
Este mundo dos blogues tem o condão de aproximar pessoas que, não se conhecendo pessoalmente a maioria das vezes, comungam dos mesmos interesses e paixões.
Isso aconteceu aqui de novo, muito recentemente, ao ser visitada por um colecionador de faianças que conta na sua coleção com alguns exemplares dos magníficos telhões que temos admirado em beirais nortenhos.
Os dois primeiros exemplares, que até agora não vi aplicados em beirais, encantam não só pelo motivo floral azul e branco, caraterística da maioria, mas também pela terminação de folhas em relevo, na extremidade que se vira para o exterior do beiral. Penso que em muitos casos este remate não fica visível devido à instalação de caleiras.
Este exemplar decorado com pássaros já nos é familiar por ser igual aos do último beiral que eu publiquei, de uma casa na aldeia de Grada, aqui na Bairrada.
Por sua vez os exemplares que se seguem, com decoração floral, apresentam o formato que seria utilizado nos cantos do beiral, como se vê em cima.

O próximo telhão, invulgar não só pela paleta de cores, mas por ser todo decorado em relevo, também nos é familiar.
É igual aos que integram um beiral da Rua das Flores no Porto, que já aqui mostrei, infelizmente mal fotografado. Interessante o efeito decorativo das telhas juntas, completando um padrão como se de azulejos se tratasse.
Mais um exemplar com extremidade em relevo num motivo floral que eu já tinha visto na Ribeira, mesmo à beira do Douro, sem ter na altura máquina para o fotografar.
Felizmente este colecionador teve a amabilidade de me enviar a fotografia desse beiral
e de mais este que também se situa na Ribeira e cujos telhões são iguais aos que fotografei no Largo de S. Domingos, na Rua de Cedofeita (e mais recentemente na Rua do Almada, mas não publiquei). Como se vê, estes estão em muito melhor estado de conservação... e além disso muito melhor fotografados...
Finalmente um telhão já incompleto mas com uma beleza cativante no seu motivo de peixes e malmequeres, como o dos pássaros, e também como a maioria dos restantes em dois belos tons de azul sobre branco.
Quando se tenta atribuir origem de fabrico a estes belíssimos materiais cerâmicos, infelizmente não marcados, vem à baila o nome de Santo António de Vale da Piedade, mas também o da Fábrica das Devezas, ambas em Gaia. Tal facto foi-me de novo referido por este nosso amigo e colecionador que se dá a conhecer como Franm57 e a quem me resta agradecer esta generosa partilha de tão rica e invejável coleção.
Só mais uma curiosidade: no final do século XIX (1886), a Fábrica das Devezas instalou uma filial na vila da Pampilhosa, importante entroncamento ferroviário no concelho da Mealhada, com o cruzamento ali da Linha do Norte com a Linha da Beira Alta. Essa unidade dedicou-se ao fabrico de materiais cerâmicos para construção, sobretudo vários tipos de telhas e cumes. Tem-me ocorrido que o facto de se encontrarem nesta zona e em Coimbra quatro casas com telhas ou telhões pintados de faiança se possa dever à proximidade dessa unidade fabril que as terá fabricado, pelo menos na sede em Gaia.
Sou ainda levada a pensar, por comparação com peças cerâmicas para arquitetura que o LuísY postou e que estão marcadas Fábrica de Sto António Porto, que os telhões com terminação de folhas em relevo a azul deverão ser fabrico de Sto António de Vale da Piedade.
O que apresenta relevo a branco, o sétimo da série, será Devezas, segundo informação do colecionador, que me chegou entretanto.
Para rematar o post com chave de ouro, ele enviou-me há pouco um telhão marcado Fábrica de Sto António Porto, algo que penso seja muito raro.
Mais uma vez obrigada.
Embora a decoração seja muito semelhante à do telhão das Devezas, nota-se no de Sto António um processo de fabrico mais artesanal. Não nos podemos esquecer que a Fábrica das Devezas, fundada em Gaia em 1865 por António Almeida da Costa, é considerada a primeira unidade verdadeiramente industrial no ramo da cerâmica, na área do Porto.



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