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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Bandeira e Fervença de novo

Nem sempre este blogue tem vivido da "prata da casa" como temática ou como ilustração de textos, mesmo quando se trata de objetos e não de edifícios ou monumentos.
Com efeito, a disponibilização de fotos por parte de familiares e amigos, alguns já feitos através do blogue, tem sido um recurso inestimável que em muito tem contribuído para enriquecer os conteúdos. Alguns desses posts estão até entre os mais populares.
É de novo o caso do tema de hoje, "alimentado" por três bons exemplares de faiança do Norte, que tenho a agradecer à If, grande entusiasta e estudiosa das nossas faianças.


 Os motivos centrais destes dois primeiros exemplares, embarcações à vela, parecem-me muito ligados às vivências dos trabalhadores cerâmicos das fábricas gaienses, ali à beira do rio e tão perto do mar. Também não nos podemos esquecer que o século XIX foi uma época de intensa emigração, sobretudo para o Brasil, a partir do populoso Norte do país, e era este o meio de transporte utilizado pelos viajantes. Por isso, teria a sua  popularidade como motivo decorativo, embora eu não conheça outros exemplares neste género de faiança.


A paleta de cores é muito idêntica, e também os filetes à volta do covo, mas pelo tipo de cercadura podemos arriscar atribuir o primeiro à Fábrica da Bandeira e o segundo à da Fervença, ambas situadas em Vila Nova de Gaia e ambas fundadas na primeira metade do século XIX.
O terceiro exemplar destaca-se pela cercadura nada usual, com grinaldas de flores miúdas a delimitar zonas de quadriculado amarelo.


Já o motivo central de casario é comum a outros exemplares atribuídos à Fábrica da Bandeira, como este que eu já tinha mostrado num primeiro post e repetido num outro meses depois.
 Há diferenças de pormenor mas o conjunto de edifícios é basicamente o mesmo e há grande semelhança na forma de representar a vegetação.



Também curioso é verificar que o conjunto de quatro cisnes que aparecem no primeiro prato com o motivo do barco à vela é exatamente o mesmo que se pode observar no  prato seguinte, do Museu Nacional de Arte Antiga, atribuído à Fábrica da Bandeira. Imagino que cada fábrica disporia de variados motivos em stencil que depois eram agrupados ou sobrepostos formando diferentes composições.

Penso que esta possibilidade que temos tido de comparar, quer os motivos centrais, quer os filetes e cercaduras, em vários exemplares, muitos já com atribuição de fabrico, nos vai permitindo ganhar mais conhecimento e confiança relativamente a estas faianças não marcadas.
Obrigada, If, mais uma vez...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Mais dois pratos de Gaia com casario

A colecionadora que me tem amavelmente facultado acesso fotográfico às suas peças de faiança, enviou-me recentemente fotografias de dois pratos com uma decoração normalmente atribuída à Fábrica da Bandeira mas que ela identifica como Fervença.

Já aqui referi num post de Janeiro, como estas duas unidades cerâmicas estiveram geográfica e temporalmente próximas, ambas a laborar em Vila Nova de Gaia durante o século XIX. e como é difícil distinguir a sua produção  não marcada.

Estes exemplares formam um par muito harmonioso, não só pela coincidência da paleta cromática, mas também pelo tipo de cercadura floral e pela temática central do casario.
São muito semelhantes aos dois que se seguem e que já mostrei aqui em Fevereiro, mas é sempre interessante compará-los nos pormenores dos edifícios e da restante decoração.
Por exemplo, o segundo e o terceiro pratos apresentam o mesmo casario, mas parece diferente por estar pintado de outra forma e com outras cores. Já o arvoredo é muito semelhante em três dos pratos mas difere no segundo.


 Para além das semelhanças mais notórias, há uns desenhos curvos a vinoso, a sugerir vegetação, que são comuns a três deles.
Muito provavelmente saíram da mesma oficina ou unidade fabril e tendo eu recentemente folheado o catálogo de 2005,  "Meninos Gordos, contar uma história através da faiança", coordenado por Isabel Maria Fernandes do Museu de Alberto Sampaio,  atrever-me-ia a dizer que saíram todos da Fábrica da Bandeira.
Efetivamente, nesse catálogo, sempre que nos pratos dos Meninos Gordos aparece este tipo de cercadura, as mesmas flores e folhas, em alguns também a vegetação representada com as curvas a vinoso sobre fundo amarelado ou verde, eles são atribuídos à Fábrica da Bandeira.

A disponibilização de boas fotografias por parte da possuidora destas peças permite-me ir mantendo este blogue com alguma regularidade, mesmo quando tenho pouco tempo para fotografar exemplares meus, e por isso, mais uma vez, aqui lhe deixo o meu agradecimento.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Mais faiança atribuível a Bandeira ou a Fervença

Já que o Luís, do blogue Velharias, iniciou uma tentativa de sistematizar as diferentes  decorações de pratos de faiança atribuídos à Fábrica da Bandeira  (http://velhariasdoluis.blogspot.com/2011/02/ainda-fabrica-da-bandeira.html)  que também sabemos estarem muito próximos da produção Fervença, decidi mostrar aqui mais alguns exemplares que, tal como os anteriores, fotografei em casa de familiares.

A característica  que mais me faz acreditar que pertencem à mesma família, para além das tonalidades de amarelo e cor-de-laranja, é a presença das barras concêntricas, nessas tonalidades, mas também por vezes em azul ou em vinoso, para além das cercaduras de flores e folhas, que variam muito.
Essas características também poderão depender do período de fabrico, mais tardio ou mais recuado, e lá ficamos nós à deriva outra vez.

Este prato, com as mesmas riscas concêntricas, tem umas flores azuis na aba que me fazem lembrar um que a Maria Isabel mostrou em http://leriasrendasvelhariasdamaria.blogspot.com/2011/01/faianca-de-fervenca.html e que ela atribuía a Fervença.

Este exemplar, embora tenha uma cercadura muito semelhante às de peças atribuídas a Bandeira, para mim tem um ar mais de Fervença, talvez pela combinação dos tons de verde com amarelo, que resulta num efeito cromático diferente, mas é um palpite pouco fundamentado.


Entretanto, encontrei muita faiança num catálogo da leiloeira Leiria e Nascimento que tenho cá em casa. Eles não arriscam qualquer atribuição, descrevem as peças como faiança portuguesa do séc. XIX, mas acho que vale a pena observarmos e fazermos comparações.


O motivo central é sempre peixes, inteiros ou em postas, em geral com talheres. Muitos têm cercaduras na aba do tipo que é costume atribuir a Coimbra, mas os números 376 e 377 apresentam barras concêntricas, tonalidades e cercaduras que me levam a identificá-los como Bandeira. Os números 613 e 609 da primeira fotografia também me fazem pensar em fabrico de Gaia, mas deixo aqui as fotografias à consideração de quem se queira pronunciar.


Finalmente, neste conjunto de pratos que encontrei noutro catálogo da mesma leiloeira, há dois pratos identificados como da Fábrica da Bandeira, o nº 77 e o nº 81. Em relação a este e ao nº 78, que não tem atribuição, refere-se ainda que se trata do busto de D. Miguel, ao centro. 
Toda esta variedade de exemplares, sem marca, com diferentes cores, motivos e decorações na aba, acabou por reforçar em mim a ideia de que é extremamente difícil atribuir um local de fabrico a esta faiança.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Pratos atribuídos à Fábrica da Bandeira

Os pratos que decidi mostrar hoje são atribuídos à Fábrica da Bandeira, cuja produção muito se confunde com a da Fábrica da Fervença, ou vice-versa, tal como já referi no post de 26 de Janeiro último. 
São peças que fotografei em casa de familiares porque achei interessante apresentarem uma temática diferente de outros pratos Bandeira(?)  mostrados em http://velhariasdoluis.blogspot.com/search?updated-max=2011-01-28T17%3A15%3A00Z&max-results=7  e assim permitirem alargar o conhecimento dos motivos centrais, já que as cercaduras são muito semelhantes.

O tema central aqui é um casario numa paisagem campestre, com a particularidade de terem colocado um pássaro em tamanho desproporcionado num dos telhados. Não sei se a intenção era representar um galo, mas a verdade é que saiu o que me parece ser um corvídeo. Aqui se encontram muitos tons amarelos e alaranjados como é típico das fábricas Fervença e Bandeira,  ambas unidades gaienses do séc. XIX, muito notórios nas barras concêntricas que delimitam o motivo central.

Este segundo prato apresenta a mesma gramática decorativa, como dizem os especialistas nestas coisas, mas é menos elaborado no desenho central. Os elementos maiores de qualquer das cercaduras, flores e folhas,  parecem ter sido aplicados a stencil, como acontece em muitas decorações desta época. 

Finalmente um prato do mesmo tipo com  decoração mais elaborada, mas esta é uma peça em exposição no Museu Nacional de Arte Antiga, por isso pertence à "crème de la crème". É interessante verificar as semelhanças, sobretudo em relação ao primeiro prato, no tipo de flores e folhas da cercadura, nas cores usadas, a forma de desenhar as árvores a enquadrar toda a cena, mas obviamente há diferenças, sobretudo um maior número de elementos, com a inclusão de animais de quinta, um lago com gansos e um caminho ou um riacho,  para além do motivo sempre presente do casario.