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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O laço cor de rosa num chá de Outono - The pink ribbon in a Fall tea




O mês de Outubro foi dedicado  à sensibilização para o cancro da mama, no sentido da prevenção deste flagelo que atinge cada vez mais pessoas a nível mundial, maioritariamente mulheres. Felizmente também são cada vez mais as que conseguem sobreviver à doença, sendo a deteção precoce obviamente um fator decisivo na sua luta.


Tal como aconteceu no ano passado, a Sandi de Tea Time Tuesday propôs que este fosse o tema para o chá de meados de Outubro e eu não podia deixar de me associar a ele.


Não deixando de me ligar também a Tea Cup Tuesday da Terri e da Martha e a Tuesday Cuppa Tea da Ruth, fui buscar flores tecidos e peças de loiça em que a cor rosa está presente e em particular uma que até inclui um laço nesta cor.



Trata-se de um sapato em porcelana de Meissen, com dois simpáticos querubins (ou serão putti), menino e menina, como se vê pelas cores das pequenas asas, em atitude de dar e receber carinho. E esta cena passa-se junto ao laço cor de rosa que enfeita o sapato. Dificilmente encontraria um objeto mais apropriado para acompanhar esta mensagem.


Este tipo de peça, aparentemente sem qualquer utilidade, mas que pode servir de porta-lápis, pousa-chaves, porta-garfos para aperitivos,... foi fabricado há 100-120 anos pela Fábrica de Porcelana de Meissen, na Alemanha. Apareceu  em variadas cores, a avaliar pelos exemplares que encontrei na internet, mas sempre com o mesmo formato de sapato e as duas figurinhas em amorosa postura.


Está marcado com as celebérrimas espadas cruzadas, de que já aqui falei, num azul muito ténue, por baixo da almofada que me faz lembrar a do sapatinho da Cinderela...


A chávena que escolhi para hoje, em  rosa e branco com raminhos pontuados a dourado, já aqui foi mostrada num outro poste. É em porcelana da Vista Alegre, com uma das marcas usadas no período de 1881 a 1921. 
Só tenho esta chávena neste modelo, mas conheço o serviço completo de casa de uma prima minha e acho-o lindíssimo, a merecer vir aqui numa outra ocasião...


Dedico este chá do laço cor de rosa, o laço dos afetos, muito particularmente à minha jovem amiga Ana e à nossa companheira de blogosfera Princesa Nadie, ambas em processo de tratamento e cura desta doença que tanto nos aflige... e para a qual temos que estar sempre bem alerta!

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A Moderna Industrial Decorativa de Coimbra

Aquário da Moderna Industrial Decorativa à venda na internet

Há tempos, uma seguidora deste blogue, a Ana Caetano, contactou-me para me perguntar se eu tinha conhecimento de uma fábrica de modelagem de figuras ou estatuetas, congénere da Estatuária Artística de Coimbra e sua contemporânea, que teve sede numa rua ao lado da Escola Feminina de Santa Cruz em frente à Manutenção Militar em Coimbra. Acrescentou que tinha sido fundada pelo avô, Francisco Caetano Ferreira, com sócios, nos anos 40, e que ela andava a tentar recuperar o máximo de informação sobre o espólio artístico da família, uma vez que já o seu bisavô, Alberto Caetano Ferreira, era canteiro e escultor, também em Coimbra.

Escola Primária Feminina de Santa Cruz no início da Rua da Manutenção Militar
O prédio novo à esquerda ocupa o lugar da antiga M.I.D.

Respondi-lhe que a única referência que tinha visto a essa fábrica tinha sido no MAFLS e dei-lhe o link.
Efetivamente nesse post, não só podemos apreciar uma figura de cegonha produzida por esta fábrica ou oficina, mas também se fica a saber que a sociedade Moderna Industrial Decorativa Limitada foi constituída em 1941, com  sede na Rua da Manutenção Militar nº 3, sendo Francisco Caetano Ferreira um dos cinco sócios, certamente o responsável pela modelação artística, dados os seus antecedentes familiares.
Entretanto a Ana Caetano fez-me chegar fotografias e mais informação de que dispunha sobre os seus familiares e que eu achei muito interessante publicar, já que por vezes é muito difícil reconstituir o percurso de famílias ligadas a empresas portuguesas nesta área - e certamente também noutras -  e estou-me a lembrar da família Frutuoso ligada à Estatuária Artística de Coimbra, à fábrica das Lages e  mais recentemente à ESTACO, mas com um percurso muito difícil de acompanhar.





Esta seguidora começou por me enviar fotos de três estatuetas em porcelana que pertenceram ao avô, certamente para nelas se inspirar com vista às suas criações em terracota. Ao contrário da convicção da família de que seriam inglesas, são todas de fabrico alemão. Têm  entre 14cm e 17cm de altura e a marca que apresentam, um O e um M coroados, é da empresa Metzler & Ortloff, de Ilmenau, Turíngia, marca usada nos anos 40, o que coincide com a época de laboração da Moderna Industrial Decorativa.
Assim ficamos com alguma ideia do tipo de influências que se faziam sentir na indústria cerâmica portuguesa da época.

Trabalhadores da M.I.D. no início dos anos 40, estando Francisco Caetano  na fila de cima, ao centro, de bata branca

A fotografia de grupo em cima parece-me um documento de grande interesse, vendo-se muitos garotos de 10-12 anos, aprendizes do ofício, certamente acabados de sair da escola primária, como era costume na altura. Alguns entre os mais novos, descalços, a mostrar à evidência as agruras por que passavam muitas famílias portuguesas, não deixavam de ir de fatinho para o trabalho, como homens em ponto pequeno, e alguns de gravata. Muitos ainda estarão vivos, agora na casa dos 80 anos.
Voltando à família Caetano e começando por falar de Alberto Caetano Ferreira (1888-1944), bisavô da nossa seguidora, ele foi canteiro de profissão e aprendeu com mestres por sua vez  discípulos de António Augusto Gonçalves, na Escola Livre das Artes e Desenho em Coimbra, tendo inclusivamente integrado a equipa de António Augusto Gonçalves na construção do Palace Hotel do Buçaco.
Há diversas esculturas da sua autoria em Coimbra, muitas delas em obras encomendadas pelo Dr Bissaya Barreto, entre elas o Portugal dos Pequenitos, e também terá feito vários trabalhos para a família Sottomayor em Condeixa.

Fonte em frente à Fundação Bissaya Barreto com estatuetas saídas das mãos e do escopro de Alberto Caetano

Quanto a Francisco Caetano Ferreira (1908-1986), iniciou-se na arte de canteiro numa oficina que o pai abriu na Rua do Arnado e com ele colaborou em muitos trabalhos de estatuária que ainda hoje se podem ver na cidade.
Em 1941 figura como sócio fundador da Moderna Industrial Decorativa, mas por desentendimentos dentro da sociedade, abandonou a empresa a meados dos anos 40, indo exercer funções de "Encarregado de Trabalho" na cerâmica LUFAPO/Lusitânia em Coimbra. 
Já em 1959/60 foi enviado para a Lusitânia do Porto para "ajudar a transmitir conhecimentos" mas três anos depois regressou à unidade de Coimbra onde trabalhou até se reformar.
Após a saída de Francisco Caetano, desconheço por quanto tempo a  Moderna Industrial Decorativa se manteve em laboração.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Chá com amor! - Tea with love!




Desde o início de Fevereiro, e até ainda antes, as palavras amor, amore, amour, love, Liebe e muitas outras que não conheço mas que têm o mesmo significado, acompanhadas de coraçõezinhos, cupidos, flores, etc. aparecem por todo o lado a propósito do dia de S. Valentim.
Eu nunca namorei sob os auspícios de S. Valentim, era data que não se festejava em Portugal há três ou quatro décadas, já que não faz parte das tradições portuguesas, mas hoje em dia não há como escapar-lhe...
Até a Casa Fernando Pessoa está a comemorar este dia!


Já que calhou na terça-feira do chá e as minhas parceiras estrangeiras, sobretudo americanas e canadianas, andam a falar no S. Valentim há semanas, vou participar  no Tea Cup Tuesday e no Tea Time Tuesday com porcelanas decoradas com pares românticos.
Já aqui  falei nas porcelanas alemãs de Dresden (ou de Saxe), e na oficina de Helena Wolfsohn que durante um certo período, no final do século XIX (c.1870-1880), usou como marca uma cópia do AR de Meissen, da sigla Augustus Rex (Augusto o Forte da Saxónia).



 É essa a marca da cafeteira e do açucareiro que comprei juntos na feira de Portobello Road em Londres. Também vinha a chávena de chá em quadrifólio, com uma marca diferente, de Coburgo na Baviera, que fabricava ao estilo de Dresden.


Tive assim o conjunto das três peças durante algum tempo, com a chávena sem pires a  parecer uma leiteira.



Marca de Coburgo, na chávena de chá

A decoração de qualquer delas é em tudo semelhante, até na cor, à chávena  trembleuse de que falei há tempos. Cá estão as reservas com pares românticos ao estilo de Watteau, intercaladas com flores e com molduras ou cercaduras de arabescos a ouro.
Normalmente estas cenas galantes  sobre porcelana são associadas a Watteau, mas correspondendo a uma moda na pintura francesa do século XVIII,  podemos associar-lhes outros nomes como Boucher, Lancret ou Fragonard, qualquer deles com pinturas deste estilo que ficaram famosas.



Pelas dimensões, as duas peças maiores terão pertencido a um conjunto individual ou a um tête-à tête para café e por isso lhes juntei a chávena de café, desta vez com a marca das espadas cruzadas de Meissen, do século XIX como as restantes peças.





Andei alguns anos a namorar a chávena, numa antiquária da Figueira da Foz, e só a comprei quando o preço baixou para o que eu considerei razoável. Mais tarde encontrei o pires, com a marca AR, e assim ficou mais completo o conjunto.



Todas as peças me parecem pintadas à mão e por isso é difícil encontrar dois pares românticos ou dois ramos de flores iguais e aquele tom de azul turquesa ou verde água (?), continua a encantar-me.



terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Porcelana alemã alusiva à época - German porcelain evoking the season

O Natal e o fim de ano já lá vão, mas a época festiva só termina a 6 de Janeiro, o Dia de Reis, especialmente importante para os nossos vizinhos espanhóis e de uma maneira particular para as suas crianças que recebem nesse dia as tão desejadas prendas.


Por isso, vou hoje participar nos eventos do chá de terça-feira  - Tea Cup Tuesday, Tea Time Tuesday e Teapot and Tea Things Tuesday - com duas peças (aliás três) de porcelana alemã, decoradas para evocar o inverno e esta época festiva.
Trata-se de uma chávena e pires Waldershof e de uma jarra Rosenthal, em ambos os casos fabrico alemão de meados do século XX.



Na chávena percebe-se a influência da estética Arte Déco pelo formato da asa. A decoração é leve, uns toques de dourado à mistura com tons outonais, apenas cortados pelo belo tom de azul de uma ou outra estrela.





Na marca lê-se Waldershof Bavaria e Germany, com um N e  uma coroa, a lembrar o N coroado da porcelana de Nápoles que foi imitado por vários fabricantes alemães nos séculos XIX e XX.
A Waldershof foi fundada na Baviera em 1916 e dedicou-se ao fabrico de peças para a mesa durante várias décadas do século passado.


Na jarra pode-se apreciar a elegância, a excelência da porcelana Rosenthal. Tenho várias pequenas peças deste fabrico, mas esta é a minha preferida e foi comprada por tuta e meia há meia dúzia de anos numa loja de artigos usados.
É o modelo Inka, como se vê no carimbo, uma produção dos anos 50 com uma decoração muito leve, um cromatismo muito contido de rosas e cinzentos  que eu acho de muito bom gosto.



Para além da marca a verde e da numeração que se vê impressa a dourado, há também um número inciso na pasta, o 2119.1, mas não sei qual o significado destes números.
Fundada em 1879 por Phillip Rosenthal na região de Selb na Alemanha, o nome Rosenthal é conhecido em todo o mundo ligado ao melhor fabrico de porcelana e de vidro.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Uma peça diferente...

 Esta é uma das minhas últimas aquisições, mais uma vez, como quase sempre, numa feira de velharias, desta feita em Aveiro. Muito suja, no meio de muita tralha e com duas esbeiçadelas na base, muito poucos euros chegaram para a trazer para casa.
Para além de ser uma peça diferente na decoração, intrigou-me a sua funcionalidade e além disso tinha várias marcas que me convidavam a descobrir-lhe a origem.
Aquela espécie de crivo ou escorredor, que tem no fundo, fez-me pensar inicialmente nas salvas para escorrer copos de aguardente como já tenho visto em faiança portuguesa, sendo o mais bonito que vi até hoje o que a Maria Paula apresentou num post de Novembro passado. No entanto, o facto de o fundo não ser plano fez-me descartar essa hipótese.


Também me pareceu demasiado requintado para se destinar apenas a lavar legumes para saladas ou frutas, na cozinha.  Parece-me mais uma peça de ir à mesa, nem sei se faria parte de um serviço completo.


Poderá ser um escorredor ou uma saladeira com esta engenhosa maneira de evitar que os legumes fiquem ensopados no molho, no fundo da taça.
A base em que assenta tem o mesmo diâmetro que é o  de um vulgar prato raso.

A marca que se vê no verso do prato que serve de base, um escudo a azul com uma rosa no interior, encimado pelas iniciais RMR de Roesler, Max, Rodach (não RVR como julguei de início), foi a primeira marca usada pela companhia de Max Roesler que se instalou na pequena cidade de Rodach, na Baviera , Alemanha,  em 1894. Iniciou a produção de porcelana e faiança  em 1895 e usou esta marca até 1910.


Acho o verso  muito bonito neste tom creme sem os dourados com os pezinhos em V muito delicados.


O motivo recortado neste dourado baço, lembra-me uma árvore da vida, com o tronco ao centro e os ramos a estenderem-se para ambos os lados.
Tem uma certa semelhança com as linhas vegetalistas ondulantes da estética Arte Nova e de repente, por associação de ideias, veio-me à mente a Casa da Secessão em Viena de Áustria, com a sua cúpula de folhas dourada  e o painel dourado sobre a entrada. Tanto este movimento austríaco como o Jugendstil na Alemanha são paralelos e estão muito próximos da corrente estética Arte Nova, termo mais conhecido por cá.


Gustav Klimt foi um dos nomes grandes do Secessionismo austríaco e aqui vemos a sua Árvore da Vida, não sendo certamente por acaso, ou por delírio da minha mente, que vejo coincidência no motivo entre a minha peça alemã e esta pintura de Klimt.
A minha peça foi produzida num período que corresponde ao auge destes movimentos e a cidade de Rodach, no centro sul da Alemanha, estava muito próxima das manifestações artísticas que seguiram essas correntes...

Casa da Secessão, Viena
A divisa do movimento a encimar a entrada
"Ao tempo a sua arte, à arte a sua liberdade"




P.S.  O Fábio Carvalho do Porcelana Brasil, no seu comentário, deixou o link http://rosenreslitraum.blogspot.com/2010/12/durchbruchmuster-max-roesler.html de um blogue alemão, onde se podem ver outras peças deste género de Max Roesler.
A Fabby de Fabby's Living deixou a informação de que se trata de um escorredor para lavar frutas como uvas e morangos. Faz todo o sentido porque assim poderão levar-se à mesa,  a escorrer para o prato.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Chávena e pires "trembleuse" com cenas de Watteau - "Trembleuse" cup and saucer with Watteau scenes

Nesta terça-feira de Tea Cup Tuesday e Tea Time Tuesday vou participar com uma chávena e pires "trembleuse", de porcelana alemã, mais propriamente da oficina de Helena Wolfsohn em Dresden, que decorou porcelana ao estilo rococó entre 1843 e 1883.


Comprei este conjunto na feira de velharias de Coimbra, ao fim de vários meses de namoro porque  o preço estava bem acima dos meus gastos habituais, numa altura em que não ousava tanto nas compras, mas também por ser uma peça cara tive a sorte de não ter sido vendida entretanto.


A verdade é que esta chávena e pires  para chocolate, mas que também pode servir para chá, com a vantagem de ter a tampa e assim manter a temperatura, atraía-me irresistivelmente por várias razões: nunca tinha visto uma trembleuse deste tipo ao vivo e a cores; a marca era minha conhecida,  sabia que havia uma original e uma  falsificada, por isso tinha alguma noção do que se tratava;

tinha as cenas românticas pintadas à mão como a restante decoração e um azul ou verde água que me fascina; era para mim novidade a delicada grade no pires, com o encaixe para a chávena; a tampa, com a pega em botão de rosa dourado, era um extra cheio de encanto e tornava-a diferente de todas as chávenas que tinha tido até então.
No entanto, estava (e ainda está) partida e mal colada numa zona da grade, o que a juntar ao preço, me fazia hesitar.
Bem, resumindo e concluindo, acabei por a comprar com uma pequena redução no preço e a partir daí já comprei outras peças da mesma cor, decoração e fabrico.
Para além dos modelos com grade ou com murete, há outros com um poço no centro do pires, onde encaixa a chávena.


As chávenas e pires "trembleuse", o termo francês adoptado para estes modelos a partir do verbo trembler, ou seja,  tremer, foram muito fabricadas e usadas no século XVIII, por Meissen, Sévres, Berlim, Worcester... mas continuaram a aparecer ao longo do século XIX. Destinavam-se obviamente a dar estabilidade à chávena quando segurada por mãos que tremiam, pela idade, pela doença... ou pela emoção!!!
Ao longo do século XIX esta também foi uma opção muito adequada para servir bebidas quentes nas viagens de longo curso, quer por via férrea, quer nos grandes transatlânticos que tantas vezes enfrentavam a agitação dos mares...


Num dos primeiros posts deste blogue, que dediquei às porcelanas de Meissen, a primeira porcelana europeia de pasta dura, fiz referência às fasificações a que foi sujeita a famosa marca das espadas cruzadas e também outras marcas usadas nos primeiros tempos de fabrico, a segunda e terceira décadas do século XVIII.


Uma delas, o monograma AR das iniciais de Augustus Rex, reportando-se ao Eleitor da Saxónia Augusto o Forte em cujo palácio a fábrica foi instalada, foi usada nessas primeiras décadas de produção apenas nas peças especiais de encomenda real. 
Na segunda metade do século XIX, houve uma oficina ou estúdio artístico em Dresden, conhecido pelo nome da artista de pintura em porcelana, Helena Wolfsohn, que a certa altura resolveu utilizar o AR a azul,essa marca especial de Meissen, para marcar as suas peças. Conseguiu fazê-lo durante algum tempo até que a manufactura de Meissen, a KPM, lhe levantou um processo e pôs fim a essa falsificação ou contrafação como lhe chamariamos hoje.


A mesma oficina tinha utilizado anteriormente como marca o D de Dresden encimado por uma coroa a azul.
A partir destes factos conhecidos consigo datar este exemplar entre 1870 e 1880.
As cenas galantes de Watteau (1684-1721), foram  popularizadas em porcelana ainda no século XVIII, mas mais ainda com o revivalismo romântico oitocentista. Continuaram a inspirar muitos artistas da porcelana durante o século XX, o que se pode ver, por exemplo, na produção de Limoges.

terça-feira, 28 de junho de 2011

A decoração "Margão" da Vista Alegre, o famoso "Zwiebelmuster" ou "blue onion pattern"

É  este o meu tema para participar esta semana nos eventos Tea Cup Tuesday e Tea Time Tuesday.


Como sou apreciadora  de porcelana e faiança azul e branca, o motivo  "Margão" da Fábrica de Porcelana Vista Alegre foi sempre um dos meus preferidos e assim fui reunindo um pequeno conjunto de peças que gosto de ver agrupadas. Apercebi-me a certa altura que este era um motivo muito vulgar na porcelana europeia, sobretudo na alemã e assim adquiri mais umas peças em porcelana alemã e checa com a mesma decoração,  que ficou conhecida em alemão por "Zwiebelmuster" e em inglês por "blue onion", ou seja, o "motivo cebola".

Foi esta a primeira peça que comprei no chamado "Margão" da Vista Alegre. É um prato de bolo com o verso em biscuit e uma marca, a de baixo, que começou a ser usada em 1980, sendo a outra já posterior. Não sei quando é que a Vista Alegre introduziu este motivo na sua porcelana, mas as peças que tenho têm todas marcas usadas a partir dessa data.
 
 
 
O frasco de chá e a chávena e pires são  também da Vista Alegre, ambas posteriores a 1980, mas a peça de faqueiro com cabo de porcelana, sem marca, é certamente de fabrico alemão e já centenária.


 Este modelo de recipiente, geralmente usado como cachepot, fazia parte dos ricos serviços de porcelana dos séculos XVIII e XIX, que reuniam centenas de peças, e penso que teria a função de frappé. Este é também da Vista Alegre e tem marca igual à do frasco de chá, a que se vê em cima, do lado esquerdo.


O prato de sobremesa é alemão, como se vê pela marca da prestigiada Hutschenreuther, mas foi comprado em Portugal, numa casa de artigos usados.


Esta é uma peça muito curiosa com o mesmo motivo, que trouxe como recordação de uma visita que fiz à afamada estância termal de Karlovy Vary na República Checa,  Karlsbad em alemão, já que pertenceu ao Império Austro-Húngaro  e também fez parte da Alemanha nazi. É uma caneca para beber água termal em que a asa serve também de bico por onde se sorve a água, lentamente, enquanto se passeia, pois ela brota a uma temperatura muito elevada. Na marca vê-se o nome de uma cidade checa, Dalovice, na região de Karlovy Vary.

  
Os talheres com cabo em porcelana foram um requinte introduzido no século XVIII nos hábitos dos europeus mais ricos. Estes creio que são alemães, mas foram comprados em Lisboa, na "Feira da Ladra". Todos têm este motivo, mas há também a variante em cor-de-rosa de que tenho apenas duas facas.


Ao contrário de outros fabricantes europeus, a começar por Meissen no século XVIII, a Vista Alegre assumiu a origem oriental deste desenho ao atribuir-lhe o nome da segunda maior cidade do que foi o estado português de Goa, na Índia - a cidade de Margão.
A origem do desenho é, no entanto, ainda mais oriental  já que ele terá chegado a Portugal e à restante Europa na decoração das porcelanas chinesas, recuando à época Ming. Na Alemanha este motivo foi adaptado e popularizado por Meissen e depois copiado por outros fabricantes, tendo ficado conhecido com o nome de Zwiebelmuster, já no século XIX. No final deste século, qualquer família burguesa alemã que se prezasse teria que ter um serviço de porcelana neste padrão. Zwiebel ou cebola foi o vegetal que os artesãos alemães associaram à forma  dos frutos exóticos representados em pratos chineses: romãs, pêssegos, limões e outros, pouco conhecidos por aquelas paragens.


Curiosamente, quando andava a fotografar as peças para este post, lembrei-me deste prato de porcelana chinesa azul e branca, que penso ter o motivo ou um dos motivos que terá inspirado o Margão ou Zwiebelmuster. É claro que na mão dos europeus ele ganhou outros contornos, um certo refinamento e ligeira assimetria no motivo central, talvez inspirada nos desenhos japoneses que entretanto também já tinham chegado à Europa.


No verso há elementos decorativos cujo significado desconheço, assim como desconheço a época em que o prato foi produzido, mas  comprei-o como um exemplar do século XVIII. 

With all this talking, I doubt Google Translator can provide a good version in English, the language used by most foreign visitors of this blog. Once again I'll have to apologize for the bad translation, but I do hope the general meaning will be understood.