sexta-feira, 1 de junho de 2012

Um catálogo precioso - faiança ratinha


Recebi hoje mesmo uma oferta de uma amiga, que me encheu de satisfação.
Trata-se do catálogo Cerâmica na Colecção da Fundação Manuel Cargaleiro, cuja magnífica capa se vê em cima.
Aqui estão reunidas todas as peças que integraram uma exposição patente no Museu Cargaleiro em Castelo Branco, que já aqui abordei, na sequência da visita que ali fiz, e que incluiu não só a coleção de faiança ratinha do artista, mas também a sua coleção de faiança de Triana, Sevilha.

Bela fotografia de conjunto da faiança ratinha em ilustração de página dupla

O catálogo impressiona pela qualidade, está de parabéns a Câmara Municipal de Castelo Branco.
Tem uma apresentação magnífica, desde a capa aos separadores monocromáticos nas cores da faiança que apresenta, passando pelas excelentes fotografias das peças.
E tudo isto coroado por ricos  textos introdutórios da investigadora Ivete Ferreira, com Tese de Mestrado sobre a faiança ratinha, e as suas pormenorizadas descrições de cada um dos exemplares,  perto de cem, quer ratinhos, quer trianeiros. Como já referi no outro post sobre a exposição, os exemplares ratinhos estão classificados em categorias segundo o tipo de decoração que apresentam.


Dois dos Lebrillos Trianeros com as respetivas notas descritivas

Penso que a publicação deste catálogo é uma dádiva maravilhosa para todos os entusiastas da faiança popular e particularmente para os colecionadores e amantes da faiança ratinha.
Não sendo colecionadora, também me deslumbro por estas faianças de cariz popular, encantam-me sobretudo os verdes intensos, e vou adquirindo uma ou outra, desde que não seja necessário alargar muito os cordões à bolsa!!!


Assim, acho que esta é uma ótima ocasião para partilhar aqui o último exemplar de faiança ratinha que adquiri: um humilde pucarinho.
Encontrei-o partido e colado numa casa de artigos usados e é claro que não o podia deixar ficar lá mais tempo ao abandono :)
 Existe um exemplar muito semelhante no Museu de Aveiro, com o número de inventário 402/E , mas este  parece ser mais recente ou então foi muito pouco usado...até o partirem. Tem 12,5cm de altura e 14cm de largura.


Cá está uma tonalidade de verde bem forte que muito aprecio, com pormenores decorativos na asa e por baixo dela e as linhas onduladas a manganés que tão bem caraterizam este tipo de produção coimbrã.




16 comentários:

  1. Olá Maria
    Magnífico o seu pucarinho. Excelente aquisição, não só pela raridade da peça, como pela decoração invulgar e pela paleta bicromática, em tons de verde e manganés. Podemos datá-la, com alguma segurança, do terceiro quartel do século XIX.
    if

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    1. Cara IF,
      Muito obrigada pelo pronto comentário e pela datação da peça que agora ainda me dá mais prazer possuir.
      O facto de ser muito parecido com o pucarinho do Museu de Aveiro fazia-me desconfiar que era do séc. XIX, mas agora tenho a sua confirmação.
      Com este gosto que nós temos de correr lojas e feiras de velharias, de vez em quando lá sai a sorte grande :)
      Um abraço

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  2. Cara Maria,

    Fiquei sem respiração quando vi o seu pucarinho! Também conheço o do Museu de Aveiro e julgo tratarem-se exemplares saidos da mesma fábrica pois os elementos decorativos e, ao que nos é dado ver pelas imagens, pasta e vidrado muito próximos. Tenho dois pucarinhos mas afastam-se um pouco desta decoração e o tipo de pasta também é diferente, os meus estão mais próximos da decoração habitual dos ratinhos. Infelizmente para ter esses dois tive que fazer muita «ginástica» financeira mas enfim pode ser que alguma vez tenha a sorte de encontrar um a bom preço...
    Um abraço, CC

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    1. Cara CC
      E eu fico muito satisfeita por ver que trouxe aqui um pequeno mimo para apreciadores de faiança... bem entendidos na matéria...
      Lendo o seu comentário e o da IF, já me ocorreu que este meu pucarinho e o do Museu de Aveiro fossem produção de Aveiro, na linha de um prato ou almofia, também a verde e castanho ou manganés, apresentado por José Queirós e também por Artur de Sandão.
      Mas é o próprio Museu de Aveiro que identifica o exemplar deles como faiança coimbrã...
      Obrigada pelo comentário.
      Um abraço

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  3. Olá Maria Andrade,
    Que catálogo maravilhoso! A segunda foto que você publicou é de tirar o fôlego mesmo de qualquer apreciador de cerâmica antiga!!
    Concordo inteiramente com a IG; o seu pucarinho é incrível, pela raridade da peça, bem como pela bela decoração.
    abraços
    Fábio

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    1. Olá Fábio,
      O catálogo está mesmo muito bom e eu também acho essa foto um regalo para os olhos! Aparece no início e no fim do catálogo.
      Quanto ao pucarinho, ainda bem que o apreciou, é realmente uma peça invulgar.
      Como vê, a faiança portuguesa reserva-nos sempre surpresas agradáveis e interessantes :)
      Um abraço

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  4. Olá Maria Andrade.Por aqui se tem encontrado gente muito válida.O caso da Ivete Ferreira,tem sido a mais valia para a loiça ratinha,agora com a Tese de Mestrado e este catálogo é de tirar sem respiração...nem vou dormir a pensar nas cores nos desenhos...e amanhã tenho feira!

    Na TV na altura da inauguração do Museu vi a coleção avulsa, ainda não se perspectivava catálogo. Depois li que a Maria Andrade foi até Castelo Branco e também ainda não havia. Agora tem o seu! Parabéns - fez por merecer ao dar realce nos seus posts esta bela loiça- alguma sua e outra que lhe fizeram chegar para partilhar com os seus habituais comentadores e anónimos.Vou ter de ligar para o Museu para comprar um, antes que esgote...

    Inveja...do seu púcaro.Tem peças de inegável valor que adoro, este púcaro para mim é a peça eleita. Belo, não sei dizer mais nada...belo, em verde cobre e castanho indefinido que adoro, então o filete ondulado a fazer lembrar tiras iguais que agora não me vem o nome à cabeça - usávamos na roupa (grega?). Vale um dinheirão!!!

    Um extraordinária aquisição digna de Museu!

    Beijos
    Isabel

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  5. Olá Maria Isabel,
    É verdade que por aqui vai aparecendo a nata dos apreciadores de faiança! :)
    Alguns mais habituais, outros mais esporádicos, mas todos do tipo de pessoas com quem nos dá prazer partilhar estas coisas... e eu sinto-me muito feliz por isso.
    Eu também fiquei encantada com o meu pucarinho quando o descobri num sítio bastante improvável... e a um preço incrível. É certo que está partido e colado, mas mesmo assim...
    Adoro sobretudo a intensidade do verde que joga muito bem com o tom de manganés e aquelas linhas onduladas fazem realmente lembrar a grega que se usava (ainda se usa) para enfeitar roupa.
    Enfim, é todo ele encantos! LOL
    Obrigada pelo comentário.
    Um abraço

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  6. A segunda fotografia trouxe-me à memória a forma de disposição do conjunto de pratos em faiança e porcelana que ornamenta um dos tetos do Palácio do Marqueses de Abrantes, a Santos, hoje Embaixada de França.
    É um belíssimo conjunto que faz logo uma pessoa ficar sem respiração e sem saber para onde olhar e ... deixar-se ficar em contemplação.
    Simplesmente fabuloso!
    Quanto à sua "pucarinha" é uma bela peça, que ficaria muito bem no meu "pied-à-terre" ... (risos indecorosos).
    Ainda bem que a salvou, e o verde que ostenta só me faz lembrar, ainda antes da faiança ratinha, o que ornamentava a faiança Omíada que, vinda de Damasco, se instalou igualmente na Península Ibérica.
    Este verde translúcido, que me traz à memória a transparência cristalina e esverdeada das águas dos trópicos, donde sou originário, é inconfundível e faz-me sempre ter alguma nostalgia das praias da minha infância.
    Os meus parabéns pela sua aquisição, que foi providencial
    Manel

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    1. Manel, agora que fala nisso, essa foto faz efetivamente lembrar o teto das porcelnas chinesas do Palácio de Santos... e ganha-lhe em colorido!
      Infelizmente já fiz uma tentativa para visitar o palácio, pelo menos essa sala, cheguei à fala com um franciú, até falei francês!!!, mas não consegui nada :-(
      O verde do púcaro, sendo o dos ratinhos, é realmente invulgar de tão intenso. Dá-me a sensação que não diluiram tão bem a tinta, que deixaram os óxidos mais concentrados, talvez um resto de tinta no fundo...
      Enfim, foi um golpe de sorte tê-lo descoberto!
      Um abraço

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  7. Me alegro de que nos hayas dejado verlo
    Un abrazo

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    1. Olá Princesa,
      É um prazer partilhar estas coisas aqui com os amigos...
      Obrigada pela visita.
      Um beijo

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  8. Tanbém comecei a ler o livro da Ivette Ferreira e de lápis na mão. Desde já o grafismo recomenda-se. A obra também será uma referência pois o útimo catálogo sobre esta loiça foi publicado há mais de vinte anos.

    Gostei do púcaro e do seu verde com um ar muito islâmico. Recordei-me de si ao ler o catálo da nossa amiga Ivete, pois lá estava um daqueles pratinhos pequenos, muito simples, que seriam usados para servir o manjar branco.

    bjos

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    1. Luís, eu li o catálogo quase de um fôlego!
      Mas agora vou reler muitos deliciosos trechos e aí,sim, também de lápis na mão. :)
      Quanto à decoração do meu pucarinho, penso que foi Joaquim de Vasconcelos quem primeiro referiu a influência islâmica nesta tão especial faiança de Coimbra e se visitarmos alguns museus do Sul, em Mértola ou Silves, por exemplo, lá encontramos o parentesco...
      Quanto às minhas tacinhas para doce, só por intuição as relacionava com os ratinhos, muito antes de as ver referidas em qualquer sítio, e afinal são mesmo!!!
      Bjs.

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  9. Love the folk art! The rustic mug is delightful~

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  10. Hi Shawn,
    It's true folk art, over a hundred years old.
    Thanks for the visit!

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