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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Voltando a Viana...





Muitas vezes me tenho aqui queixado - eu e outros amigos e amigas que se interessam por faiança portuguesa - das dificuldades que sentimos para identificar a nossa faiança não marcada. É por isso uma verdadeira bênção encontrar uma peça marcada, como é o caso desta jarrinha de altar.
A marca é o inconfundível V de Viana - à época Vianna, como também aparece escrito em algumas peças - aqui pintado a vinoso de manganés.



Trata-se da fábrica instalada em Darque no final do século XVIII (1774) e que aí laborou até 1855.
Estudiosos destes assuntos e o próprio Museu Municipal de Viana do Castelo consideram três fases na produção desta antiga manufatura, e eu penso que a minha jarrinha de altar (com 15 cm de altura) se deve integrar  na segunda fase, iniciada por volta de 1795.
A verdade é que a faixa decorativa à volta da boca ainda lembra vagamente a tarja de Rouen, muito típica do primeiro período em decorações a azul, mas a paleta cromática num motivo decorativo alegre e popular pintado à mão, só poderá situá-la no segundo.
Também do segundo período, até cerca de 1820, são as decorações sobre o chamado azul safra, com motivos florais a branco ou com delicados raminhos coloridos (o LuisY do Velharias tem um post muito elucidativo sobre este assunto).



Seria o caso destes dois pires que me encandearam os olhos há uns meses em Ovar, só que aqui é a marca que vem baralhar a questão.
Pois é, não há fome que não dê em fartura e neste caso há marca a mais para meu gosto ;). Preferia que continuassemos com o simples V ou com o nome Vianna, mas nesta marca até já aparece a palavra Portugal !


Conclusão: deve tratar-se de cópias do século XX efetuadas por fábrica vianense que ainda não consegui identificar. Inclino-me para a empresa Jerónimo Pereira Campos, Filhos, com origem em Aveiro, que se estabeleceu em Alvarães, nos anos 30, por compra da Cerâmica de Viana Lda, e anexou nos anos 40 a Fábrica de Louça de Viana, Lda., da Meadela.
Bem, devo confessar que o preço que paguei pelos pires está perfeitamente de acordo com fabrico do séc. XX e não do início do séc. XIX, mas ao comprar há sempre aquela esperançazita, não é?



segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Jarra de altar em faiança azul e branca



Encontrei esta jarra de altar com forma de balaústre num antiquário do Porto. Já aqui tinha mostrado outra com a mesma forma, mas com tamanho e decoração diferentes, embora as riscas verticais do pé se mantenham.
Apesar de partida, faltando-lhe um bocado na aba da abertura, que entretanto já preenchemos grosseiramente, cativou-me a forma e a decoração, naquele azul cobalto a lembrar muita da produção oitocentista do Porto e de Gaia.


Mas o que me fez definitivamente comprá-la foi a inscrição "S. Pedro" que ostenta no bojo. Pensei imediatamente na Igreja de S. Pedro de Miragaia e daí na possibilidade de ser um produto  da Fábrica de Miragaia...
Lembrava-me de ter visto jarras deste género não só nos altares daquela  igreja, mas também no museu anexo e por isso, logo que pude, fiz uma nova visita à igreja de Miragaia, verificando então que as suas belas jarras de faiança azul e branca têm como inscrição as iniciais S.P.M. (S. Pedro Miragaia).


Comecei  a pensar que a jarra devia ter pertencido a uma outra igreja ou capela que venerasse aquele santo e com um pouco de pesquisa, fui parar à outra margem do rio Douro, mais precisamente à freguesia da Afurada em Vila Nova de Gaia, terra de pescadores, que tem como padroeiro S. Pedro.
A atual igreja de S. Pedro da Afurada é muito recente e moderna, mas foi construída para substituir a capela da Afurada, destruída pelas cheias do Douro, tendo ficado no estado que se vê em baixo, na grande cheia de Dezembro de 1909.


Há assim a possibilidade de que esta minha jarra tenha sido salva da destruição que afetou a capela e, quem sabe, seja uma peça  produzida pela local Fábrica da Afurada.
Mas Fervença, Bandeira, Torrinha e, sobretudo, Santo António de Vale da Piedade, também não estavam longe; pelos azuis intensos, com pinceladas muito visíveis, a última destas hipóteses parece-me bastante plausível.

A mesma forma de balaústre nas duas jarras de altar

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Jarras de altar em faiança das Caldas

Hoje resolvi mostrar aqui faiança das Caldas por me lembrar que o amigo Fábio Carvalho do Porcelana Brasil  está por estes dias envolvido num projeto artístico na Fábrica de Faianças Bordalo Pinheiro nas Caldas da Rainha... e quero desejar-lhe o maior sucesso!


Mesmo para quem não se deixa perder de amores pela tradicional e secular faiança das Caldas - muitas vezes injustamente associada exclusivamente à brejeirice de uma certa produção - estas cândidas jarras de altar provocam sempre uma adesão imediata pelo seu caráter de genuína arte popular.


Os dois meninos semi-nus  a servir de asas, segurando uma bola na mão, poderiam representar o Menino Jesus a segurar o globo terrestre se não estivessem em duplicado, porque o Menino Jesus que nós conhecemos não teve nenhum irmão gémeo... :)  Mas a imaginação popular opera milagres!


Na parte de trás de cada jarra a decoração simplifica-se mas mantêm-se as cores principais - verde, creme ou camurça e castanho - e vê-se que os meninos se sentam numa base de musgo, a evidenciar o uso da técnica do musgado introduzida na cerâmica caldense por Manuel Cipriano Gomes, o Mafra.
Estas jarras não estão marcadas, mas as jarras de altar com os dois meninos são muito típicas das Caldas, pelo menos já aparecem na produção de Manuel Mafra incluídas no catálogo da exposição "Manuel Mafra 1829-1905: Mestre na Cerâmica das Caldas", IMC, Caldas da Rainha, 2009.



Os três exemplares deste tipo que aparecem neste catálogo têm a marca da coroa gravada na pasta, acompanhada da inscrição  M. MAFRA-CALDAS-PORTUGAL.


Voltando ao meu par de jarras, foram compradas há uns anos na Feira de Algés, a um vendedor que traz um ajudante e está sempre rodeado de muita gente, incluindo outros vendedores. Não foram nenhuma pechincha, nessa altura a faiança estava mais cara, mas quisemos trazer os quatro meninos para casa, embora um já tivesse perdido os pezinhos (antes os pés que a cabeça!)

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Jarra de altar em faiança



Esta jarra de altar em faiança portuguesa, creio que de início do séc. XIX, foi comprada num antiquário na Figueira da Foz, a preço de saldo por lhe faltar um bocado na aba da abertura. Como não tinha aí qualquer decoração, mandei-a restaurar em Coimbra e fiquei muito satisfeita com o resultado. É certo que paguei pelo restauro o dobro do que dei pela jarra, mas mesmo assim não foi muito e valeu a pena porque adoro a peça.


O modelo desta jarra encontra-se muito em faiança de Miragaia, mas com motivos a azul e branco, de que se podem ver exemplares  na Igreja de S. Pedro de Miragaia, por exemplo. Já vi esta decoração em terrinas e é-lhes atribuído fabrico do Norte. No Museu Municipal de Viana do Castelo numa das vitrinas de loiça de Viana, há um jarro com um  motivo semelhante,  grinalda de flores e de pássaros nos mesmos tons, e se não estou em erro é fabrico de final do séc. XVIII.


Pode ser que alguém neste mundo virtual conheça o motivo e possa dar mais umas dicas sobre esta jarra de faiança, que só ficaria a ganhar se tivesse o par, mas enfim, não se pode pedir demais à vida...

Chávena do Museu de Alberto Sampaio datada dos Séc. XVIII-XIX


Par de jarras de fabrico atribuível a Miragaia ou a Santo António de Vale da Piedade
(MdS Leilões)