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quinta-feira, 26 de abril de 2012

Duas cafeteiras centenárias... raparigas do mesmo tempo...



Há tempos a IF, influenciada pela publicação do meu bule de faiança que encontrei todo estropiado, enviou-me as fotos desta cafeteira da Fábrica de Sacavém, permitindo-me que as partilhasse aqui no blogue, o que agradeço .


Apesar de lhe faltar a asa, mantém  um aspeto atraente na sua forma elegante, decorada com o belo motivo Metz a castanho, sobre o qual o LuísY, já há tempo, publicou um post bastante desenvolvido e elucidativo.
É um encanto com aquele ramo de flores ao centro e ainda uns medalhões laterais, separados pelos arabescos e ainda as séries de pequenas contas a servir de moldura.


Deste motivo de Sacavém tenho apenas um prato a verde, em muito mau estado, mas a cafeteira lembrou-me de imediato uma sua congénere inglesa que tenho, da mesma época, também periforme e seguindo a mesma opção decorativa, já que ambas apresentam três faixas estampadas, ornadas com florões ou medalhões e arabescos (na inglesa só duas estão assim decoradas)  com localização semelhante no corpo das peças.


No caso da peça inglesa, há ainda uns ornatos no bico e uma faixa na asa, pormenores que eu particularmente aprecio.
Não surpreende a semelhança entre as duas cafeteiras dado sabermos como a Fábrica de Sacavém esteve nas mãos de nomes ingleses quase desde o seu início, vindo de Inglaterra muitas das estampas, provavelmente também moldes, e até maquinaria e pessoal especializado.


Vê-se aqui um medalhão com  frutos na faixa mais larga e tanto esta como a da boca da peça, apresentam  animais de caça grossa - javalis e gamos.
 Analisando as marcas que se podem ver no fundo das cafeteiras, conclui-se-se que foram ambas fabricadas na segunda metade do século XIX.
 Este carimbo de Sacavém, com a inscrição "Fábrica de Sacavém",  foi usado no período de 1865-1870 -  só em 1886 foi introduzido o título de Real neste tipo de marca da fábrica.

 A marca da direita, correspondente à cafeteira inglesa, não dá qualquer indicação sobre o fabricante, é apenas a chamada"Patent Office Registration Mark", usada em Inglaterra de 1842 a 1883, cuja letra "I" no ângulo direito do losango nos indica ser este objeto datado de 1872.  Lendo os restantes dados fica-se a saber que é de  6 de Junho de 1872.
Apesar da pesquisa que já fiz na internet, ainda não encontrei este motivo, pelo que não sei o nome pelo qual ficou conhecido, nem o nome do fabricante.


No entanto, considerando a presença dos gamos e javalis e o facto de  nos medalhões centrais da faixa superior estar representada uma corneta de caça, não restarão dúvidas de que seja a caça o tema desta decoração.




sexta-feira, 23 de março de 2012

Florzinhas de Sacavém

Talvez porque as flores da Primavera começam a aparecer por todo o lado...












Entre as dezenas de motivos que a Fábrica de Sacavém utilizou ao longo dos cerca  de 130 anos de atividade (desde os anos 50 do séc. XIX aos anos 80 do séc. XX), contam-se muitos motivos florais, quer monocromáticos, quer policromáticos.
Os que mostro hoje são todos policromáticos e com o mesmo tipo de decoração: raminhos de flores miúdas espalhados pelas peças.

Esta chávena e dois pires, moldados em gomos, apresentam uns toques de pintura à mão sobre um desenho estampado no motivo "Mimoso".


 
Curiosamente, a chávena não está marcada e os pires têm carimbos diferentes: um tem a marca de fabrico Real Fábrica de Sacavém, B.H.S. & C.ª, usada de 1886 a 1905; o outro ostenta o nome de um estabelecimento comercial do Porto que vendia estas loiças, a Casa Buisson, 45, Rua S. António. O nome do motivo, "Mimoso", pode ver-se por cima da âncora do carimbo Real Fábrica. Em ambos os pires vê-se ainda a marca gravada na pasta com a coroa real e a palavra Sacavém por baixo. 


Estes dois pratinhos ou covilhetes, com o mesmo molde gomado só na orla, têm decorações estampadas ligeiramente diferentes, formando motivos cujo nome desconheço. Estão ambos marcados com a coroa e a palavra Sacavém a maiúsculas incisas na pasta, como se vê em cima, marca introduzida em 1885-1886, portanto serão de final do século XIX.

Embora não estivesse a pensar publicar estas peças de Sacavém, o verdadeiro motivo para o fazer agora foi o envio de fotos de várias peças de faiança por parte de um seguidor deste blogue, o Jorge Pereira. Entre elas está uma travessa também decorada com flores deste tipo, mas sem marca visível, pelo que o nosso amigo não lhe consegue atribuir fabrico e pediu a minha ajuda.


 Logo que a vi, pareceu-me Sacavém, pela decoração e pelo formato moldado daquela maneira nos cantos.
É o mesmo molde de uma travessa motivo "Outono" que aparece num catálogo do Museu de Sacavém - Primeiras peças da produção da Fábrica de Loiça de Sacavém, o papel do Coleccionador - e que está descrita do seguinte modo:
"Peça moldada de formato rectangular, aba relevada e bordo ondulado, com decoração policromática, por técnica de estamparia, constituída por seis composições florais dispostas simetricamente ..."
À exceção das composições florais do motivo Outono, que são diferentes, tudo o resto se aplica às caraterísticas da travessa deste seguidor.
Mas depois de analisar as minhas peças Sacavém com motivos florais que mostro em cima, descobri que as desta travessa são muito parecidas com as dos covilhetes, talvez iguais às de um deles.


Nesta fotografia nota-se ao centro que há uma marca incisa na pasta, mas não identificável. Penso que seja a coroa de Sacavém, mas sem certezas. De qualquer modo, julgo  não restarem muitas dúvidas de que a travessa é de Sacavém. Se estiver enganada, poderá sempre surgir aqui alguém que nos esclareça.

A travessa motivo Outono do catálogo do Museu da Fábrica de Sacavém

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Prato de Sacavém com cena campestre



Comprei este prato de Sacavém, já lá vão uns bons anos, em primeiro  lugar pela raridade do motivo, numa policromia alegre e decorativa.
Habituada aos motivos monocromáticos que sempre conheci em casa dos meus avós - o Estátua, o Metz, o Reino, o Rio ou mesmo o Chinez com apenas três cores - e também o formato Espiga que a minha mãe usava na minha infância, achei esta decoração muito diferente de tudo o que eu conhecia da Fábrica de Sacavém. 


A estampa, como a maioria das usadas por Sacavém, deve ter sido importada de Inglaterra, mas mostra uma cena que podia ter sido captada há cem anos numa qualquer zona rural lusa, não fora aquele tipo de telhado de colmo muito inclinado e o toucado na cabeça da mulher a apontar para outras paragens.


Uma outra curiosidade do prato é o facto de apresentar duas marcas: a típica marca Gilman & Comandita de Sacavém e uma outra que é um malmequer verde e eu não sei o que representa.
Para além deste prato, só vi esta marca, nesse caso sem mais nenhuma outra, numa infusa que tenho em pó de pedra sem qualquer decoração.
Será que alguém conhece este motivo ou a marca a verde que me causou perplexidade?

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O motivo Faisão ou Asiatic Pheasants em faiança portuguesa


O motivo Faisão, ou em inglês, Asiatic Pheasants, é um dos padrões decorativos mais utilizados na faiança inglesa pelo método de transfer-print, em geral a azul e branco. Em popularidade deve estar a seguir ao Willow - por cá, denominado Chorão - contando-se às dezenas os fabricantes que o reproduziram.
Assim, não é de admirar que tendo as nossas fábricas de faiança fina sido dirigidas por nomes ingleses como  Howorth, Gilman, Stringer, Wall ou MacLaren este fosse um dos motivos decorativos preferidos também por cá.


O primeiro prato que tive deste motivo, um prato de jantar com a marca muito desvanecida,  deixou-me na dúvida se seria português ou inglês.
Lá estão os dois faisões, um de cada lado do motivo floral ao centro, e a decoração floral da aba, com remate em fita  e o ligeiro recorte à volta. 


Entretanto, por comparação com outros exemplares, apercebi-me que o tardoz de círculos concêntricos  e o recorte da aba são muito típicos de Sacavém e comecei a reconhecer naquela marca tão sumida o formato de marcas anteriores ao período Gilman. A forma como se abrem em meio leque as penas da cauda do faisão à esquerda também é recorrente nas peças de Sacavém.


O segundo prato de jantar deste motivo, numa faiança grossa e pesada, tem as iniciais FA junto de uma marca tipicamente inglesa, com um tipo de design a que eles chamam "scroll mark". Fartei-me de correr na internet listas de fabricantes ingleses de "Asiatic Pheasants" mas as iniciais FA é que não apareciam em  nenhum deles.


Finalmente, há pouco tempo, num post do blogue "A Fábrica de Louça de Alcântara" do Mercador Veneziano, fez-se luz: FA significa simplesmente Fábrica de Alcântara e eu tinha em casa mais um portuguesíssimo prato, provavelmente do final do séc. XIX, com esse motivo de origem inglesa.


Este prato de sobremesa de Sacavém, com marca que o data de 1894-1902, foi comprado há pouco tempo por um euro, partido e mal colado, para ensaiar o processo de descolagem e posterior colagem com a cola recomendada pela Sandra Pena.


Apesar das fraturas que apresenta, acho-o muito bonito, não só pela tonalidade avermelhada, mas porque neste caso o desenho da estampa, diferente das anteriores, é mais leve, deixando muita superfície branca à vista. Daqui se pode concluir que a fábrica de Sacavém usou mais do que uma estampa com o motivo Faisão, tal como usou várias com o motivo Estátua, ou popularmente Cavalinho, também este importado de Inglaterra, onde é conhecido por Grecian Statue.


Deixei para o final a melhor peça do grupo, desta vez da Fábrica de Massarelos, uma bacia de lavatório produzida durante o período MacLaren, por volta de 1900.
Foi-me enviada por uma amiga, que a desencantou na casa de família em Trás-os-Montes, e a quis partilhar comigo, e agora também convosco.
No motivo central, reproduzido na primeira fotografia deste post, para além de dois elegantes faisões, aparece ainda uma borboleta, elemento que não conhecia neste tipo de estampa. Devia ser reservado às peças de maiores dimensões.


Também esta é uma decoração mais limpa, desafogada, onde se pode apreciar bem a beleza do motivo, de influência oriental, como o próprio nome indica. A decoração alarga-se ao exterior da caldeira, com o motivo floral, o que enriquece muito a peça.


Aqui a marca com o nome do padrão decorativo, Asiatic Pheasant (neste caso no singular) e o nome da firma MacLaren & Cº.  Se não fosse a presença do carimbo de Massarelos gravado na pasta, poderia perfeitamente passar por marca de fabricante em território britânico.
Agradeço muito a esta amiga pela partilha, que acabou por servir de motivação para este post e o enriqueceu com as belas imagens da sua peça.

domingo, 21 de agosto de 2011

Azulejos publicitários na Figueira da Foz

Os primeiros dois painéis de azulejos que aqui apresento podem ver-se nas paredes que ladeiam a entrada sul do Mercado Engenheiro Silva na Figueira da Foz.
É a entrada que dá para o rio e era em frente que se situava o porto de pesca que hoje deu lugar à marina.



À vista nenhum dos painéis está marcado ou datado, mas são obviamente da Fábrica de Sacavém que assim publicitou a sua produção de faiança fina e ao mesmo tempo a produção de azulejos.
A avaliar pelos modelos da loiça representada e pelo próprio design do primeiro painel, muito ao estilo Arte Deco, terão ali sido colocados nos anos 30 ou 40 do século XX e isso mesmo me foi confirmado em conversas que tive com alguns vendedores mais antigos do mercado, inaugurado ainda no século XIX, como se pode ver na entrada principal do lado do jardim público.

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Um dos vendedores,  nascido em 1947, por ali criado já que herdou o negócio dos pais, disse-me que sempre ali conheceu os azulejos, por isso teriam que ser anteriores à década de 50.  Causa-lhe alguma estranheza - e a mim também - terem sido  colocados na entrada à época reservada aos abastecimentos do mercado e não utilizada pelo público em geral. 
Depois falei com uma vendedora, a Sra Leopoldina, nascida em 1934, filha e neta de vendedoras, e ela disse-me ser ainda  miúda quando ali colocaram os painéis, mas não se lembra se ainda nos anos 30 ou já na década de 40.
Também os painéis de publicidade às águas de Carvalhelhos só se conseguem datar por aproximação graças à história da casa comercial onde foram aplicados.


São três painéis iguais, por baixo de igual número de montras da Casa Encarnação, uma antiga loja de mercearias e vinhos que se situa numa esquina da rua Miguel Bombarda, no chamado Bairro Novo, próxima da avenida marginal.


No canto inferior direito pode ler-se a marca ALELUIA AVEIRO, mas quanto a datas, a única certeza que se pode ter é que serão também anteriores à década de 50. A atual proprietária daquele estabelecimento apenas me soube dizer que quando o marido para ali foi trabalhar, no início dos anos 50, já os painéis lá estavam. Disse-me ainda que durante muitos anos a empresa das Águas de Carvalhelhos oferecia contrapartidas, em determinado volume de águas, à publicidade que o estabelecimento assim lhes proporcionava, numa zona nobre do veraneio figueirense.
A Fábrica Aleluia em Aveiro, de que já falei num post recente, parece ter tido uma intensa produção de azulejos na primeira metade do século XX, alguns ao estilo Arte Nova, e felizmente tinham o hábito de marcar os seus painéis.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Porcelana com retratos de senhora/ Porcelain with portraits of ladies

Esta semana vou participar no Tea Cup Tuesday e Tea Time Tuesday, mais uma vez com peças antigas da Vista Alegre.


A Fábrica de Porcelana da Vista Alegre, fundada em 1824, não é a única fábrica de porcelana existente em Portugal, como posso fazer crer a quem me visita às terças-feiras e conhece pouco da produção portuguesa, mas é a única que vem do século XIX e por isso, como amante que sou de antiguidades, interessa-me sobretudo a produção desta unidade fabril.
Começou a sua atividade com o fabrico de vidro, mas desde que iniciou o fabrico de porcelana, pouco tempo depois, seguiu as modas europeias em muitas das suas decorações.



 

                                              

É o caso destas peças de chá e de café decoradas por decalque, com bustos de jovens senhoras com um ar muito romântico, em quatro versões diferentes, emolduradas por ramos de espigas a ouro.
Nas várias peças aparecem duas marcas ligeiramente diferentes, mas ambas usam a figura de uma ema que foi usada pela Vista Alegre num período de quatro décadas que vai de 1881 a 1921.



Acho o bule muito gracioso na sua simplicidade de forma, pequeno e bojudo.


 Esta moda decorativa foi iniciada e muito usada pelas fábricas de porcelana francesas e também pelas austríacas, na altura o Império Austro-Húngaro abrangendo um vasto território que incluía o que é hoje a República Checa, também muito ligada ao fabrico de porcelana.


 Esta chávena e pires é o único exemplar que possuo em porcelana de Sèvres, ostentando um busto que  representará a Imperatriz Josefina Bonaparte.


Como se vê pela marca, o N de Napoleão com a coroa imperial pouco perceptível, não se trata da riquíssima Sèvres dos Ls entrelaçados do século XVIII, mas de uma produção do tempo de Napoleão III já da segunda metade do século XIX (1852 - 1870).


Segue o estilo Império, bem identificável pelo elaborado formato da asa revestida a ouro, embora já muito gasto por século e meio de existência e uso.

Entretanto, uma seguidora do blogue, na sequência do seu comentário a este post, enviou-me fotografias de peças V.A. com este motivo, mas duas delas, o pires da direita e a travessa, têm estampas diferentes. O pires da esquerda parece ter a mesma estampa do meu bule.



O pires do lado direito tem marca do período 1921-1947, o que revela que a Vista Alegre usou este motivo durante várias décadas.


 Não recebi foto da marca da travessa, mas este modelo com a aba moldada em relevo foi produzido pela V.A. até muito recentemente embora com outras decorações.

A Real Fábrica de Louça de Sacavém também utilizou esta linha decorativa no final do século XIX.


Tenho esta chávena e pires de chá com muito uso, esbeiçadelas, manchas, faltas de dourado, mas para mim tem sobretudo interesse pela rara marca gravada na pasta, com a coroa de Sacavém e a palavra GRANITO. Penso que este foi o nome dado a um certo tipo de pasta, já que também aparecem marcas com a referência GRANITE na faiança inglesa da mesma época.


Assim, também satisfaço a curiosidade do seguidor deste blogue, Flávio Teixeira.