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sábado, 10 de dezembro de 2011

Pequeno jarro da Fábrica Aleluia



Nem só de peças antigas se alimenta o meu gosto por cerâmicas. Também me deixo cativar por exemplares relativamente recentes, peças vintage, quer pela sua forma e decoração, quer pelas marcas de fabrico ou ainda porque são dignos representantes de um estilo e de uma época.


É o caso deste pequeno jarro de faiança da Fábrica Aleluia em Aveiro, a qual já aqui referi a propósito de uns painéis de azulejos que fotografei em Coimbra e ainda outros na Figueira da Foz.


Tendo-se mantido na família Aleluia até aos anos 70 do século passado, esta unidade fabril dedicou muita da sua produção a acompanhar as tendências estilísticas das  décadas que atravessou.
Penso que este exemplar se deverá integrar na produção dos anos 50.


Acho o  formato  delicioso, com aquelas formas redondas  à volta do óculo - decorativo e funcional, pois  permite formar a  pega -  e também os contrastes cromáticos, não só no exterior entre o branco e a mescla amarelo-negro, mas também entre essa mescla e a cor lisa, em amarelo, do interior da peça.


Tenho seguido o blogue "Moderna uma outra nem tanto", cuja principal temática é a cerâmica Arte Déco e Modernista, portuguesa e estrangeira, e ali tenho encontrado muita informação interessante a propósito das belas peças da sua coleção, entre elas uma linda jarra Aleluia ostentando o mesmo carimbo que este meu jarro e muito provavelmente da mesma época de fabrico.

domingo, 21 de agosto de 2011

Azulejos publicitários na Figueira da Foz

Os primeiros dois painéis de azulejos que aqui apresento podem ver-se nas paredes que ladeiam a entrada sul do Mercado Engenheiro Silva na Figueira da Foz.
É a entrada que dá para o rio e era em frente que se situava o porto de pesca que hoje deu lugar à marina.



À vista nenhum dos painéis está marcado ou datado, mas são obviamente da Fábrica de Sacavém que assim publicitou a sua produção de faiança fina e ao mesmo tempo a produção de azulejos.
A avaliar pelos modelos da loiça representada e pelo próprio design do primeiro painel, muito ao estilo Arte Deco, terão ali sido colocados nos anos 30 ou 40 do século XX e isso mesmo me foi confirmado em conversas que tive com alguns vendedores mais antigos do mercado, inaugurado ainda no século XIX, como se pode ver na entrada principal do lado do jardim público.

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Um dos vendedores,  nascido em 1947, por ali criado já que herdou o negócio dos pais, disse-me que sempre ali conheceu os azulejos, por isso teriam que ser anteriores à década de 50.  Causa-lhe alguma estranheza - e a mim também - terem sido  colocados na entrada à época reservada aos abastecimentos do mercado e não utilizada pelo público em geral. 
Depois falei com uma vendedora, a Sra Leopoldina, nascida em 1934, filha e neta de vendedoras, e ela disse-me ser ainda  miúda quando ali colocaram os painéis, mas não se lembra se ainda nos anos 30 ou já na década de 40.
Também os painéis de publicidade às águas de Carvalhelhos só se conseguem datar por aproximação graças à história da casa comercial onde foram aplicados.


São três painéis iguais, por baixo de igual número de montras da Casa Encarnação, uma antiga loja de mercearias e vinhos que se situa numa esquina da rua Miguel Bombarda, no chamado Bairro Novo, próxima da avenida marginal.


No canto inferior direito pode ler-se a marca ALELUIA AVEIRO, mas quanto a datas, a única certeza que se pode ter é que serão também anteriores à década de 50. A atual proprietária daquele estabelecimento apenas me soube dizer que quando o marido para ali foi trabalhar, no início dos anos 50, já os painéis lá estavam. Disse-me ainda que durante muitos anos a empresa das Águas de Carvalhelhos oferecia contrapartidas, em determinado volume de águas, à publicidade que o estabelecimento assim lhes proporcionava, numa zona nobre do veraneio figueirense.
A Fábrica Aleluia em Aveiro, de que já falei num post recente, parece ter tido uma intensa produção de azulejos na primeira metade do século XX, alguns ao estilo Arte Nova, e felizmente tinham o hábito de marcar os seus painéis.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Azulejos em Coimbra da Fábrica Aleluia

Num Sábado de manhã, vinda da feira de velharias de Coimbra, passei pelo Parque Dr Manuel Braga, junto ao Mondego, e reparei nestes bancos enquadrados por painéis de azulejos.



Apesar de meus velhos conhecidos desde os tempos de estudante - passei ali inúmeras tardes a estudar com colegas no café sobre o rio - nunca me tinha detido a apreciá-los em pormenor.


 Por trás deste banco e respetivo painel, sobre a água, vê-se uma barca serrana das que outrora subiam o rio até Penacova cheias de sal e de trouxas de roupa suja, para depois o descerem carregadas de lenha e com a  roupa já lavada, pronta para ser entregue às freguesas citadinas.


A maioria dos painéis já está muito degradada, mas em alguns consegue-se decifrar a marca da Fábrica Aleluia, Aveiro, que neste ainda está bem visível.
A Fábrica Aleluia foi fundada em 1905 por João Aleluia, um  pintor ceramista que fez carreira desde muito novo na Fábrica  da Fonte Nova, também em Aveiro, encerrada em 1904.


 Desde o início a nova unidade fabril dedicou-se à produção de louça e de azulejos e aqui se vêem várias composições com  bouquets de flores, em cima a azul e branco com a bela moldura vegetal em fundo, em baixo a cores com um grande sol introduzido na composição, tal como no primeiro painel aqui apresentado.


Antes de chegar ao parque, numa casa antiga da "Baixinha", entre a Praça Velha e a Portagem, resolvi fotografar um painel de azulejos com Alminhas, lembrando-me do LuísY que já várias vezes dedicou posts a este tipo de registos.

 A avaliar pela moldura deve datar do século XVIII, com a inscrição P.N.A.M. P. ALM., o habitual pedido aos passantes para rezarem um Pai Nosso e uma Avé Maria pelas almas do purgatório. Apresenta uma cena de calvário e uma Nossa Senhora coroada que não sou capaz de identificar.
Vê-se um fio elétrico a atravessá-lo, provavelmente uma solução provisória que se foi eternizando...


Fiz este percurso a pé para ir ao encontro da minha filha e do meu netinho de seis meses e meio que me apareceu assim equipado para o seu passeio matinal :)