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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Finalmente!!! o "Thesouro de Prudentes" restaurado!


Falei aqui pela primeira vez neste livro há mais de dois anos, quando me dispus a restaurá-lo e a completá-lo na Oficina de Conservação e Restauro de Livros da Rua da Alegria em Coimbra, que nessa altura comecei a frequentar.
O Thesouro de Prudentes de Gaspar Cardoso Sequeira é uma obra importante, quer pelo conteúdo, quer pelo autor, que foi um cosmógrafo e matemático português do século XVII, natural de Murça em Trás-os-Montes, sendo Thesouro de Prudentes (Lisboa, 1612) o seu segundo livro publicado.
A obra compõe-se de quatro livros, divididos em vários tratados sobre Astrologia, Medicina, Aritmética, Geometria, Ilusionismo (tratado III, livro III). Segundo informação da Wikipédia, é o quarto livro alguma vez escrito que descreve truques de ilusionismo e o primeiro a explicar como é que são feitos esses truques.



Encontrei-o na Feira da Ladra num estado deplorável, como se pode ver nas fotos que se seguem,  faltando-lhe mais de 100 páginas. Mas tratando-se de uma obra importante do nosso século XVII, e neste caso uma edição de 1701, achei que valia a pena trazê-la comigo.
Esta obra teve várias reedições ao longo dos séculos XVII e XVIII, em Coimbra e em Lisboa, sendo esta de Lisboa, da Oficina de Manuel Lopes Ferreira. A última que conheço é também de Lisboa, de 1712, do editor Miguel Manescal.


A capa é em pergaminho numa encadernação típica da época, não tem cartão a reforçá-la nem tinha guardas, elementos que não seriam usados neste tipo de encadernação, chamada de solapa.





O livro começou por ser todo desmanchado, a capa limpa e as folhas lavadas, uma operação morosa e delicada, seguindo-se o restauro das folhas rasgadas, com papel japonês. Ficou então a aguardar o completamento dos cadernos através da digitalização das páginas e folhas em falta a partir de um exemplar completo. Depois de uma primeira digitalização que correu mal e que deixou o trabalho parado durante um ano, quase me levando a desistir de o completar, tive acesso através da Oficina de Restauro a um outro exemplar e então foi possível retomar o processo.

Cadernos já restaurados

Costura dos cadernos por processo antigo

Transfil manual

Junção da capa aos cadernos já cosidos
É uma obra muito interessante também pelas ilustrações, só que, como é habitual acontecer, eram sobretudo as páginas ilustradas que estavam em falta.



Um dos muitos ornatos de fim de página
Deu muito trabalho e não ficou propriamente barato este meu Thesouro de Prudentes, mas é mesmo um tesouro de interesse bibliográfico!

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Exposição "Folhas de Clausura" em Coimbra


Não é uma exposição com imagens espetaculares, apelará certamente a um público muito restrito, mas aconselho-a a quem se interesse por livro antigo e pelo trabalho de conservação e restauro de livros. Poderão visitá-la até 28 de Julho, diariamente a partir das 15 horas.

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova

Trata-se da apresentação ao público do resultado de um projeto realizado em parceria pela Confraria da Rainha Santa Isabel e pelo CEARTE  para reabilitação de parte do acervo bibliográfico que foi pertença das freiras clarissas do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova em Coimbra. O trabalho foi levado a cabo em duas ações de formação e concluído em regime de voluntariado, sendo as intervenções entregues a formandos sob a supervisão da técnica de conservação e restauro Maria do Céu Ferreira, de cuja oficina já aqui falei e tenho frequentado na Rua da Alegria em Coimbra.

 

Nas paredes do espaço expositivo alinham-se mais de duas dezenas de fotografias que ilustram as fases do processo de restauro dos livros, enquanto nos expositores horizontais se mostram os alvos da intervenção e nas vitrines se expõem materiais, ferramentas e produtos químicos que se utilizam nos trabalhos de restauro.

Um dos expositores com diversos livros e alguns objetos neles encontrados 
Não só pelas obras - todas de cariz religioso e em grande número  livros de ritual litúrgico - mas sobretudo pelos objetos encontrdos nos livros - pagelas, folhas secas, pequenos manuscritos e restos de materiais - é possível desvendar um pouco da vida quotidiana das mulheres que viveram em clausura naquele mosteiro. Daí também o interesse desta exposição.

À direita desenho em forma de leque com carateres orientais ainda não totalmente decifrados

Pagelas, os achados mais comuns dentro dos livros

Obra com encadernação de solapa, sem capa dura, ao lado de pagela e manuscrito nela encontrados







































Nestes trabalhos de restauro de livro antigo, valorizo a manutenção da capa original, sempre que possível, devendo ser colada sobre a nova capa de pele, como se vê  em baixo.




No catálogo da exposição, um dos responsáveis da Confraria da Rainha Santa Isabel faz um breve mas interessante historial das vicissitudes por que passou a comunidade de clarissas do Mosteiro de Santa Clara-a-Nova e a sua livraria, desde o abandono do velho mosteiro assoreado junto ao rio e a instalação no novo edifício em 1677, até ao aquartelamento ali de tropas napoleónicas e à extinção das ordens religiosas a que se seguiu uma lenta agonia. Daí a dispersão que todo o acervo sofreu, sobretudo  após a morte da última freira em 1891. 
Os exemplares mais raros e mais antigos da livraria monástica foram incorporados em diversos arquivos, bibliotecas e museus - Biblioteca da Universidade de Coimbra, Biblioteca Nacional, Torre do Tombo, Museu Machado de Castro... O que restou no local, resultante já da fusão de dois acervos livrescos conventuais, o de Santa Clara-a-Nova e o de Sandelgas, integra 272 volumes já catologados, com datas entre 1611 e 1893, impressos em Coimbra, em Lisboa e no Porto, mas também noutras cidades europeias como Antuérpia, Madrid ou Veneza.




A caminho da saída, não resisti a fotografar este bucólico recanto do mosteiro, onde imagino uma jovem noviça a colher  folhas de avenca para secar dentro do seu livro de orações, longe de imaginar que esses seus  pequenos e singelos pertences viriam a ser descobertos e expostos a olhos profanos séculos depois...




quinta-feira, 27 de junho de 2013

Obras do P. Teodoro de Almeida



Já aqui tenho referido que a principal razão para me sentir atraída por objetos antigos, nomeadamente os de cerâmica, é conhecer a sua história ou a história que muitos deles podem contar. Mas não são "livros abertos" e mesmo quando há marcas, a informação não nos chega de forma direta; temos que interpretar todos os sinais que as peças nos dão e depois procurar saber mais sobre elas, o que, sendo algo de aliciante para os amantes de velharias, causa também alguma frustração por sabermos que nunca teremos a história completa...
A situação é totalmente diferente com os livros, incluindo o livro antigo... desde que haja página de rosto.
Os dois que se vêem na foto são de um autor português do século XVIII, o iluminista Padre Teodoro de Almeida (1727 - 1804), e basta abrir qualquer deles para obtermos sobeja informação sobre o autor e a obra.


Começo pela página de rosto de Recreasão Filozófica ou Diálogo sobre a Filosofia Natural para instrucsão de pessoas curiozas, que não frequentárão as aulas. Neste exemplar o título já não figura completo ao cimo da página porque encontrei-o com as primeiras páginas mutiladas e tive que as restaurar, completando-as com papel japonês.
O que ficou diz-nos que o autor pertencia à Congregação do Oratório de S. Filipe Neri e era membro da Academia das Ciências de Lisboa, da Real Sociedade de Londres e da de Biscaia. Assim, ficamos logo cientes de que se trata de um religioso que se dedicou às ciências e à Filosofia  e atingiu notoriedade, ou pelo menos reconhecimento, em instituições de prestígio, nacionais e estrangeiras. De facto, para além de escritor e filósofo, ele é considerado o primeiro físico experimental português.

Imagem retirada de DE RERUM NATURA a acompanhar texto do Professor Carlos Fiolhais

Quanto à obra, ficamos a conhecer, logo no título,  o assunto tratado - a Filosofia - a forma como é desenvolvido - em diálogo - e a que tipo de público se dirige - para instrução de pessoas curiosas que não frequentaram as aulas. Ficamos ainda a saber que esta é já uma quinta impressão muito mais correcta que as precedentes e que a obra foi desenvolvida em vários volumes, sendo este o 7º, que trata da Lógica. Finalmente o ano em que foi impressa - 1785 - e o local -  Lisboa na Régia Oficina Tipográfica - tendo sido licenciado, como era obrigatório à época.
Como bilhete de identidade de um objeto não está nada mal!
Trata-se de uma obra enciclopédica em 10 volumes, o último dos quais foi publicado em 1800. Do I ao VI trata da Filosofia Natural, o VII como já vimos, trata da Lógica e os VIII, IX e X da Ética e da Moral.


Indo para além da página de rosto, logo nas primeiras páginas aparece o índice das várias Tardes ou capítulos  em que se divide este volume, que começa na Tarde XXXVI. A primeira página está encimada por uma pequena gravura ou vinheta, sem menção de autoria, que apresenta duas figuras, cada uma com uma chama sobre a cabeça, vendo-se ao longe uma candeia a emitir uma luz intensa. Certamente uma representação visual das luzes do conhecimento que iluminam o espírito,  o conceito subjacente ao Iluminismo do chamado Século das Luzes.
Temos logo a iniciar o texto a fala de alguém, Eugénio, que tem como interlocutores Teodózio e Sílvio; são estas as personagens que vamos acompanhar ao longo de todo o volume e cujos diálogos, em linguagem muito simples, têm tiradas deliciosas e exemplos práticos hilariantes. Um deles é a história de um rapaz rude que, ao trabalhar numa horta com amigos, levou com uma enxada na cabeça, ficando com o juizo alterado. Ao contrário do que seria de esperar, ficou tão esperto que se veio a tornar Ministro de nome na Corte! :)



Alguém duvida que este discurso aparentemente tão inocente está a querer atingir o Marquês de Pombal, que perseguiu e obrigou o P. Teodoro de Almeida a exilar-se em França?!
Há uns meses, a Maria Paula, do blogue as coisas de que eu gosto, falou deste autor a propósito de uma exposição no Mosteiro de Tibães onde se transcreviam extratos da Recreação Filosófica. Um deles , sobre o amor, não posso deixar de partilhar também aqui:


Para quem não esteja familiarizado com este tipo de escrita, convém lembrar que o som s, quando não está em final de palavra, é representado pelo f.
O outro título do Padre Teodoro de Almeida que tinha para partilhar é O Feliz Independente do Mundo e da Fortuna, mas a conversa já vai longa, acho melhor guardá-lo para outra ocasião.


Agora que está a terminar o mês dos Santos Populares, deixo aqui a foto completa com os livros, junto do meu Santo Antoninho do Pão, acompanhado de uma bromélia que me lembra uma alcachofra do S. João, em noite dedicada ao colega de festejos, S. Pedro :))


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

"Études de la Nature"



Já há muito tempo que aqui não trazia um dos meus livros antigos que exigia trabalho de restauro.  
Confesso que tenho andado um tanto desmotivada para esta área por causa de um exemplar que trago em mãos há mais de um ano e ainda não consegui acabar de restaurar. As várias interrupções forçadas, primeiro devido a uma digitalização mal feita das páginas em falta (que quase me fez partir para a encadernação sem completar os cadernos), depois o aparecimento de uma outra possibilidade que se fez esperar, depois a hesitação entre processos de trabalho... tudo isto foi concorrendo para perda de entusiasmo e um certo afastamento  da atividade de conservação e restauro de livros.


Enfim, adiante. Desta vez, como o título indica,  trago mais um volume de uma obra sobre a natureza, como já o tinha feito com a Histoire des Oiseaux de Buffon, só que de um outro autor francês do século XVIII, Jacques-Bernardin-Henri de Saint-Pierre (1737-1814), sendo desta vez um volume dedicado sobretudo às plantas e com ilustrações a elas referentes. Esta edição, datada de 1792, é já a quarta de uma obra que saiu a lume em 1784.



Mas, antes de mais, quem é este senhor com um nome tão sonante? Nem mais nem menos do que o autor do romance Paulo e Virgínia, escrito em 1787, que se tornou um  dos  mais populares do século XIX, não podendo faltar na biblioteca caseira de qualquer donzela dada à leitura.

Jacques-Bernardin-Henri de Saint-Pierre

Apesar de filho do pensamento iluminista e de ser muito influenciado pelas teorias de J. J. Rousseau, o romance apresenta um enredo muito ao gosto do romantismo emergente - um amor adolescente com desfecho trágico, passado na ilha Maurício,  num cenário idílico de natureza exuberante. Foi até citado por vários autores do século XIX em relação  com as suas protagonistas sonhadoras e sentimentais. Estou a lembrar-me de António Feliciano de Castilho, cuja heroína do romance bairradino Mil e Um Mistérios (1845), a jovem Angélica,  tem o quarto forrado a papel francês com cenas de Paulo e Virgínia; de Júlio Dinis que em Uma Família Inglesa (1868) refere o romance como possível leitura de uma das jovens protagonistas; ou  de Gustave Flaubert, cuja Emma Bovary procura para si um amor semelhante ao de Paulo por Virgínia...

Études de la Nature com a sua capa original

Voltando a este meu livro sobre a natureza, trata-se do terceiro volume de uma obra que, sei agora, era de seis volumes, embora na primeira edição fossem apenas três. Ao folheá-lo, deparei-me com três belas gravuras em folhas desdobráveis, em perfeito estado de conservação, como aliás todos os cadernos, e foi isso que me levou a querer salvá-lo da ruína completa. Haveria mais ilustrações, faltam pelo menos as duas primeiras, mas sabemos como tem sido prática corrente arrancar as gravuras dos livros antigos e vendê-las em separado.



Não tem quaisquer picos de traça ou falta de páginas, mas  estava a necessitar de  limpeza e a capa tinha de ser substituída.
Desta vez, tendo materiais e algumas ferramentas em casa - esta mania de encadernar e de restaurar livros já vem de família ;) -  meti mãos à obra sem qualquer supervisão.

As guardas da capa tiveram que ser descoladas e limpas

A nova capa foi cortada a partir de uma pele de carneira inteira


A pele a ser chifrada para ficar mais fina, embora sem a ferramenta adequada 





Prensagem depois de colada a capa nova sobre a original


O livro restaurado, o de cima com a pele nova, junto à prensa de madeira















A prensa, uma das que o meu pai utilizava para encadernar os livros, também já é uma velharia, toda em madeira, ao contrário das mais recentes que têm as roscas em metal.
Agora só falta embelezar a lombada com a aplicação dos rótulos e outros ornatos com os ferros de dourar, mas isso são operações que só posso concluir numa ida à Oficina de Conservação e Restauro na Rua da Alegria em Coimbra. Espero fazê-lo brevemente e depois acrescento aqui a(s) foto(s).

Alguns dias depois... elas aqui estão!

Lombada a ser dourada na prensa de dourador
Livro concluído e encerado 
                                                                                            

segunda-feira, 2 de julho de 2012

As cartas de Mariana Alcoforado ou "Lettres Portugaises"


Na minha última passagem pelo Alentejo fui finalmente visitar o Museu Regional de Beja, cujo principal núcleo está instalado no Convento da Conceição daquela cidade.
Sabia da existência de um acervo importante de azulejaria portuguesa e hispano-árabe a revestir o interior do convento - e a esse nível o claustro e a sala do capítulo são notáveis - e contava encontrar alguma faiança portuguesa na exposição permanente, o que não se verificou, para minha grande desilusão.
Mas em compensação, tivemos um bónus logo na entrada: uma exposição temporária dedicada a Soror Mariana Alcoforado (1640-1723), a presumível autora das mundialmente famosas "Lettres Portugaises", supostamente escritas por ela neste convento, onde viveu em clausura durante 72 anos.

Gravura de Eisen aberta a buril por Massard representando a infeliz freira em traje de dama e em ambiente do século XVIII
Fiquei logo ali encantada com o conteúdo das vitrines, a primeira com edições das Cartas Portuguesas do final do século XVII e do século XVIII, do acervo do museu; da primeira edição estava patente apenas uma reprodução da página de rosto.


Editadas pela primeira vez em 1669, em Paris, por Claude Barbin, estas cinco cartas teriam sido escritas em 1667 e 1668 por uma freira portuguesa, mais tarde identificada como Soror Mariana Alcoforado, a um oficial francês, o Marquês de Chamilly, que nunca é nomeado nas cartas. 


No claustro, azulejos do tempo de Mariana, certamente testemunhas silenciosas da sua infelicidade amorosa.


Segundo reza a história, foi a partir da janela do seu convento de clarissas em Beja que ela, vendo este oficial francês passar na rua durante a sua permanência em Portugal, envolvido que estava na ajuda militar à coroa portuguesa durante a Guerra da Restauração, se apaixonou por este homem e a ele se entregou num relacionamento amoroso clandestino, dentro das paredes do convento.
A janela de Mariana, chamada janela de Mértola, tal como se apresenta hoje
Passado algum tempo, descoberto o romance, ele partiu para França, com a promessa nunca cumprida de mais tarde se lhe vir juntar,  abandonando-a num estado de paixão e de sofrimento que ela exprime, em desvario, nas cinco cartas compiladas. 

Edição de 1672

Edição de 1682

Edição de 1701

Edição de 1707


Para mim, um motivo de interesse acrescido foram as gravuras cheias de pormenores mundanos presentes nas três edições do século XVIII.
A obra, dada a conhecer em França como reproduzindo cartas de amor autênticas de uma religiosa portuguesa a um tal Cavaleiro de C., portanto testemunhos de um amor ilícito, conheceu uma popularidade tal que as edições se sucederam ainda durante o século XVII. A de 1672 é já a 3ª edição de Claude Barbin e outros editores se lhe juntaram, em França e noutros países europeus.

Edições estrangeiras, das centenas que se publicaram em vários idiomas por todo o mundo
Algumas das edições sobre as cartas, da autoria de investigadores portugueses, publicadas entre 1891 e 1966  


Para além dos exemplares bibliográficos e de fotografias antigas do convento e das últimas religiosas que o habitaram, um outro núcleo interessante da exposição são as reproduções de obras de arte de nomes como Modigliani, Matisse, Lima de Freitas, José Rodrigues, inspiradas por esta figura quase mítica de freira portuguesa apaixonada.
Desenho de Matisse
Tive pena de não ver ali representada a obra do pintor António Pimentel (1935-1998), prematuramente desaparecido e a quem já dediquei um post, que também se inspirou na triste história de Soror Mariana Alcoforado para uma série de quadros que considero magníficos, pela força das cores e da composição, pelos elementos simbólicos com uma carga erótica mais ou menos sugerida.
Aqui vou preencher essa lacuna com dois quadros desta temática que fotografei de um catálogo.

Pintura a acrílico sobre tela de António Pimentel

Mariana versus Marianne de António Pimentel

Não posso deixar ainda de referir que foram as Lettres Portugaises, supostamente escritas por Mariana Alcoforado, que serviram de mote às Novas Cartas Portuguesas das chamadas "três Marias" - Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa - que tanto incomodaram as mentalidades do regime de Salazar, tornando-se um livro proibido pela censura que valeu às autoras um processo em tribunal.
Voltarei ao Convento da Conceição em Beja no próximo post.