Muitas vezes me tenho aqui queixado - eu e outros amigos e amigas que se interessam por faiança portuguesa - das dificuldades que sentimos para identificar a nossa faiança não marcada. É por isso uma verdadeira bênção encontrar uma peça marcada, como é o caso desta jarrinha de altar.
A marca é o inconfundível V de Viana - à época Vianna, como também aparece escrito em algumas peças - aqui pintado a vinoso de manganés.
Trata-se da fábrica instalada em Darque no final do século XVIII (1774) e que aí laborou até 1855.
Estudiosos destes assuntos e o próprio Museu Municipal de Viana do Castelo consideram três fases na produção desta antiga manufatura, e eu penso que a minha jarrinha de altar (com 15 cm de altura) se deve integrar na segunda fase, iniciada por volta de 1795.
A verdade é que a faixa decorativa à volta da boca ainda lembra vagamente a tarja de Rouen, muito típica do primeiro período em decorações a azul, mas a paleta cromática num motivo decorativo alegre e popular pintado à mão, só poderá situá-la no segundo.
Também do segundo período, até cerca de 1820, são as decorações sobre o chamado azul safra, com motivos florais a branco ou com delicados raminhos coloridos (o LuisY do Velharias tem um post muito elucidativo sobre este assunto).
Seria o caso destes dois pires que me encandearam os olhos há uns meses em Ovar, só que aqui é a marca que vem baralhar a questão.
Pois é, não há fome que não dê em fartura e neste caso há marca a mais para meu gosto ;). Preferia que continuassemos com o simples V ou com o nome Vianna, mas nesta marca até já aparece a palavra Portugal !
Conclusão: deve tratar-se de cópias do século XX efetuadas por fábrica vianense que ainda não consegui identificar. Inclino-me para a empresa Jerónimo Pereira Campos, Filhos, com origem em Aveiro, que se estabeleceu em Alvarães, nos anos 30, por compra da Cerâmica de Viana Lda, e anexou nos anos 40 a Fábrica de Louça de Viana, Lda., da Meadela.
Bem, devo confessar que o preço que paguei pelos pires está perfeitamente de acordo com fabrico do séc. XX e não do início do séc. XIX, mas ao comprar há sempre aquela esperançazita, não é?
