Resolvi concentrar numa parede da cave de minha casa, as faianças que identifico como ratinhas, umas mais típicas e mais antigas do que outras mas todas com o ar rústico que as carateriza.
São bacias ou palanganas, pratos, pratinhos e pequenas tigelas ou covilhetes que têm como denominador comum a sua origem coimbrã e o seu caráter utilitário em casas camponesas, acompanhando os trabalhadores sazonais, os ratinhos, para o Alentejo e Ribatejo.A melhor coleção que já vi deste tipo de loiça faz parte do acervo da Casa Museu de José Régio em Portalegre.
Segundo reza a história, o escritor José Régio, professor liceal em Portalegre durante mais de três décadas, ocupava as horas vagas correndo as aldeias alentejanas, acompanhado de um homem com um burro para transportar a carga. Adquiria todos os exemplares que encontrava não só de Cristos, com que constituiu a sua mais conhecida e apreciada coleção, mas também de faianças do tipo ratinho, as que encontrava mais frequentemente nos lares rústicos do Alentejo.
Este prato foi o primeiro ratinho que comprei, sem saber nada do que se tratava. Tinha vinte e tal anos, vivia em Condeixa e entrei na loja de velharias do Sr Franquelim, que já me encantava na altura. Ele tinha em cima do balcão uma série de pratos e travessas e eu perguntei-lhe quanto custavam. Ficou admirado de eu querer aquilo, disse-me que eram coisas de uma velhota que tinha morrido há pouco e que eu conhecia, pediu-me pouco dinheiro e eu levei as peças para casa.
Eram três travessas ovais de esponjados, este prato e outro igual que passado algum tempo se partiu, e uma tigelinha verde que também está na minha parede e que eu pensava que era usada para guardar o crescente para fazer o pão.
| As minhas tigelinhas ou covilhetes ratinho, sendo a da direita a que tenho há mais tempo e está na parede na primeira foto. |





