terça-feira, 22 de maio de 2012

Telhões de faiança





Este mundo dos blogues tem o condão de aproximar pessoas que, não se conhecendo pessoalmente a maioria das vezes, comungam dos mesmos interesses e paixões.
Isso aconteceu aqui de novo, muito recentemente, ao ser visitada por um colecionador de faianças que conta na sua coleção com alguns exemplares dos magníficos telhões que temos admirado em beirais nortenhos.
Os dois primeiros exemplares, que até agora não vi aplicados em beirais, encantam não só pelo motivo floral azul e branco, caraterística da maioria, mas também pela terminação de folhas em relevo, na extremidade que se vira para o exterior do beiral. Penso que em muitos casos este remate não fica visível devido à instalação de caleiras.


Este exemplar decorado com pássaros já nos é familiar por ser igual aos do último beiral que eu publiquei, de uma casa na aldeia de Grada, aqui na Bairrada.


Por sua vez os exemplares que se seguem, com decoração floral, apresentam o formato que seria utilizado nos cantos do beiral, como se vê em cima.



O próximo telhão, invulgar não só pela paleta de cores, mas por ser todo decorado em relevo, também nos é familiar. 



É igual aos que integram um beiral da Rua das Flores no Porto, que já aqui mostrei, infelizmente mal fotografado. Interessante o efeito decorativo das telhas juntas, completando um padrão como se de azulejos se tratasse.


Mais um exemplar com extremidade em relevo num motivo floral que eu já tinha visto na Ribeira, mesmo à beira do Douro, sem ter na altura máquina para o fotografar.


Felizmente este colecionador teve a amabilidade de me enviar a fotografia desse beiral 


e de mais este que também se situa na Ribeira e cujos telhões são iguais aos que fotografei no Largo de S. Domingos, na Rua de Cedofeita (e mais recentemente na Rua do Almada, mas não publiquei). Como se vê, estes estão em muito melhor estado de conservação... e além disso muito melhor fotografados...


Finalmente um telhão já incompleto mas com uma beleza cativante no seu  motivo de peixes e malmequeres, como o dos pássaros, e também como a maioria dos restantes em dois belos tons de azul sobre branco.


Quando se tenta atribuir origem de fabrico a estes belíssimos materiais cerâmicos, infelizmente não marcados, vem à baila o nome de Santo António de Vale da Piedade, mas também o da Fábrica das Devezas, ambas em Gaia. Tal facto foi-me de novo referido por este nosso amigo e colecionador que se dá a conhecer como Franm57 e a quem me resta agradecer esta generosa partilha de tão rica e invejável coleção.
Só mais uma curiosidade: no final do século XIX (1886), a Fábrica das Devezas instalou uma filial na vila da Pampilhosa, importante entroncamento ferroviário no concelho da Mealhada, com o cruzamento ali da Linha do Norte com a Linha da Beira Alta. Essa unidade dedicou-se ao fabrico de materiais cerâmicos para construção, sobretudo vários tipos de telhas e cumes. Tem-me ocorrido que o facto de se encontrarem nesta zona e em Coimbra quatro casas com telhas ou telhões pintados de faiança se possa dever à proximidade dessa unidade fabril que as terá fabricado, pelo menos na sede em Gaia.
Sou ainda levada a pensar, por comparação com peças cerâmicas para arquitetura que o LuísY postou e que estão marcadas Fábrica de Sto António Porto, que os telhões com terminação de folhas em relevo a azul deverão ser  fabrico de Sto António de Vale da Piedade. 
O que apresenta relevo a branco, o sétimo da série, será Devezas, segundo informação do colecionador, que me chegou entretanto.


Para rematar o post com chave de ouro, ele enviou-me há pouco um telhão marcado Fábrica de Sto António Porto, algo que penso seja muito raro.
Mais uma vez obrigada. 
Embora a decoração seja muito semelhante à do telhão das Devezas, nota-se no de Sto António um processo de fabrico mais artesanal. Não nos podemos esquecer que a Fábrica das Devezas, fundada em Gaia em 1865 por António Almeida da Costa, é considerada a primeira unidade verdadeiramente industrial no ramo da cerâmica, na área do Porto.



quinta-feira, 17 de maio de 2012

O formato Espiga, de Sacavém, em Dia da Espiga

Hoje, Quinta-feira da Ascensão, celebra-se em muitas localidades do país o Dia da Espiga.


Quadro a óleo do pintor anadiense Fausto Sampaio (1893-1956) representando um grupo de populares a regressar da Romaria da Ascensão ao Buçaco
Aqui na Bairrada,  a par de muitos outros concelhos desde Melgaço a Monchique, este Dia da Ascensão foi instituído como Feriado Municipal por três municípios - Anadia, Mealhada e Oliveira do Bairro - e ainda por outro limítrofe - Mortágua. Assim as respetivas populações podem participar na grande Romaria da Ascensão ao Buçaco, ou noutras mais pequenas como a do Vale da Bica, junto a Anadia, conhecida como o "Buçaquinho".
A romaria ao Buçaco começou depois da extinção das ordens religiosas (1834) e da abertura às populações da cerca do Buçaco, antes eremitério dos Carmelitas Descalços. As atenções passaram a focar-se nas celebrações religiosas e profanas de dia de festa, nos grandes farnéis transportados a pé, e talvez, com o tempo, se começasse a esquecer a apanha do ramo da espiga com o seu simbolismo pagão.

Não sendo natural da Bairrada, lembro-me de em miúda ir com a minha mãe ao campo apanhar o ramo da espiga - papoilas, malmequeres, espigas, ramo de oliveira, alecrim,... - e repeti mais tarde o ritual com os meus filhos, embora por aqui já não seja um costume muito seguido.
Este dia é nitidamente mais uma apropriação que o Cristianismo fez de rituais pagãos muito enraizados nos hábitos populares e diga-se que é uma tradição digna de ser preservada, pelo que representa de celebração da natureza e da atividade saudável ao ar livre.
O facto de o ramo ser guardado até ao ano seguinte, ficando de prevenção atrás da porta para, se necessário, se pôr um pouco dele a arder e assim apaziguar as forças da natureza, neste caso o deus dos raios e trovões, denota bem a origem pagã do ritual.
A propósito do Dia da Espiga, lembrei-me de mostrar um formato de pratos que Sacavém produziu durante décadas, tendo espigas moldadas na aba.




Não sei se o primeiro prato deste conjunto de três, o motivo número 1203, terá sido o primeiro do formato Espiga com motivo central, mas a verdade é que neste coincide o relevo da aba com o desenho do centro, que também apresenta espigas. Será que a flor presente pretende representar uma papoila, vindo a inspiração do ramo da espiga?
O que eu sei é que estes pratos andaram ao uso em minha casa nos anos 50 e lembro-me de comer a sopa toda, incentivada pela promessa de ver uma "coisa linda" no fundo do prato... :)




As marcas que todos apresentam, segundo informação que li no MAFLS - Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém - a avaliar pelo formato da fivela no cinto, foram usadas num período que vai de cerca de 1930 até cerca de 1970.



Finalmente este exemplar marcado com o número 1202, deve ter feito a transição entre os modelos totalmente brancos e os que apresentam motivo central. Aqui as espigas da aba tornam-se mais visíveis, graças ao amarelo com uns toques acastanhados a destacar-se da cor verde.
Mais uma curiosidade: o diâmetro do prato branco de sopa (22cm) é  inferior ao dos outros pratos (23,5cm), também de sopa.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Um formato simples em chávenas VA- A simple shape in VA cups


Hoje resolvi selecionar para o chá de terça-feira - com Tea Cup Tuesday e Tea Time Tuesday - um conjunto de chávenas da Vista Alegre, não por afinidades decorativas ou por época de fabrico, mas simplesmente pelo seu formato.
É o formato mais simples e tradicional em chávenas de chá, herdeiro direto das primitivas tacinhas para o chá em porcelana chinesa ou japonesa, a que se acrescentou uma asa, igualmente sem artifícios.
A Vista Alegre fabricou-as desde meados do século XIX e só este conjunto apresenta marcas ou carimbos usados pela fábrica desde 1881 até 1968.





Este par data da mesma época, 1881-1921, já que as peças estão marcadas com um dos carimbos "cegonha", usados nesse período, segundo o livrinho da Ilda Arez Vista Alegre porcelanas portuguesas. 
A chávena e pires da esquerda já aqui tinha aparecido a propósito de decorações V.A. com florzinhas. Quanto à da direita, apresenta um motivo oriental que a Vista Alegre usou ao longo de décadas, pelo menos até 1980.


 
Este par é mais recente mas não do mesmo período de fabrico. O exemplar da direita, com uma mimosa decoração a grinaldas de rosas entrelaçadas, tem carimbo de 1922-1947; o da esquerda,  um modelo clássico da Vista Alegre, o "Cozinha velha", muito popular até hoje embora já não apareça neste formato, tem marca de 1947-1968.

Agora é só pôr a mesa e fazer o chá...

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Um prato atribuído a Fervença e outro... talvez.... quem sabe...


aqui publiquei vários pratos com motivo central de coroa e brasão real e agora tenho mais um para partilhar que me foi enviado pela IF.
Nunca tinha visto nenhum com esta repetição do brasão real e desconheço o seu significado. Já estive mentalmente a reconstituir a história portuguesa do século XIX - mais particularmente de 1824 a 1859 (?), período de laboração da Fábrica de Fervença à qual o prato foi atribuído - para tentar descobrir a que par de figuras reais ou facto histórico se poderia referir a repetição do brasão e pensei em várias hipóteses mais ou menos credíveis.
A primeira diz respeito ao período em que a Casa de Bragança e particularmente D. Pedro IV, reunia as duas coroas, a de Portugal e a do Brasil e assim se homenageava esse facto histórico recente; uma outra hipótese é que, durante as lutas liberais, por instinto de sobrevivência, muitos populares se diziam adeptos tanto de D. Miguel, como de D. Pedro, usando o argumento de que ambos eram Braganças e filhos de rei, daí o prato com decoração ambivalente; depois pensei no início do reinado da ainda menina D. Maria II durante a regência do seu tio e prometido marido D. Miguel. Será que significava que havia dois descendentes reais a partilhar o trono de Portugal?
O mais provável é que nada disto tenha consistência e que o prato só apresente as duas coroas por opção decorativa, para ter uma versão um pouco diferente dos demais.


Um outro pormenor interessante são os desenhos em quadriculado que me sugerem a malha das redes de pesca, a alusão ao mar ou ao rio, realidades muito próximas dos trabalhadores gaienses das fábricas de faiança.
Enfim, tudo isto é especulação pura e dura, motivada por um prato curioso de que pouco se sabe.
Dados objetivos são apenas as dimensões que a IF teve a gentileza de me enviar - 28,5cm de diâmetro, 4,6 de altura e 18cm de frete - e o que se pode observar, isto é, os motivos decorativos e a paleta cromática. Esta, a juntar ao tipo de cercadura, parece-me encaixar bem nas caraterísticas de Fervença, valha-nos essa "certeza"...


Mas mais à nora estou para falar de mais um quebra-cabeças que trouxe para casa.
O meu marido viu o prato à venda na feira de Aveiro, sem atribuição de origem, chamou-me, pareceu-nos "déjà vu" e como não era caro - tem uma estaladela à volta, com gatos, que o desvaloriza mas que não incomoda muito - lá veio connosco à espera de eu descobrir rapidamente do que se tratava.
Puro engano! Há sempre alguma coisa que não encaixa nas hipóteses levantadas, uma delas Fervença.


A favor de Fervença tem o tipo de botões florais da cercadura que aos meus olhos carateriza muito essa produção, mas as cores, embora com a presença de amarelos verdes e laranjas e uns toques de azul e vinoso, são muito mais discretas.
Quanto às dimensões, tem 34,5cm de diâmetro, 4,5cm de altura e 20cm de frete e parece-me todo pintado à mão livre, tal como o anterior.
Também se pôs a hipótese de este prato ser Viana. Será? Pelas tonalidades, talvez até seja uma  origem mais plausível do que Fervença, mas, sem marca, não passa de uma hipótese.
Pelo tamanho do motivo floral e pela forma das folhas, pintadas a duas cores, mas sobretudo pelo formato da flor maior, uma outra possibilidade é que seja produto da Fábrica do Rossio de Santa Clara, fundada por Domingos Vandelli em Coimbra, mas com continuidade depois dele.
Aqui ficam os dois pratos para apreciação dos amantes de faiança portuguesa que me visitam.
E agora resta-me agradecer  à IF mais esta generosa partilha.



terça-feira, 8 de maio de 2012

Formas de Massarelos para pudim


Ao ver aqui as fotografias das minhas três formas da Fábrica de Massarelos, no Porto, achei que lhe faltava uma corzinha, estão demasiado sóbrias só a bége e castanho, mas à falta de disposição para me ir meter na cozinha, imaginei-as cheias de uma gelatina de morango ou de um pudim de ovos bem amarelinho... ;-)



Estas formas para pudim, ou marmelada, ou gelatina, ou o que se quiser lá pôr, até arroz cozido para depois desenformar, foram muito fabricadas em Inglaterra, pelo menos desde meados do século XIX. Sendo duas delas do período Chambers & Wall (1912-1936), antecedidos em Massarelos por William MacLaren (1900 -1912), é de crer que tenham vindo de terras anglas os moldes aqui utilizados.
Vê-se bem que essas duas mais pequenas e mais antigas andaram na labuta das cozinhas, guardam muitas cicatrizes do seu tempo de atividade intensa, mas não deixam de ser para mim objetos muito graciosos.








A marca da esquerda, correspondente à forma oval pequena, deve ser anterior à da direita, a da forma redonda, já que nesta vê-se a inscrição Portugal, o que aponta sempre para épocas mais tardias.


A forma oval maior (15,5 x 13 x 8,5cm) já é do período LUFAPO da Fábrica Lusitânia, que adquiriu a de Massarelos em 1936, portanto será já dos anos 40 do século XX ou posterior.
Como para quase tudo, também há colecionadores para este tipo de objetos de cozinha, os ingleses chamam-lhe "kitchenalia" e há coisas giríssimas do tempo das nossas avós que já nem sabemos para o que serviam, mas as formas para doçaria, em lata, cobre, loiça ou vidro, hoje em materiais mais sofisticados, são facilmente reconhecíveis e fazem-nos logo crescer água na boca...


Afinal sempre fui para a cozinha, mas optei pela solução mais fácil, uma gelatina de morango ;-)
E ficou bem bonita na forma maior!


                                         

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A Moderna Industrial Decorativa de Coimbra

Aquário da Moderna Industrial Decorativa à venda na internet

Há tempos, uma seguidora deste blogue, a Ana Caetano, contactou-me para me perguntar se eu tinha conhecimento de uma fábrica de modelagem de figuras ou estatuetas, congénere da Estatuária Artística de Coimbra e sua contemporânea, que teve sede numa rua ao lado da Escola Feminina de Santa Cruz em frente à Manutenção Militar em Coimbra. Acrescentou que tinha sido fundada pelo avô, Francisco Caetano Ferreira, com sócios, nos anos 40, e que ela andava a tentar recuperar o máximo de informação sobre o espólio artístico da família, uma vez que já o seu bisavô, Alberto Caetano Ferreira, era canteiro e escultor, também em Coimbra.

Escola Primária Feminina de Santa Cruz no início da Rua da Manutenção Militar
O prédio novo à esquerda ocupa o lugar da antiga M.I.D.

Respondi-lhe que a única referência que tinha visto a essa fábrica tinha sido no MAFLS e dei-lhe o link.
Efetivamente nesse post, não só podemos apreciar uma figura de cegonha produzida por esta fábrica ou oficina, mas também se fica a saber que a sociedade Moderna Industrial Decorativa Limitada foi constituída em 1941, com  sede na Rua da Manutenção Militar nº 3, sendo Francisco Caetano Ferreira um dos cinco sócios, certamente o responsável pela modelação artística, dados os seus antecedentes familiares.
Entretanto a Ana Caetano fez-me chegar fotografias e mais informação de que dispunha sobre os seus familiares e que eu achei muito interessante publicar, já que por vezes é muito difícil reconstituir o percurso de famílias ligadas a empresas portuguesas nesta área - e certamente também noutras -  e estou-me a lembrar da família Frutuoso ligada à Estatuária Artística de Coimbra, à fábrica das Lages e  mais recentemente à ESTACO, mas com um percurso muito difícil de acompanhar.





Esta seguidora começou por me enviar fotos de três estatuetas em porcelana que pertenceram ao avô, certamente para nelas se inspirar com vista às suas criações em terracota. Ao contrário da convicção da família de que seriam inglesas, são todas de fabrico alemão. Têm  entre 14cm e 17cm de altura e a marca que apresentam, um O e um M coroados, é da empresa Metzler & Ortloff, de Ilmenau, Turíngia, marca usada nos anos 40, o que coincide com a época de laboração da Moderna Industrial Decorativa.
Assim ficamos com alguma ideia do tipo de influências que se faziam sentir na indústria cerâmica portuguesa da época.

Trabalhadores da M.I.D. no início dos anos 40, estando Francisco Caetano  na fila de cima, ao centro, de bata branca

A fotografia de grupo em cima parece-me um documento de grande interesse, vendo-se muitos garotos de 10-12 anos, aprendizes do ofício, certamente acabados de sair da escola primária, como era costume na altura. Alguns entre os mais novos, descalços, a mostrar à evidência as agruras por que passavam muitas famílias portuguesas, não deixavam de ir de fatinho para o trabalho, como homens em ponto pequeno, e alguns de gravata. Muitos ainda estarão vivos, agora na casa dos 80 anos.
Voltando à família Caetano e começando por falar de Alberto Caetano Ferreira (1888-1944), bisavô da nossa seguidora, ele foi canteiro de profissão e aprendeu com mestres por sua vez  discípulos de António Augusto Gonçalves, na Escola Livre das Artes e Desenho em Coimbra, tendo inclusivamente integrado a equipa de António Augusto Gonçalves na construção do Palace Hotel do Buçaco.
Há diversas esculturas da sua autoria em Coimbra, muitas delas em obras encomendadas pelo Dr Bissaya Barreto, entre elas o Portugal dos Pequenitos, e também terá feito vários trabalhos para a família Sottomayor em Condeixa.

Fonte em frente à Fundação Bissaya Barreto com estatuetas saídas das mãos e do escopro de Alberto Caetano

Quanto a Francisco Caetano Ferreira (1908-1986), iniciou-se na arte de canteiro numa oficina que o pai abriu na Rua do Arnado e com ele colaborou em muitos trabalhos de estatuária que ainda hoje se podem ver na cidade.
Em 1941 figura como sócio fundador da Moderna Industrial Decorativa, mas por desentendimentos dentro da sociedade, abandonou a empresa a meados dos anos 40, indo exercer funções de "Encarregado de Trabalho" na cerâmica LUFAPO/Lusitânia em Coimbra. 
Já em 1959/60 foi enviado para a Lusitânia do Porto para "ajudar a transmitir conhecimentos" mas três anos depois regressou à unidade de Coimbra onde trabalhou até se reformar.
Após a saída de Francisco Caetano, desconheço por quanto tempo a  Moderna Industrial Decorativa se manteve em laboração.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Um trio Wedgwood Etruria - A Wedgwood Etruria trio




Este trio que hoje trouxe para o chá  para participar nos eventos Tea Cup Tuesday, Tea Time Tuesday e Tuesday Cuppa Tea, é de porcelana Wedgwood, nome  mundialmente conhecido no fabrico de loiça, talvez o mais conhecido em Portugal quando se trata de loiça inglesa. No entanto, este nome não é garantia de que o artigo tenha sido fabricado na fábrica de Etruria, fundada há cerca de 230 anos por Josiah Wedgwood I (1730-1795).
Efetivamente, há uma outra firma, a Wedgwood & Cº, que por vezes beneficia do prestígio alcançado pela sua homónima, pelo menos entre os vendedores e compradores portugueses. Eu própria, já há muitos anos, comprei um jarro e bacia Wedgwood & Cº, empresa fundada por Enoch Wedgwood em 1860, pensando tratar-se da Wedgwood original com sede em Etruria.

Retrato de Josiah Wedgwood por Sir Joshua Reynolds, P.R.A.
(Museu Wedgwood)

Este é o Wedgwood que conseguiu reproduzir em cerâmica, o chamado Portland Vase com uma perfeição que mereceu o louvor de Sir Joshua Reynolds, à data o primeiro Presidente da Royal Academy.
O famoso jarrão Portland, ou Barberini, foi um achado romano, em vidro camafeu, trazido para Inglaterra pelo Embaixador Inglês em Nápoles, de quem Josiah Wedgwood era amigo.
O que é curioso é que os achados romanos que chegavam a Inglaterra naquela época eram tidos como etruscos, daí  ter este fabricante dado o nome de Etruria  à grande propriedade perto de Hanley, nas Potteries de Staffordshire, onde fundou a sua nova  fábrica em 1769.

Portland Vase, Museu Britânico

Com o jarrão Portland, Josiah Wedgwood conseguiu o triunfo do jasperware (loiça de jaspe), a pasta cerâmica com aspeto de biscuit e com figuras clássicas em relevo, a branco, inventada por ele e fabricada até hoje e que se identifica em todo o mundo com o nome Wedgwood (embora tenha havido outros fabricantes.)
Como reconhecimento dessa identificação e popularidade, a firma Wedgwood, a partir de 1878, inclui o desenho do jarrão Portland nas suas marcas de porcelana, como é o caso desta.




O facto de ali estar presente a palavra England significa que as peças são posteriores a 1890  e anteriores a 1908, ano em que se generalizou na Wedgwood o uso de Made in England . Estava convencida que a letra S, que se vê por baixo do número de padrão, correspondia a um ano (1916) de acordo com uma tabela que tenho num livro de marcas, mas afinal essas letras da tabela foram usadas gravadas na pasta, o que não é o caso.
Para além da marca de fabrico, vê-se também o nome do retalhista de Londres, James Green & Nephew, algo que acontecia muito nesta época, tanto em Inglaterra como em Portugal, como já aqui referi num post recente.

O pano de tabuleiro foi bordado pela minha mãe, depois de riscado numa fábrica de bordados da Ilha Terceira, Açores
Falando agora mais especificamente do meu trio para o chá, foram peças adquiridas por duas vezes e com bastante intervalo de tempo. Encontrei o pires e o prato de bolo na feira de velharias de Coimbra, sem chávena, mas fiquei encantada com a decoração e também com o facto de serem peças de qualidade Wedgwood.
A vendedora disse-me que já tinha vendido outras peças do mesmo serviço, mas que agora só lhe restavam os dois pratos, embora soubesse que tinha em casa uma chávena... sem asa. Mesmo assim fiquei com os pratos à espera que ela me trouxesse a chávena, o que demorou mais de um ano para acontecer, quando eu já não acreditava que ela existisse... Lá apareceu a chávena mas efetivamente não tinha asa e eu mandei fazer esse acrescento, que não tendo ficado uma perfeição, sobretudo no acabamento, devolveu a inteireza  à peça.

O chá acompanhado com bolo de côco e as últimas camélias do meu jardim