terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Porcelana alemã alusiva à época - German porcelain evoking the season

O Natal e o fim de ano já lá vão, mas a época festiva só termina a 6 de Janeiro, o Dia de Reis, especialmente importante para os nossos vizinhos espanhóis e de uma maneira particular para as suas crianças que recebem nesse dia as tão desejadas prendas.


Por isso, vou hoje participar nos eventos do chá de terça-feira  - Tea Cup Tuesday, Tea Time Tuesday e Teapot and Tea Things Tuesday - com duas peças (aliás três) de porcelana alemã, decoradas para evocar o inverno e esta época festiva.
Trata-se de uma chávena e pires Waldershof e de uma jarra Rosenthal, em ambos os casos fabrico alemão de meados do século XX.



Na chávena percebe-se a influência da estética Arte Déco pelo formato da asa. A decoração é leve, uns toques de dourado à mistura com tons outonais, apenas cortados pelo belo tom de azul de uma ou outra estrela.





Na marca lê-se Waldershof Bavaria e Germany, com um N e  uma coroa, a lembrar o N coroado da porcelana de Nápoles que foi imitado por vários fabricantes alemães nos séculos XIX e XX.
A Waldershof foi fundada na Baviera em 1916 e dedicou-se ao fabrico de peças para a mesa durante várias décadas do século passado.


Na jarra pode-se apreciar a elegância, a excelência da porcelana Rosenthal. Tenho várias pequenas peças deste fabrico, mas esta é a minha preferida e foi comprada por tuta e meia há meia dúzia de anos numa loja de artigos usados.
É o modelo Inka, como se vê no carimbo, uma produção dos anos 50 com uma decoração muito leve, um cromatismo muito contido de rosas e cinzentos  que eu acho de muito bom gosto.



Para além da marca a verde e da numeração que se vê impressa a dourado, há também um número inciso na pasta, o 2119.1, mas não sei qual o significado destes números.
Fundada em 1879 por Phillip Rosenthal na região de Selb na Alemanha, o nome Rosenthal é conhecido em todo o mundo ligado ao melhor fabrico de porcelana e de vidro.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Jarra de altar em faiança azul e branca



Encontrei esta jarra de altar com forma de balaústre num antiquário do Porto. Já aqui tinha mostrado outra com a mesma forma, mas com tamanho e decoração diferentes, embora as riscas verticais do pé se mantenham.
Apesar de partida, faltando-lhe um bocado na aba da abertura, que entretanto já preenchemos grosseiramente, cativou-me a forma e a decoração, naquele azul cobalto a lembrar muita da produção oitocentista do Porto e de Gaia.


Mas o que me fez definitivamente comprá-la foi a inscrição "S. Pedro" que ostenta no bojo. Pensei imediatamente na Igreja de S. Pedro de Miragaia e daí na possibilidade de ser um produto  da Fábrica de Miragaia...
Lembrava-me de ter visto jarras deste género não só nos altares daquela  igreja, mas também no museu anexo e por isso, logo que pude, fiz uma nova visita à igreja de Miragaia, verificando então que as suas belas jarras de faiança azul e branca têm como inscrição as iniciais S.P.M. (S. Pedro Miragaia).


Comecei  a pensar que a jarra devia ter pertencido a uma outra igreja ou capela que venerasse aquele santo e com um pouco de pesquisa, fui parar à outra margem do rio Douro, mais precisamente à freguesia da Afurada em Vila Nova de Gaia, terra de pescadores, que tem como padroeiro S. Pedro.
A atual igreja de S. Pedro da Afurada é muito recente e moderna, mas foi construída para substituir a capela da Afurada, destruída pelas cheias do Douro, tendo ficado no estado que se vê em baixo, na grande cheia de Dezembro de 1909.


Há assim a possibilidade de que esta minha jarra tenha sido salva da destruição que afetou a capela e, quem sabe, seja uma peça  produzida pela local Fábrica da Afurada.
Mas Fervença, Bandeira, Torrinha e, sobretudo, Santo António de Vale da Piedade, também não estavam longe; pelos azuis intensos, com pinceladas muito visíveis, a última destas hipóteses parece-me bastante plausível.

A mesma forma de balaústre nas duas jarras de altar

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal! - Merry Christmas! ............................ e um 2012 com muita luz *.*.*.*.*.*.*.*.* ao fundo do túnel (que se deseja pequenino)

Não será um Natal feliz para todos... mas são estes os meus votos para quantos me visitam e particularmente para os que me distinguem com atenções e amizade.



Este presépio foi o meu primeiro presente de Natal este ano, uma oferta muito especial de uma amiga que criou esta beleza com as suas próprias mãos para me presentear com ela. Há pessoas assim, que disponibilizam o seu tempo e o seu gosto e talento para mimosear os outros...


Como na maioria das casas portuguesas nesta época festiva, há vários símbolos do Natal cá em casa, - o presépio, a árvore, as decorações - mas este ano não pude deixar de fazer novamente um presépio com figurinhas e musgo, graças  à presença do nosso pequeno Gabriel.

O presépio do Gabriel

Mais uma vez, Boas Festas para todos e os melhores votos para o ano novo que já está aí a chegar.

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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Mais ouro sobre branco para um chá de Natal - More gold and white for a Xmas tea





Como não posso convidar cada um dos meus amigos e seguidores para um chá nesta época festiva, dedico-lhes este chá virtual com que vou participar nos eventos on line Tea Cup Tuesday,  Tea Time Tuesday e  Teapot and Tea Things Tuesday, com votos de Boas Festas para todos.

Mais uma vez fiz um casamento de peças por afinidades de forma e decoração, já que os pires são iguais mas as chávenas não são.



São peças centenárias que tiveram muito uso, o que se nota bem pelo aspeto gasto do dourado.
Não tendo marca de fabrico, é difícil atribuir origem, mas são certamente ao estilo francês Velho Paris, copiado noutros países da Europa.



A forma facetada das chávenas e os gomos dos pires foram muito usados pela Vista Alegre no século XIX, como já aqui mostrei em vários posts. Não havendo marca de fabrico, aparecem no entanto marcas incisas e esta chávena apresenta também um nº 4 a ouro. Repare-se ainda na asa, com aquele bico pronunciado na parte superior, que é muito típica das peças oitocentistas da fábrica de Ilhavo, pelo que acredito que esta seja um produto da portuguesíssima Vista Alegre.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O Outono, os cogumelos e os meus livros sobre cogumelos

Cantharellus Lutescens no meio das folhas secas
O Outono, para além das temperaturas amenas do início da estação e da beleza das paisagens salpicadas de tons de ouro e de fogo, mesmo nas zonas urbanas, tem para mim um encanto muito especial: é a época por excelência dos cogumelos silvestres.
aqui escrevi sobre este meu gosto, há precisamente um ano e um mês, e referi os cuidados que fui tendo ao longo de anos, antes de me aventurar a consumi-los.


Um desses cuidados foi rodear-me de livros da especialidade, procurando conhecer bem as caraterísticas de cada espécie e só colher os exemplares a que conseguia, pelas suas caraterísticas, atribuir o nome científico.
Mas para além de livros, nos primeiros anos de autodidatismo, fui reunindo recortes de jornais e revistas, fotocópias, imagens, folhetos e guias de apanha, tudo o que me pudesse esclarecer sobre este mundo tão vasto e tão interessante, mas também tão perigoso para incautos.
Assim, já nos tempos de plena confiança, tenho apanhado e consumido o Coprinus Comatus, o Agaricus Campestris, o Macrolepiota Procera, o Lepista Nuda, o Lactarius Deliciosus, o Boletus Edulis, o Cantharellus Lutescens, o Agrocybe Aegirita,  o Tricholoma Terreum, o Hydnum Repandum, o Pleurotus Ostreatus (o último que identifiquei no campo e consumi pela primeira vez)...

O Coprinus Comatus que nunca chega a abrir o chapéu
Claro que para a maioria das pessoas estes nomes não significam nada, mas pretendo dar uma ideia da variedade de espécies que se podem encontrar aqui na Bairrada e nem sequer mencionei o Tricholoma Equestris, o míscaro amarelo dos pinhais de areia, a espécie mais conhecida e apreciada por aqui, mas que eu não faço questão de procurar, pois parece estar sob suspeita em alguns países. Não causando intoxicações agudas, suspeita-se de que pode ter efeitos nocivos no organismo por acumulação de anos de consumo. Mesmo assim, graças à oferta de um amigo que é um habitué na apanha desta espécie, e como cá em casa somos todos apreciadores, temo-nos deliciado com um prato de míscaros todos os anos (uma vez por ano não deve fazer mal)  :)

Agaricus Campestris, o parente mais próximo do Champignon de Paris
Este ano andei um pouco desolada, já que o Setembro e o Outubro, muito secos, não deixaram que os micélios (as ramificações subterrâneas destes macrofungos) dispusessem da humidade suficiente para dar "frutos" à superfície - os tão apreciados cogumelos.
Lepista Nuda, popularmente conhecido por Pé Azul
Finalmente o mês de Novembro mostrou-se mais generoso e eis que começaram a brotar estes botõezinhos que depois desenvolvem um pé e abrem num belo chapéu, maiores ou menores conforme a espécie.
Agora que estamos a chegar ao fim da estação e temos tido dias chuvosos ainda vão aparecendo por aqui várias espécies enquanto as temperaturas não baixarem muito, sobretudo à noite.

Um cogumelo ainda muito jovem
O primeiro livro que comprei sobre cogumelos foi "Cogumelos Silvestres" de Natalina de Azevedo, onde encontrei não só a descrição detalhada das espécies mais comuns em Portugal, mais de 50, quer comestíveis, quer tóxicas, incluindo as mortais, mas também instruções para a cultura de cogumelos em determinados substratos, formas de conservação e ainda muitas receitas regionais.

                           

Como precisava de um livro que me desse a conhecer outras espécies, comprei mais tarde este guia espanhol, "Guia de Hongos", que encontrei na FNAC. Trata de cerca de 400 espécies de  fungos e tem boas fotografias a ilustrá-lo. Graças a ele fiquei a conhecer muito vocabulário espanhol sobre este tema e também os vários tipos de intoxicações e respetivos sintomas.


Curiosamente, estes dois primeiros livros apresentam como ilustração de capa o Amanita Caesarea, um cogumelo comestível, e parece que um ótimo comestível, pertencente à temível família dos Amanitas onde estão incluídos os mais tóxicos e mortais como o Amanita Phalloides ou o Amanita Virosa. Nunca o encontrei, parece que é colhido no Alentejo e também em Trás-os-Montes com o nome de abesó, mas se o visse também não o consumiria, porque para alguém pouco habituado à sua apanha, poderia trazer à mistura o bonito, mas tóxico e alucinogéneo, Amanita Muscaria (o cogumelo mágico vermelho com pintas brancas das histórias dos anõezinhos), já que este perde os farrapos  brancos, restos do véu, se apanha muita chuva.


 Este, "The Ultimate Mushroom Book", foi o terceiro livro que tive e é o meu preferido. Na capa vêem-se dentro de um cesto de verga, o recipiente ideal para apanhar cogumelos, várias espécies, todas elas referidas na minha listagem em cima. 
Foi-me oferecido pela minha filha como prenda de aniversário há já uns anos. É um livro grande, tipo álbum, com fotografias belíssimas e descreve várias espécies não só do grupo das comestíveis, mas também das venenosas. São dele as fotografias de cogumelos que aqui apresento porque a verdade é que quando vou colhê-los, esqueço-me sempre de levar a máquina e além disso a qualidade das fotografias não seria a mesma. Claro que, sendo uma edição inglesa, se centra sobretudo nas espécies mais populares no Reino Unido, mas a maioria é-nos comum.  
Na segunda parte inclui muitas receitas, cujas ilustrações só por si  fazem crescer água na boca.


Este último foi-me oferecido pelo autor, o Dr Xavier Martins, médico hospitalar no Porto mas natural do concelho de Mogadouro e grande entusiasta dos cogumelos. Esteve durante vários anos à frente da  Associação Micológica "A Pantorra", da qual já fui associada, com sede em Mogadouro, bem assessorado pela sua mulher, a bióloga galega Marisa de Castro, especializada em Micologia.
Neste livro, antes da descrição em pormenor das 40 espécies mais comuns em Trás-os-Montes, há vários capítulos muito úteis, não só sobre a conservação e o consumo, incluindo receitas tradicionais transmontanas, mas também sobre o uso medicinal dos cogumelos e o tipo de intoxicações, efeitos nocivos e tratamento. Um capítulo muito interessante é o de etnomicologia transmontana em que aparecem provérbios e romances com os nomes populares de várias espécies.

Um Amanita Muscaria, colhido este ano perto de casa, mas só para vista...
Amanita Phalloides, o maior responsável pelas intoxicações mortais resultantes de falência hepática

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ouro sobre branco para a época natalícia - Gold and white for Xmas time



Por vezes gosto de reunir peças que, não tendo nascido juntas, apresentam afinidades decorativas e formam conjuntos harmoniosos.
É o caso destas com que vou participar esta semana nos eventos associados ao chá -Tea Cup Tuesday, Tea Time Tuesday e Teapot and Tea Things Tuesday.

Associo muito este branco de neve decorado a ouro ao frio do inverno e à época natalícia, por isso para mim esta é a altura certa para partilhar aqui estas peças.




A chávena e o pires são da Fábrica de Porcelana da Vista Alegre, ambos com  marca azul, a pincel, que os situa na produção de 1852-1869, de acordo com o meu livrinho de Ilda Arez: Vista Alegre porcelanas portuguesas.


Acima vê-se um pormenor da pega, bifurcada na parte superior, um formato que se encontra muito na porcelana francesa do séc. XIX.
O bule e a taça de chá, que posso usar como açucareiro, não apresentam qualquer marca, mas acredito que sejam de produção francesa - que muito influenciou a Vista Alegre - do tipo Velho Paris ou Vieux Paris.


O bule é duma porcelana muito pesada e tem uma forma bastante elaborada, na minha opinião muito à francesa, com pormenores de requinte na decoração e na própria modelação da peça,  como se vê em baixo.






Finalmente a leiteira, que também penso ser em porcelana francesa, está marcada, mas apenas com duas iniciais talvez do pintor ou pintora  e que poderão ser IJ, JI ou JJ.



É a peça que se encontra em melhor estado, com o dourado impecável, parecendo nunca ter sido usada, mas foi comprada muito barata numa loja de artigos usados.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Pequeno jarro da Fábrica Aleluia



Nem só de peças antigas se alimenta o meu gosto por cerâmicas. Também me deixo cativar por exemplares relativamente recentes, peças vintage, quer pela sua forma e decoração, quer pelas marcas de fabrico ou ainda porque são dignos representantes de um estilo e de uma época.


É o caso deste pequeno jarro de faiança da Fábrica Aleluia em Aveiro, a qual já aqui referi a propósito de uns painéis de azulejos que fotografei em Coimbra e ainda outros na Figueira da Foz.


Tendo-se mantido na família Aleluia até aos anos 70 do século passado, esta unidade fabril dedicou muita da sua produção a acompanhar as tendências estilísticas das  décadas que atravessou.
Penso que este exemplar se deverá integrar na produção dos anos 50.


Acho o  formato  delicioso, com aquelas formas redondas  à volta do óculo - decorativo e funcional, pois  permite formar a  pega -  e também os contrastes cromáticos, não só no exterior entre o branco e a mescla amarelo-negro, mas também entre essa mescla e a cor lisa, em amarelo, do interior da peça.


Tenho seguido o blogue "Moderna uma outra nem tanto", cuja principal temática é a cerâmica Arte Déco e Modernista, portuguesa e estrangeira, e ali tenho encontrado muita informação interessante a propósito das belas peças da sua coleção, entre elas uma linda jarra Aleluia ostentando o mesmo carimbo que este meu jarro e muito provavelmente da mesma época de fabrico.