Desta vez, para um chá de verão a pedir brisas marinhas, vou participar nos habituais eventos ligados ao chá -
Tea Cup Tuesday,
Tea Time Tuesday e
Tuesday Cuppa Tea - com inspiração em duas cidades do nosso litoral centro: Caldas da Rainha e Figueira da Foz.
Das Caldas vieram estas loiças SECLA, uma empresa ali constituída nos anos 40 do século passado, pretendendo de início inserir-se na tradição cerâmica caldense, mas cedo começando a inovar nas formas, cores e decorações.
Gosto do efeito encanastrado da chávena e pires de chá e sobretudo atrai-me este tom de azul petróleo muito usado pela SECLA nos anos 60, à época uma cor da moda, sobretudo no vestuário.
Só a chávena está marcada com o carimbo onde se lê SECLA PORTUGAL.
A caneca apresenta a mesma cor, o mesmo vidrado muito brilhante e uma bela decoração com uma sucessão de redemoinhos ou vórtices.
Desta vez, no carimbo mais desvanecido, pode ler-se SECLA MADE IN PORTUGAL.
O prato, também da SECLA, pintado à mão com um motivo de elementos marinhos, parece da autoria de Hansi Staël (1913-1961) a ceramista húngara que trabalhou na SECLA nos anos 50.
Não está assinado, ao contrário de outros com um motivo semelhante, mas foi certamente pintado por influência dos desenhos desta artista.
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| Prato à venda na internet com a assinatura de Hansi Staël |
E agora vamos até à Figueira da Foz, aliás, já lá estávamos ;), uma vez que estas peças são ali usadas num pequeno apartamento da família.
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| A Casa das Conchas sob a luminosidade do sol da Figueira |
Nesta cidade, onde tenho apreciado muitos revestimentos e painéis azulejares em edifícios, reparei que os frisos de azulejos da bem conhecida "Casa das Conchas", situada numa zona nobre da cidade, na Esplanada Silva Guimarães sobranceira à praia, apresentam motivos marinhos também com algas, peixes e moluscos.
São bastante anteriores a estes de Staël - pela comparação de postais antigos concluí que a casa terá sido construída em 1916-17 - mas encontro afinidades na composição e no desenho, embora nestes frisos de azulejos estejam em maior evidência as linhas ondulantes ao gosto Arte Nova, a estética ainda dominante à data da construção desta casa.
Trata-se de um dos edifícios que fazem parte da Rota Arte Nova no Bairro Novo, um dos mais belos e melhor conservados, embora não seja o mais caraterístico daquele movimento estético.
Prometo aqui mostrar alguns outros num próximo post.