branco.
Para mim este achado foi como que uma prenda de Natal antecipada uns dois meses :)


E assim aqui deixo os meus votos de Boas Festas para quem ainda continua a passar por aqui, seguidores e amigos, e em particular desejos sinceros de um Ano Novo mais fácil e feliz para todos os portugueses.



quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Boas Festas!


Em época de Natal, quero desejar Festas Felizes a todos quantos passam por aqui, muito especialmente aos amigos com quem mais tenho contatado através do(s) blogue(s).
Faço-o com este Retábulo da Natividade que está em exposição no Museu Nacional de Machado de Castro, em Coimbra.
Não é obra em pedra de Ançã, nem sequer é portuguesa, mas, tendo tido origem em Antuérpia no século XVI, faz  parte do nosso património há séculos, tendo sido recuperada do Colégio das Ursulinas em Coimbra.
Como se percebe, é um retábulo em madeira policromada  representando a Adoração dos Pastores ao Menino Jesus. É a celebração do nascimento de uma criança, o símbolo da renovação e da esperança em cada ciclo de vida, esperança de que todos nós estamos tão necessitados... 
A representar o meu Natal e porque também há um Menino Jesus cá em casa, deixo aqui este amoroso Menino,  num trabalho artesanal com que uma amiga me presenteou e que foi a minha primeira oferta de Natal deste ano.


Um bem haja para essa amiga e votos de muita saúde e alegria para todos, porque, pelos vistos, o fim do mundo foi adiado!!!


domingo, 7 de outubro de 2012

O Menino Jesus em dois registos

Já andava há dias a pensar publicar uns registos, tema já prometido ao LuisY do Velharias por mais de uma vez, mas ao ver hoje a beleza de verónica com que nos presenteou, não pude adiar mais. É para isso que servem estes  blogues, para troca de acepipes visuais com os amigos que aqui vamos fazendo...


Este registo saiu das mãos pias e prendadas de tias freiras da família que viveram no século XIX. É um bom exemplo de como se utilizavam variados materiais disponíveis - papel de prata, tecido, algodão, cera, vidro, galões, fita e cordão de seda - para compor  estes quadros.
Este e outros registos andaram por baús de sótão à disposição das mãos infantis de quatro irmãs (já todas falecidas) atraídas pelas imagens e pelos brilhos das pratas. Os exemplares que sobreviveram tiveram que ser recuperados, embora de forma caseira, e este veio ter cá a casa.



Com tanto amor e carinho que lhe dedicaram, o Menino Jesus de cera acabou com uma perna partida. :(
Não sei se lhe teria valido a proteção da sua mãe porque, no registo que apresento a seguir, filho e mãe não foram melhor tratados.



Encontrei-o há alguns meses, em gravura aguarelada, com esta representação de Nossa Senhora com o Menino Jesus pela mão, muito apropriadamente intitulada N. Sra. de Jesus.
A moldura recortada em metal será de ferro ou de grossa folha de flandres, com chapa do mesmo metal a fechá-la no verso.




Resultado: ao oxidar por ter estado em contacto com água ou humidade durante muito tempo, a ferrugem manchou irremediavelmente o papel e também o vidro. Achei que podia ter salvação, ainda levei a gravura para o atelier de restauro da Rua da Alegria em Coimbra para ser lavada, mas as manchas não desapareceram, só aclararam um pouco, e eu fiquei desolada.
É que a legenda faz desta imagem, aos meus olhos, uma peça interessante, com história para contar...



Pode ali ler-se o seguinte texto, que reproduzo sem abreviaturas: "Nossa Senhora de Jesus que se venera no seu convento de Lisboa pela sua Irmandade e Escravos do Santíssimo Sacramento".
Claro que comecei por querer saber onde se situava este convento em Lisboa e logo numa rápida pesquisa na internet fui ter ao site www.monumentos.pt, um instrumento do SIPA, que fornece informação muito completa e especializada sobre património arquitetónico. 
Resumidamente, trata-se do Convento de Nossa Senhora de Jesus da Ordem Terceira de S. Francisco, situado em pleno coração do Bairro Alto, de que se mantém a igreja no Largo de Jesus, convertida em Igreja Paroquial das Mercês, enquanto o convento foi ocupado pela Academia das Ciências em 1838, após a extinção das ordens religiosas.

Fachada lateral do convento e entrada da igreja (foto cortesia do SIPA)
A instalação naquele local desta congregação de franciscanos recua ao final do século XVI. O convento foi sendo construído ao longo do XVII, mas só terminado em 1707. Veio a sofrer grandes danos em 1755 com o terramoto, mas logo começou a reconstrução e a edificação de uma magnífica biblioteca que ainda hoje se pode admirar na Academia das Ciências.

O teto da biblioteca (foto cortesia do SIPA)
Atentando melhor na minha gravura, a presença de urnas e a moldura em fita ou filete azul, onde se entrelaça uma faixa de tecido ou panejamento a terminar em borlas, fazem-me pensar num gosto neoclássico, o que dataria esta gravura de finais do século XVIII ou inícios do XIX, portanto da fase do convento após o terramoto.
Quanto à Irmandade de Escravos do Santíssimo Sacramento, intrigou-me o nome à partida, mas é apenas mais uma das irmandades religiosas que existiam em igrejas de Lisboa, como a de Santa Ana ou a de Santa Engrácia.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal! - Merry Christmas! ............................ e um 2012 com muita luz *.*.*.*.*.*.*.*.* ao fundo do túnel (que se deseja pequenino)

Não será um Natal feliz para todos... mas são estes os meus votos para quantos me visitam e particularmente para os que me distinguem com atenções e amizade.



Este presépio foi o meu primeiro presente de Natal este ano, uma oferta muito especial de uma amiga que criou esta beleza com as suas próprias mãos para me presentear com ela. Há pessoas assim, que disponibilizam o seu tempo e o seu gosto e talento para mimosear os outros...


Como na maioria das casas portuguesas nesta época festiva, há vários símbolos do Natal cá em casa, - o presépio, a árvore, as decorações - mas este ano não pude deixar de fazer novamente um presépio com figurinhas e musgo, graças  à presença do nosso pequeno Gabriel.

O presépio do Gabriel

Mais uma vez, Boas Festas para todos e os melhores votos para o ano novo que já está aí a chegar.

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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Culto de afetos

Desde o passado fim de semana e até quarta-feira, Dia de Finados, mas sobretudo no feriado de 1 de Novembro, o Dia de Todos os Santos para os católicos, a vida de muitas pessoas nas nossas cidades, vilas e aldeias, centrou-se nas idas aos cemitérios, primeiro para tratar de todos os trabalhos de limpeza e embelezamento das suas campas e depois para acender velas e luminárias, e assim recordar e prestar  homenagem a amigos e familiares já falecidos. Em algumas terras aqui à volta há missas, rezas, procissões, rituais católicos a que os crentes se associam. 


Essencialmente, para crentes ou não crentes, são dias que dedicamos a pessoas que fizeram parte das nossas vidas, que amámos e nos amaram mas já não estão presentes, e portanto eu chamar-lhe-ia uma celebração de afetos.
Assim, da mesma maneira que nos blogues americanos e de outros países de língua inglesa não faltaram  posts dedicados ao Halloween - já nem vale a pena explicar o que é porque de há uns anos para cá também no nosso país não faltam celebrações do Dia das Bruxas a 31 de Outubro - achei que esta semana vem muito a propósito falar deste assunto e mostrar aqui um conjunto de objetos que encontrei há uns anos na Feira da Ladra e se relaciona com o nosso culto dos mortos.







 São placas de vidro pintadas com imagens de campas e de flores e com dedicatórias a um ente querido falecido, com aros em metal, talvez chumbo ou zinco.
Imagino que estas placas se destinariam a ser penduradas  no interior dos jazigos - ou capelas como se chamam por aqui - talvez na parede frontal onde há normalmente um pequeno altar, sendo com certeza uma alternativa às ofertas de flores que hoje têm completa exclusividade.
Não sei se estas chegaram a estar ao uso e foram depois vendidas em consequência da venda ou renovação do jazigo ou se pura e simplesmente ficaram esquecidas no fundo dum caixote numa loja, talvez numa velha agência funerária.
Nunca tinha visto nada no género exposto ou à venda e por isso, de tão estranhos que achei estes objetos,  decidi comprá-los, baratos, claro - para os vendedores não passariam de monos com cenas lúgubres - e tentar descobrir mais sobre eles.  
Agora estão fechados numa gaveta, já que não  é propriamente coisa que se pendure na chaminé do fogão de sala ou por cima do aparador :), mas de vez em quando vejo-os e lembro-me de fazer uma pesquisa, só que até agora não consegui encontrar nada.
Pela roupa da figura feminina e pelo estilo das campas, penso tratar-se de objetos do final do século XIX ou início do XX, mas gostava de saber mais...


sexta-feira, 27 de maio de 2011

Pequeno oratório "bala" de Ouro Preto


Quando visitei  Ouro Preto, a antiga Vila Rica, hoje cidade Património Cultural da Humanidade, em Minas Gerais, Brasil, não pude deixar de fazer uma visita ao Museu do Oratório, um magnífico acervo doado ao Estado brasileiro pela colecionadora  Angela Gutierrez.
Desta colecionadora brasileira já aqui falei noutros posts a propósito da sua magnífica coleção de Sant' Anas.


O Museu do Oratório está instalado neste edifício, um anexo da Igreja do Carmo, mesmo ao lado do Museu da Inconfidência, e aí viveu durante algum tempo, no século XVIII, o "Aleijadinho", nome por que ficou conhecido o artista António Francisco Lisboa, Patrono da Arte no Brasil, natural de Ouro Preto.
Ali se encontram 163 oratórios distribuídos por vários espaços segundo a sua tipologia - de viagem, populares e eruditos - que datam do século XVII ao século XX, assim como as 300 imagens que também compõem o acervo.


Reprodução em miniatura do Profeta Joel, uma das grandiosas estátuas do "Aleijadinho" no Santuário do Senhor do Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, Minas Gerais

De entre os oratórios de viagem, encantaram-me particularmente os chamados oratórios bala, com um formato muito invulgar, que lembra precisamente uma bala, para se poderem adaptar facilmente a espaços disponíveis na bagagem, que era transportada no dorso de animais, nas longas viagens através do  interior do Brasil pelos chamados tropeiros.
Nos séculos de colonização portuguesa, no interior do Brasil, quase todas as famílias de fé cristã tinham um, já que viviam por vezes a grandes distâncias de igrejas ou capelas e assim tinham a sua "capelinha" para devoção privada.




Interior de um oratório bala da coleção do Museu do Oratório

Em geral são muito coloridos, arte popular em madeira pintada, por dentro e por fora, decorados com flores e com uns toques de dourado.
Ainda hoje se fazem e vendem-se não só na loja do museu, mas nas lojinhas de artesanato que abundam nas ruas principais de Ouro Preto.



São peças artesanais verdadeiramente encantadoras e logo me apeteceu trazer um, mas  limitada pelo espaço na bagagem, procurava um oratório bala, por nunca ter visto aquele formato antes, mas em tamanho pequeno. Finalmente encontrei este que correspondia ao tamanho que eu queria, mas só era pintado por dentro, já que sendo feito da nobre madeira de jacarandá, o artesão quis deixá-la à vista.


Como a altura no interior é reduzida, só dá para imagens pequenas e por isso vive lá este tosco Santo António com o Menino, em terracota, para mim com o encanto que lhe dão as marcas deixadas  pelo tempo.