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sexta-feira, 22 de março de 2013

Saleiros

Atraem-me sempre os pequenos objetos de mesa; destes, os saleiros - em loiça, vidro ou metal - estão entre os meus preferidos. Há formatos antigos lindíssimos, desde os de porcelana chinesa que a Vista Alegre tem reproduzido sobretudo em peças comemorativas ou para coleção, até às mais diversas formas em prata com o respetivo interior em vidro azul ou transparente, a formar pares ou em conjuntos de cinco ou mais... e com a minúscula colherzinha a acrescentar ao charme.


Os formatos foram evoluindo e já no final do século XIX, aqui em Portugal, os serviços incluiam um saleiro duplo, formando uma peça dual com pega, à imitação dos galheteiros. Este formato, embora usado por fábricas europeias de prestígio desde o século XVIII, sempre me intrigou como saleiro, porque, se excluirmos a presença da pega, não vejo qualquer utilidade na junção de dois recipientes para sal. Os pares e conjuntos de saleiros iguais justificavam-se para espalhar pela mesa, mas estes duplos (ou mesmo triplos como já vi um de Sévres) não tinham qualquer vantagem - a não ser que se usassem para sal e pimenta ou outros condimentos.


São desse tipo as peças que aqui trago hoje e de três fabricos portugueses distintos:  a Fábrica de Porcelana Vista Alegre, A Fábrica de Loiça de Sacavém e a Fábrica Cerâmica Lusitânia.



Comecei por este saleiro da Vista Alegre por, avaliando pela marca (1881-1921), ser possivelmente o mais antigo. Foi um padrão simples e relativamente vulgar nos serviços V.A., sobretudo usado em hotelaria.



O saleiro de Sacavém, já do período Gilman, deverá ter o seu fabrico situado entre 1909 e 1930, por pormenores da marca de que já aqui falei.



O saleiro Lusitânia, com nítidas formas Déco e com decoração floral adequada ao estilo, deve ser o mais recente, anos 30 ou 40 do século XX.


Aqui está um velhinho saleiro em porcelana chinesa azul e branca com o tipo de cercadura que o belo prato de faiança da Maria Paula me fez lembrar.


E agora o cúmulo do requinte! O especieiro da baixela Germain em prata dourada do Museu Nacional de Arte Antiga, referido pelo LuísY no seu comentário. Como o nome indica, destinava-se a especiarias que iam à mesa real, como a pimenta e a noz moscada cujos ramos ali estão representados, mas não deixa de ser equivalente aos mais comezinhos e plebeus saleiros duplos de loiça.


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Bule Lusitânia


Como o blogue Moderna Uma Outra Nem Tanto celebra esta semana o seu primeiro aniversário, resolvi oferecer-lhes uma singela "prenda": apresentar aqui este bule Lusitânia, que fez parte de um tête-à-tête em estilo Déco igual ao que o MUONT publicou há meses, embora a decoração seja diferente.

O tête-à-tête  da coleção MUONT

Na altura, em comentário, falei-lhes do meu bule e eles sugeriram que o mostrasse aqui. Achei esta uma boa ocasião.
 Como lhes disse na altura, o conjunto deve ter sido fabricado nos finais dos anos 40,  já que foi prenda de casamento dos meus pais e eles casaram-se logo no início de 1950.


Ainda me lembro de o tabuleiro redondo e as chávenas andarem lá por casa, mas quando vi que só restava o bule, com estas belas linhas Art Déco, resolvi pô-lo a salvo :). As riscas estavam muito em voga nessa época e eu desconfio que a escolha do conjunto com riscas verdes  se deve ao facto de o meu pai ser desde sempre um sofredor do Sporting... ;)


A marca está muito pouco visível, mas consegue-se identificar bem como uma das marcas da Fábrica Lusitânia, da unidade instalada em Coimbra por volta de 1930.
E já agora, um extra para quem gosta de peças Déco e modernistas, como é o caso dos autores do blogue aniversariante: um açucareiro Vista Alegre com a marca de 1947-1968.


Nunca vi outras peças deste formato, mas sendo um açucareiro, haveria as restantes loiças do serviço, a branco ou decoradas.


Que estes amigos AM-JMV celebrem o aniversário do seu blogue  por muitos anos!!!

Por coincidência, na semana seguinte a este post, numa exposição sobre a porcelana Vista Alegre patente no Museu da Chapelaria em S. João da Madeira, fotografei peças de um serviço VA no modelo do meu açucareiro.


Como se pode ver no açucareiro, em termos de formato, só as asas são diferentes.
Penso até que este modelo está em exposição no Museu da Vista Alegre, mas com a diferença nas asas e na decoração, nunca tinha detetado afinidade com a minha peça.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Motivo decorativo da Vista Alegre...e não só

É sabido como a Fábrica de Porcelanas Vista Alegre utilizou ao longo de décadas os mesmos motivos decorativos, ao mesmo tempo que ia sempre introduzindo outros novos.
Neste caso, trata-se de um motivo de que não sei o nome (será "silvinhas"?), mas que é porventura o mais recorrente alguma vez usado por esta fábrica, já que aparece ao longo de pelo menos cem anos.
É-me familiar desde a infância, dos tempos em que passava muitos dias em casa da minha madrinha, onde existia um serviço, de chá se não me engano, com esta decoração.

Fui juntando este conjunto de peças por achar curioso encontrar formatos e tamanhos de chávenas muito diversos, com marcas de diferentes épocas, maior ou menor cuidado na decoração, mas sempre com o mesmo motivo.

Esta chávena e pires de café são os exemplares mais recentes, pois a marca que apresentam data de 1980, mas acredito que este motivo se tenha continuado a fazer já depois disso. As peças têm uma moldagem em espiras, que não se vêem muito bem (tirei as fotografias à noite e não foi nada boa ideia).

Os exemplares mais antigos deste conjunto ostentam três marcas diferentes  que correspondem, qualquer delas, ao período de 1881 a 1921.

Chávena almoçadeira e chávena de chá com respectivos pires. É interessante notar que embora o formato das chávenas seja o mesmo, a forma das pegas é diferente.
Marca da chávena almoçadeira (1881-1921)

Marca da chávena de chá, neste caso, do pires (1881-1921)


Chávena e pires de café e a respectiva marca (1881-1921)

Chávenas de chá e de café e respectivos pires,com marcas diferentes uma da outra, iguais às duas primeiras do período 1881-1921

 
Chávena e pires de chá, com linhas Arte Deco e marca do centenário (1924)


Chávena e pires de chá e respectiva marca (1922-1947)

Açucareiros com a marca da chávena anterior, feitos em moldes muito diferentes e em muito diferentes estados de conservação, mas com o mesmo tipo de pega nas tampas, muito característica do fabrico Vista Alegre


Finalmente...


Duas peça que sobreviveram em bom estado de um serviço de café que foi oferta de casamento dos meus pais em 1950
A marca da Fábrica Lusitânia visível em ambas as peças, mas mais legível na leiteira.

Os serviços Vista Alegre eram geralmente guardados para ocasiões especiais nas famílias e por isso sobreviviam quase intactos durante mais de uma geração. Estas loiças da Lusitânia eram de uso corrente e acabavam por resistir mal à passagem dos anos.