Existe ainda na base uma marca de artesão, um J com uma flor, a anotação de exemplar único e uma data, 1930.
Sei agora, à posteriori, graças a um comentário a este post do Mercador Veneziano, que o J com a flor, uma rosa, seria a marca do pintor José Rosa Rodrigues que trabalhou nesta fábrica na década de 30.
Sei agora, à posteriori, graças a um comentário a este post do Mercador Veneziano, que o J com a flor, uma rosa, seria a marca do pintor José Rosa Rodrigues que trabalhou nesta fábrica na década de 30.
A Fábrica Constância foi fundada em 1836, na Rua de S. Domingos à Lapa, às Janelas Verdes, mas só em 1842 adotou o nome que, com uma ou outra variante, se mantém até hoje. Ali trabalhou, logo no início, um nome muito importante da cerâmica portuguesa do século XIX, Wenceslau Cifka, artista boémio multifacetado, que veio para Portugal como acompanhante do nosso rei-artista, D. Fernando, marido de D. Maria II.
Maria de Portugal é o pseudónimo de Albertina dos Santos Leitão, uma notável ceramista, mas também escritora e pintora, que foi discípula de Leopoldo Battistini, artista cerâmico de relevo, à época proprietário da Fábrica Constância. Nos anos 30 do século XX ela própria assumiu a direção artística da fábrica e tornou-se sua proprietária, daí a inscrição Compª de Maria de Portugal, datada de 1930.
Nesta peça a decoração é muito curiosa, com reservas debaixo de cada uma das asas, onde se podem ler pequenos excertos que poderão ser de um poema, já que numa das reservas aparece um título, "Val de Amôres" e por baixo "as quatro chamas"; noutra reserva vê-se uma assinatura, para mim ilegível. Estas peculiaridades, juntamente com a referência a exemplar único, fazem-me pensar numa peça comemorativa ou destinada a homenagear alguém.
Para além das reservas com inscrições e do pontilhado de fundo, a decoração é feita com árvores, de que consegui identificar, com a ajuda da nossa seguidora, uma laranjeira, uma oliveira e uma videira, que teriam certamente algum significado para uma ocasião especial.
