Já aqui mostrei uma lamparina de quarto da Vista Alegre, toda em branco, no modelo "Castelo".
Gosto destes objetos, caídos em desuso, que foram feitos para dar conforto a pessoas acamadas ou doentes, num tempo em que a maioria das casas nem dispunha de eletricidade nem estava preparada para enfrentar os rigores dos dias frios.
Nesse tempo, em Portugal até há uns cinquenta ou sessenta anos, o tratamento dado em casa aos doentes consistia, quase em exclusivo, na administração de mezinhas caseiras e numa longa permanência de resguardo no aconchegante vale dos lençois.
No bule se guardava a infusão mantida quente graças à lamparina acesa, que simultaneamente fornecia uma ténue iluminação ao quarto.
Comprei esta torre de lamparina sem o bule porque me encantei pela decoração: motivo floral em grinalda com fitas, muito delicado e romântico.
Não tem qualquer marca, mas quando a comprei confesso que esperava que fosse Vista Alegre. Agora penso que é uma veilleuse francesa porque já vi torres do mesmo formato a que é atribuída essa origem e embora a Vista Alegre tenha fabricado vários modelos de lamparina, após alguma pesquisa não vi nenhum igual a este.
De qualquer forma, adaptei-lhe um bule para lamparina da Vista Alegre, que já tinha em casa, e ficou um conjunto bastante harmonioso.
Rosas , margaridas, miosótis, na sua delicadeza de pintura à mão, formam composições diferentes à volta desta peça de porcelana.
Esta é a marca do bule, usada pela Vista Alegre entre 1921 e 1947.
Deixo aqui o link para a que é considerada a maior coleção de veilleuses do mundo. Aparecem algumas torres com a mesma forma desta minha, embora com decorações diferentes, mas nenhuma peça está identificada quanto a fabrico.
Embora não esteja referido, o exemplar número 491, no quarto grupo de peças, é um modelo da Vista Alegre, o "Chalet".







