Este é o único exemplar que possuo destes azulejos holandeses que acho encantadores. É do tipo cenas bíblicas, facilmente identificáveis por aparecer Jesus Cristo ou outras figuras sagradas com auréola à volta da cabeça. Estas cenas tinham todas nome, Fuga para o Egipto, O jardim das oliveiras, A Anunciação e dezenas de outras, mas para identificar algumas menos óbvias, caso da minha, é necessário conhecer códigos que os meus escassos conhecimentos nesta área não me permitem dominar. Para além da cena central, tem um motivo decorativo em cada canto que permitia dar alguma uniformidade à composição de azulejos num revestimento com cenas muito variadas.
Comprei-o por dois ou três euros, aqui perto de casa, num armazém de venda de móveis usados que vinham do estrangeiro, de onde também traziam outros artigos de recheios de habitações. Estava ali, sozinho, sem moldura, em cima de um móvel, e eu nem sabia se era um verdadeiro azulejo Delft mas quis logo trazê-lo para casa. Só depois de fazer alguma investigação e de ver outros exemplares, soube realmente que era autêntico.
Comprei-o por dois ou três euros, aqui perto de casa, num armazém de venda de móveis usados que vinham do estrangeiro, de onde também traziam outros artigos de recheios de habitações. Estava ali, sozinho, sem moldura, em cima de um móvel, e eu nem sabia se era um verdadeiro azulejo Delft mas quis logo trazê-lo para casa. Só depois de fazer alguma investigação e de ver outros exemplares, soube realmente que era autêntico.
A melhor coleção portuguesa deste tipo de azulejos encontra-se na Figueira da Foz, na Casa do Paço. Trata-se de um edifício mandado construir no final do Séc. XVII pelo bispo de Coimbra D. João de Melo, mas só terminado na primeira década do séc. XVIII.
Apresenta várias salas com silhares de azulejos, destes de figura avulsa chamados de Delft, embora houvesse outros centros de produção de azulejos na Holanda.
No país de origem, eram usados para revestir por completo fogões de sala, mas também, nalgumas regiões, revestiam sala e cozinha do chão ao teto. Aqui, na Figueira, foram aplicados à portuguesa, isto é, a formar silhares que revestem paredes de salas até mais ou menos um terço da sua altura, com uma borda de azulejos diferentes a terminar. A solução aqui encontrada foi muito engenhosa: como havia azulejos de três tipos - cenas campestres, cenas bíblicas e cavaleiros e mouros - e em duas cores sobre o branco - azul e vinoso de manganês - foram alternando os motivos e cores para obter o efeito pretendido.Acredita-se que todos estes azulejos terão chegado à Figueira, não por encomenda, mas graças ao aproveitamento da carga de um navio holandês, naufragado junto à foz do Mondego, à época da construção do Paço.
O local neste momento só é visitável mediante contacto com os serviços de cultura da Câmara Municipal da Figueira da Foz.




