O nome Worcester já aqui foi referido noutros posts sobre porcelana inglesa, especialmente no primeiro, mas até agora não lhe tinha dedicado uma abordagem em exclusivo.
É que embora tenha um ou outro prato com esta marca inglesa tão prestigiada, não tinha quaisquer chávenas marcadas que me permitissem introduzir este nome nos habituais eventos dedicados ao chá em que participo à terça-feira: Tea Cup Tuesday, Tea Time Tuesday e Tuesday Cuppa Tea.
Comprei as duas chávenas na Feira de Velharias de Aveiro, há cerca de dois ou três meses, e esta foi daquelas compras que me encheram de satisfação. Não sendo chávenas de chá - são o que os ingleses chamam coffee cans - são suficientemente grandes e bonitas para serem vedetas deste chá em época pascal.
A marca da porcelana Worcester, originalmente Worcester Porcelain Works, conhecida por Royal Worcester a partir de 1862, é facilmente identificável.
Todos os seus elementos fornecem informação, desde a coroa a representar o título de Royal até à letra S identificativa do ano de fabrico, 1881, passando pelo círculo em que se inserem Ws de Worcester, o 51 de 1751 - a data da fundação - e ainda um crescente que parece a letra C e que foi a primeira marca usada pela fábrica.
Tudo na marca é descodificável e bate certo, só que para baralhar um pouco aparece também um número de padrão em forma de fração sob a letra B que não tenho visto referido relativamente a Worcester.
Esta é a única das fábricas de porcelana inglesas fundadas a meados do século XVIII que se manteve em laboração contínua até hoje, tendo atingido a excelência em pintura sobre porcelana.
Segundo a obra "Antique Porcelain" de John Sandon, a minha bíblia sobre porcelana inglesa, os seus fundadores foram John Wall, médico, e William Davis, farmacêutico, e foi no estabelecimento do segundo que desenvolveram experiências químicas no campo da porcelana que lhes deram credibilidade e atraíram investidores. Estabeleceram como alvo um mercado diferente das manufaturas suas concorrentes - Bow e Chelsea, sediadas em Londres, e ainda Derby - e produziram peças com formas copiadas das baixelas de prata e decoração sobretudo com motivos chineses (chinoiserie).
Penso ser dessa fase esta pequena taça de chá que comprei há dois anos em Londres, em Camden Lock Market, só pelo ar primitivo da porcelana e a graça que lhe achei. Mais tarde, durante as minhas pesquisas na internet, encontrei uma chávena de café, com decoração semelhante a verde e dourado, assim moldada em estrias verticais e também sem marca, atribuída a Worcester desse primeiro período, por volta de 1775, com a nota de que talvez tivesse sido decorada fora da fábrica, prática comum à época.
Já não encontrei hoje na internet a fotografia dessa chávena de café, apenas lá permanecia a descrição, mas este moldado em estrias ou gomos muito finos é vulgar encontrar-se na porcelana Worcester do final do século XVIII. A chávena estava à venda, sem pires, por perto de 300£ e a minha taça custou-me apenas 5£...
| Foto de família com jasmim |
São estas pequenas descobertas - ou a ilusão da descoberta - que entusiasmam os amantes de velharias a calcorrear feiras e mercados de antiguidades, onde quer que se encontrem ...
BOA PÁSCOA!
HAPPY EASTER!

