Esta casa de estilo Arte Nova situa-se mesmo no centro da pequena cidade da Mealhada e é por isso um edifício bem conhecido dos bairradinos.
Nela funciona há várias décadas a Farmácia Brandão, nome do primitivo proprietário, Augusto Brandão, que encomendou esta obra para ampliar e remodelar a antiga casa comercial da família. Segundo reza a história local, esta construção foi feita com dinheiro ganho no Brasil e o novo estabelecimento, que abriu como loja de "fazendas, mercearia, tabacos, transações bancárias, passagens para a África e Brasil", segundo publicidade na imprensa local, foi inaugurado em 1912.
Na fachada, não só os painéis de azulejos decorados com ramos de lírios em linhas coleantes, mas também outros elementos florais talhados na pedra, atestam bem o gosto da época.
No telhado, por cima da varanda, uma estrutura em ferro que, de acordo com testemunho oral, suportava uma bandeira de uso obrigatório nos estabelecimentos com venda de tabaco.
No telhado, por cima da varanda, uma estrutura em ferro que, de acordo com testemunho oral, suportava uma bandeira de uso obrigatório nos estabelecimentos com venda de tabaco.
Também aqui se podem ver soluções arquitetónicas muito usadas nos edifícios Arte Nova: o revestimento do andar superior a telhas de lousa, imitando escamas de peixe e a inevitável presença de ferro forjado com linhas curvas e flores na pequena varanda do primeiro andar. Sempre as linhas orgânicas a dominar nos pormenores decorativos...
Aqui temos uma das portas laterais ladeada de montras, belíssimamente emoldurada por cantarias e encimada pelos magníficos azulejos. Um dos motivos talhados na pedra é o cacho de uvas, um dos ex-libris da Bairrada.
A fachada deste edifício sempre me atraiu pela sua beleza. O estilo Arte Nova é dos que conseguem reunir mais admiradores porque desenvolveu composições muito harmoniosas e atraentes mesmo aos olhos de leigos nesta matéria.
Entretanto, há uns tempos reparei num pormenor dos painéis de azulejos que passou a concentrar as minhas atenções por um novo motivo.
É que há inscrições que os atribuem à Fábrica da Fonte Nova (Aveiro), com as datas de 1911 e 1912.
Ora, segundo o ceramista José Queirós, o encerramento desta fábrica ocorreu em 1908 e segundo Artur de Sandão ainda antes, em 1904. Penso que esta última data será um engano motivado pela fundação em 1904 da Fábrica Aleluia, por João Aleluia e outros operários cerâmicos saídos da Fonte Nova, que estaria já nessa altura a atravessar dificuldades.
Mas será que este dado presente nos azulejos é fiável em relação à Fonte Nova? Se assim for, a data de encerramento da fábrica é posterior à indicada por José Queirós na bíblia para os amantes da cerâmica que é a sua obra "Cerâmica Portuguesa" datada de 1907 (posteriormente atualizada, pois só assim se compreende que contenha a data de encerramento de uma fábrica em 1908).
Bem, seja qual for a verdade dos factos quanto à Fábrica da Fonte Nova, uma coisa me parece certa em relação a este edifício mealhadense: assim remodelado, está a comemorar a bonita idade de cem anos... e em magnífico estado de conservação!
Entretanto, o seguidor deste blogue J.Saraiva veio amavelmente em meu auxílio e permitiu, com um link que deixou no seu comentário, que eu ficasse esclarecida quanto ao encerramento da Fonte Nova.
José Queirós não deixa de ter razão, já que a Empresa Cerâmica da Fonte Nova abriu falência em 1908, a sociedade que a explorava desfez-se e a fábrica de louça esteve à beira de fechar definitivamente. Só que dois antigos pintores da empresa, resolveram chamar a si a sua exploração, abriram assim um novo ciclo de laboração muito dedicado à produção de azulejos, e ela só veio a ser semi-fechada em 1930, com a morte do último desses proprietários. Esteve durante alguns anos quase sem atividade e depois, sendo de madeira, ardeu completamente num incêndio em 1937.
Na sequência do comentário de AM-JMV, resolvi acrescentar aqui fotografias do interior da farmácia, onde se pode ver que estão bem preservados os materiais de acabamento e elementos decorativos originais.
| Postal da 2ª década do séc. XX, onde se vê a casa, à direita, com o estabelecimento comercial de Augusto Brandão |
José Queirós não deixa de ter razão, já que a Empresa Cerâmica da Fonte Nova abriu falência em 1908, a sociedade que a explorava desfez-se e a fábrica de louça esteve à beira de fechar definitivamente. Só que dois antigos pintores da empresa, resolveram chamar a si a sua exploração, abriram assim um novo ciclo de laboração muito dedicado à produção de azulejos, e ela só veio a ser semi-fechada em 1930, com a morte do último desses proprietários. Esteve durante alguns anos quase sem atividade e depois, sendo de madeira, ardeu completamente num incêndio em 1937.
Na sequência do comentário de AM-JMV, resolvi acrescentar aqui fotografias do interior da farmácia, onde se pode ver que estão bem preservados os materiais de acabamento e elementos decorativos originais.
Pode-se apreciar no interior, um delicado friso com motivo floral em tons pastel, já não de azulejos, mas, segundo creio, de vidro pintado.
Muito a propósito o slogan publicitário da ROC: a beleza não tem idade... o que se aplica não só às pessoas, mas também aos edifícios!!!
O arquiteto deste e doutros edifícios Arte Nova do distrito de Aveiro, incluindo os das Termas da Curia edificados entre 1909 e 1914, foi Jaime Inácio dos Santos (1874-1942).





