terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Porcelana Vista Alegre com marcas de casas comerciais

Na sequência de um post de Março do ano passado, em que figurava uma peça de Sacavém com marca da Casa Buisson no Porto, surgiu um comentário muito interessante de um descendente dos antigos proprietários. Por ele ficámos a saber que na viragem do século XIX para o século XX o proprietário daquela casa comercial era António Teixeira Rebello, que vivia no andar superior da loja situada no nº 45 da Rua de Santo António,  mais tarde gerida pelo genro, Alberto Júlio Pereira. 
Ficámos também a saber que esta casa era referida num anuário comercial como especializada em vidros e cristais. No entanto,  como prova a peça que apresentei com a marca da casa, vendia ainda loiça de Sacavém e por informação de uma  comentadora do mesmo post, também porcelana da Vista Alegre. 
Passados alguns dias essa comentadora  enviou-me simpaticamente fotografias de uma taça sua ostentando  a marca da Casa Buisson, sobreposta à  marca nº 23 (a carimbo) da Vista Alegre, usada no período de 1881-1921, talvez do tempo de António Teixeira Rebello à frente da casa.




Aqui está a peça com um mimoso ramo de malmequeres e violetas, cujas fotos fui autorizada a publicar quando surgisse oportunidade, mas que só hoje veio a propósito divulgar.
É que também da Vista Alegre, com marcas contemporâneas desta, trouxe hoje aqui  pratos e pires com outras marcas de casas comerciais do Porto e de Braga.



                             

No prato de sobremesa - de um serviço de jantar bonito e discreto de que restam poucas peças - e no pires com paisagem pintada à mão, vêem-se dois tipos de marcas da Vista Alegre, a nº 21 ou 23 à esquerda e a nº 22 à direita, referentes ao mesmo período de fabrico, 1881-1921. Daí podemos depreender que tanto o Bazar Central, na Rua dos Clérigos, 78, no Porto, como a casa LT de Queiroz, também no Porto, tiveram atividade durante este período. Hoje, só o Bazar Central ainda existe no mesmo local.




 

Quanto a estas duas casas de Braga - Bernardo J F Carneiro, na Rua do Souto e Luiz A. Simões D'Almeida, na  Rua dos Chãos - vemos as suas marcas a acompanhar as da Vista Alegre iguais às das peças anteriores, portanto são todas do mesmo período. O prato maior tem a forma de um prato de sopa de criança e o pequeno pires pertencia a um serviço de chá de brincar.
A Rua do Souto em Braga, é uma rua de comércio tradicional, hoje pedonal, no centro da cidade, enquanto a Rua dos Chãos se situa também na zona central, aliás vai desembocar na Avenida Central da cidade, mas quanto às casas comerciais aqui referidas, não encontrei notícia de qualquer delas.
Penso que a presença nas loiças destas marcas comerciais poderá ajudar a datar peças sem marca de fabrico, daí também o seu interesse.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

O Cantão Açoriano



Há cerca de um ano, quando andei a investigar a origem do prato com a coroa do Espírito Santo que aqui publiquei, tive em casa vários livros de um autor terceirense, Francisco Ernesto de Oliveira Martins, colecionador de arte e investigador, infelizmente falecido em Novembro último.



Estes livros, de uma amiga também terceirense de Angra do Heroismo, que vive perto de mim, vieram-se juntar a um que havia cá em casa do mesmo autor, Arquitectura nos Açores, muitíssimo bem ilustrado e que eu já tinha andado a folhear de novo.


Neste encontrei placas cerâmicas fabricadas na Ilha Terceira no final do séc. XIX, marcas de posse  aplicadas em fachadas de casas particulares, onde facilmente reconhecemos motivos florais da nossa faiança da mesma época.




Mas confesso que o que me encheu mais os olhos foi o Louça inglesa nos Açores, que folheei inúmeras vezes para apreciar cada um dos belíssimos exemplares de faiança inglesa quase toda azul e branca da coleção do autor. 



E eis que, após várias páginas de faiança inglesa, me deparei  com dois exemplares de faiança de S. Miguel, referenciada como cantão açoriano, que julgo provenientes de olaria da Lagoa. Sem qualquer explicação para a inclusão ali destes exemplares, depreende-se que o autor lhe reconhecia origem nos motivos de loiça inglesa, como sabemos por sua vez inspirados em motivos vindos de bastante mais longe... da porcelana chinesa. 


Na cercadura do prato vemos afinidades com as cercaduras de Miragaia e afins, mas no desenho central, embora com as nuvens e palmeiras da faiança dessa zona, temos uma casa do tipo alpino, como em algumas peças de Coimbra e de Alcobaça ou ainda de Vilar de Mouros, que também conhecemos do motivo Roselle da faiança inglesa e de outros como o Avon Cottage.
Na caneca, num rosa forte bem popular, temos o pagode a representar os motivos orientais do Willow e uma grande flor, quem sabe uma peónia a ladeá-lo.
Interrogo-me sobre quais os elementos comuns às duas peças que as fizessem ser englobadas na categoria de Cantão, neste caso Açoriano, e só consigo detetar a decoração monocromática e a presença de edifícios exóticos, como também exóticos pretendem ser os elementos vegetais aqui representados. Será que foi esse o critério para a classificação?
E o chamado Cantão de Coimbra? Será a faiança produzida na região com motivos semelhantes aos destas peças açorianas, como as terrinas que mostrei num post já antigo?





segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Um chá de Ano Novo - A New Year's tea


FELIZ ANO NOVO  *) *) *) *) *) *)     HAPPY NEW YEAR  (* (* (* (* (* (*


Embora agora mais concentrados nos festejos de Ano Novo, ainda estamos a meio da quadra natalícia, pelo que na mesa para o chá ainda predominam as cores de Natal, o vermelho e o verde, a que geralmente associamos alegria e esperança.


Por mais que nos digam que o ano de 2013 não traz consigo bons augúrios, é inevitável renovar-se a esperança neste início de um ano novo, qual menino recém-nascido, ainda no berço ou num aconchegante colinho...


Escolhi esta chávena e pires para o primeiro chá do ano em que vou participar com TUESDAY CUPPA TEA (e, embora mais tarde desta vez, TEA CUP TUESDAY) porque para além dos vermelhos e verdes predominantes,  gosto de ver nesta época festiva de inverno, loiças e decorações a branco e dourado ou prateado.
As peças de porcelana têm sobre o branco um vidrado iridescente a que se sobrepuseram retoques dourados, já bastante gastos, o que torna, sobretudo a chávena,  mais interessante para meu gosto.


Como as aplicações de dourado só estão num dos lados da chávena, no outro lado sobressaem mais a iridescência e os relevos florais e rocaille, muito adequados ao gosto dos espíritos românticos de há cem anos.


Não apresenta qualquer marca de fabrico, mas acredito que seja alemã, pelo formato e pela junção visível de duas metades a partir de um molde. É o tipo de objeto que, no final do século XIX, início do XX,  se usou muito para ofertas destinadas a vitrine, alguns com dizeres como "Forget me not" "Lembrança d'Annos", "Souvenir" ou "Recordação"...



E agora, que venha o 2013, cá estamos para o festejar... e enfrentar!!!


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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Boas Festas!


Em época de Natal, quero desejar Festas Felizes a todos quantos passam por aqui, muito especialmente aos amigos com quem mais tenho contatado através do(s) blogue(s).
Faço-o com este Retábulo da Natividade que está em exposição no Museu Nacional de Machado de Castro, em Coimbra.
Não é obra em pedra de Ançã, nem sequer é portuguesa, mas, tendo tido origem em Antuérpia no século XVI, faz  parte do nosso património há séculos, tendo sido recuperada do Colégio das Ursulinas em Coimbra.
Como se percebe, é um retábulo em madeira policromada  representando a Adoração dos Pastores ao Menino Jesus. É a celebração do nascimento de uma criança, o símbolo da renovação e da esperança em cada ciclo de vida, esperança de que todos nós estamos tão necessitados... 
A representar o meu Natal e porque também há um Menino Jesus cá em casa, deixo aqui este amoroso Menino,  num trabalho artesanal com que uma amiga me presenteou e que foi a minha primeira oferta de Natal deste ano.


Um bem haja para essa amiga e votos de muita saúde e alegria para todos, porque, pelos vistos, o fim do mundo foi adiado!!!


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Reabertura do Museu Machado de Castro

O Museu Machado de Castro reabriu... e está um assombro!

Pátio do Museu Machado de Castro (anos 50)

Já toda a gente sabe que o Museu Nacional de Machado de Castro, em Coimbra, reabriu em pleno esta semana, no dia 11, mas eu não podia deixar de assinalar aqui esse acontecimento!
Após o encerramento para obras de fundo em 2006, só em 2009 ou 2010 abriu parcialmente ao público para visitas ao criptopórtico romano, enquanto se dava continuidade ao trabalho de acabamentos nas salas de exposição e a todo o trabalho de museografia e de expografia.
Numa primeira visita que ali fiz, pareceu-me que estava a ver muitas das peças pela primeira vez, tal o impacto que provoca a forma de as expor nos novos espaços e nos espaços remodelados, mas também acredito que mais brilho lhes foi dado pelas intervenções de conservação e restauro a que foram entretanto sujeitas.
As coleções incluem escultura e pintura antigas, ourivesaria, paramentaria, mobiliário... e para mim a cereja no topo do bolo, a coleção de cerâmica.





Embora tenha apreciado a forma como a faiança está exposta, por ordem cronológica, em dois longos expositores - e os azulejos nas paredes opostas - fico sempre frustrada por se tratar de peças em grande parte já minhas conhecidas e por pensar que haverá nas reservas muitas outras peças interessantes que não são dadas aos olhos do público. Aguardemos as exposições temáticas...
O edifício só por si é um objeto museológico, com mais de 2000 anos de história, por isso houve alguma polémica à volta dos acrescentos que lhe foram feitos, da autoria do arquiteto Gonçalo Byrne, mas eu gostei muito do que vi e da forma como a partir dos novos e dos antigos espaços se apreciam recantos da velha Alta de Coimbra.
Quanto a esta minha pintura, tem uma história engraçada que resolvi aqui partilhar.



Encontrei-a há meses na Feira da Vandoma no Porto, muito suja e com a moldura revestida a gesso a esboroar-se, mas reconheci logo o Pátio do Museu Machado de Castro, ou seja, o antigo Paço Episcopal de Coimbra. O vendedor não sabia do que se tratava, mas enchia a boca com o nome do pintor que ele dizia ser um Pedro Rodrigues e lhe servia de pretexto para carregar no preço.
Pareceu-me logo que o apelido era Dinis mas não o quis contrariar e não comprei o quadro, porque realmente o estado era lastimoso. Alguém a fazer limpeza na casa da avó achou que aquele chaço não tinha valor nenhum e deu-o ao desbarato. Entretanto, falei naquela pintura ao C.A. e passando nós lá já à saída da feira, o preço tinha diminuído para metade e com alguma negociação ficou reduzido a poucas dezenas de euros.
Viemos todos contentes com este tesouro para casa - para mim o mais interessante era ser uma vista do Museu Machado de Castro, mas o nome do pintor também me parecia familiar - e enquanto o C.A. tratava de retirar os restos de gesso e de lixar a moldura, eu limpei a pintura toda, um óleo sobre placa de madeira, com uma cotonete humedecida. Pareceu renascer das cinzas!
Na assinatura lê-se P. Dinis 52 e daí concluí tratar-se do pintor coimbrão Pinho Dinis (1921-2007) e de uma obra de 1952, da sua primeira fase, talvez ainda dos seus tempos de aprendizagem.
Bem, não é o Renoir que a outra comprou por 7 dólares numa feira de rua, o valor comercial até pode ser diminuto, mas foi um achado (e salvamento) que me encheu de satisfação!

Oleiras de Pinho Dinis
Há uma sala Pinho Dinis na Casa Municipal da Cultura, em Coimbra, assinalada pelo seu Auto-retrato, mas preferi acescentar aqui esta bela tela, Oleiras, representando três mulheres na tarefa de pintar loiça numa qualquer olaria coimbrã.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Beirais com telhões em Ovar

Nas minhas rondas por terras do Norte, descobri já há meses mais um beiral de telhões de faiança.
Bem tenho procurado outros exemplares para virem fazer companhia a este, mas à exceção dos que sei existirem em Vila Nova de Gaia e ainda não fotografei, nada de novo...



Desta vez a descoberta foi em Ovar, numa bela casa de quinta do século XVIII, a Quinta de S. Tomé, hoje localizada no centro da cidade. Situa-se relativamente perto da Casa Museu de Júlio Dinis, onde o escritor residiu alguns anos, e não posso deixar de pensar que ela poderia servir de cenário à ação de um dos seus populares romances.


Para além do beiral há os azulejos, os do exterior com um lindo friso floral, certamente aplicados no século XIX ou XX,  e  um  silhar de escadaria na entrada principal da casa.


Neste beiral, surpreende a quantidade e o estado de conservação dos telhões, assim como a harmonia do conjunto que forma com os restantes elementos da casa, basicamente em azul e branco; quanto ao motivo das telhas já é nosso velho conhecido.



Efetivamente, é o mesmo motivo das que vimos num beiral em Fafe e noutro na Ribeira do Porto, mas não apresentam a terminação em relevo branco que se observa no de Fafe.



As cantarias em pedra  dão sobriedade e robustez às duas frentes, a que nem sequer falta um brasão em pedra de Ançã, as armas do Morgado de Pigeiros.


Atrevo-me a atribuir o fabrico destes telhões à Fábrica das Devezas em Vila Nova de Gaia, já que são em tudo semelhantes aos que se encontram na Casa-Museu Teixeira Lopes e sabemos da ligação deste escultor e da família  a essa fábrica de Gaia, com filial aqui na Pampilhosa.

Pátio da Casa-Museu Teixeira Lopes (foto da Wikipedia)
Aqui está mais um lugar que tenho que revisitar, não só pela boa coleção de faianças de todas as fábricas gaienses, mas também para fotografar de perto estes beirais.


Entretanto, muito a propósito já que mencionei aqui a obra de Júlio Dinis, o nosso amigo Fábio Carvalho, que administra os blogues Porcelana Brasil e Azulejos Antigos no Rio de Janeiro, enviou-me a respeito dos telhões de faiança, um extrato que encontrou online do romance de Júlio Dinis “Uma Família Inglesa”, de 1868.


Li-o ainda adolescente, mas  há muito andava para o reler por achar que pode conter referências à faiança inglesa usada no Porto no século XIX ou mesmo à faiança portuguesa, só que ainda não o tinha feito; afinal, sendo a ação datada de 1855, encontram-se ali referências interessantes aos elementos cerâmicos para construção, de fabrico oitocentista portuense ou gaiense. 
Trata-se de um trecho do capítulo IV intitulado Um anjo familiar, com uma descrição do Porto que passo a transcrever parcialmente, mantendo a ortografia da minha edição, que é de 1930:

"Esta nossa cidade – seja dito para aquellas pessoas, que porventura a conhecem menos – divide-se naturalmente em tres regiões, distinctas por physionomias particulares.
A região oriental, a central e a occidental.
O bairro central é o portuense propriamente dito; o oriental, o brasileiro; o occidental, o inglez.
(...)
O bairro oriental é principalmente brasileiro, por mais procurado pelos capitalistas que recolhem da America.
Predominam n’este umas enormes moles graniticas, a que chamam palacetes; o portal largo, as paredes de azulejo – azul, verde ou amarello, liso ou de relêvo; o telhado de beiral azul; as varandas azuis e douradas; os jardins cuja planta se descreve com termos geométricos e se mede a compasso e escala, adornados de estatuetas de louça, representando as quatro estações; portões de ferro com o nome do proprietário e a era da edificação em lettras também douradas; (...)."

Estas casa eram vistas na altura, segunda metade do século XIX, como sinal de ostentação e de falta de gosto, devido à profusão de elementos decorativos, mas acabaram por ser apreciadas e constituirem marcos importantes da história e da fisionomia das nossas cidades, sobretudo nortenhas.

Muito obrigada ao Fábio por esta interessante achega.



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Lustrina inglesa Davenport - Davenport pink lustre


Trouxe hoje para o chá que vou partilhar com Tea Cup Tuesday, Tea Time Tuesday e Tuesday Cuppa Tea um par de chávenas e pires em lustrina rosa, fabricadas por um nome muito conhecido da produção cerâmica inglesa: a firma Davenport.
São chávenas e pires no formato London shape, introduzido e popularizado em Inglaterra no início de oitocentos. Estão decoradas com o brilho metálico mais plebeu a que se chamou lustrina que substituía as decorações a ouro destinadas às famílias aristocráticas ou da burguesia endinheirada.


Em geral estas peças não têm marca de fabrico, as outras que eu tenho e já mostrei aqui têm apenas um número, o pattern number, e às vezes nem isso, mas neste caso aparece nos dois pires a inconfundível marca Davenport, a fábrica fundada por John Davenport em Longton, Staffordshire, c.1793. O fundador entregou a empresa aos filhos mais novos em 1830 e assim a empresa foi continuando na família até 1887.


Esta marca onde se notam dois pontos, um de cada lado da âncora, muitas vezes só um, deve ser anterior a 1830 já que nessa década, no lugar dos pontos, surgiram números que representavam os últimos dígitos do ano de fabrico. Veem-se ainda as três marcas deixadas pelas extremidades da trempe durante a sobreposição de peças no forno, não só no verso, mas também na frente do pires.
Entretanto li num site inglês que uma das formas de identificar lustrina mais antiga - começou a ser comercializada a partir de Stafforsdshire c.1790 e continuou popular até ao século XX - é a opacidade da pasta e a acumulação de tonalidades azuladas nos frisos da base das peças do chamado pearlware, caraterísticas presentes nestes meus exemplares.


O padrão que aqui vemos, dois tipos de folhas trilobadas em planta trepadeira com as respetivas gavinhas, foi muito popular, quer em faiança com lustrina, quer em porcelana com ouro, por isso se parece muito com um padrão da fábrica Spode já aqui apresentado.


Chegados ao mês de Natal, aqui iniciado com um frio intenso a que ainda não estávamos habituados, cada vez sabem melhor os momentos passados à volta de uma mesa de chá e hoje já tive o grato prazer de o saborear em casa de amigos, ainda por cima num ambiente povoado de pequenos tesouros como estes, que eles também apreciam... e acumulam :)