Mostrar mensagens com a etiqueta Helena Wolfsohn. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Helena Wolfsohn. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Chá com amor! - Tea with love!




Desde o início de Fevereiro, e até ainda antes, as palavras amor, amore, amour, love, Liebe e muitas outras que não conheço mas que têm o mesmo significado, acompanhadas de coraçõezinhos, cupidos, flores, etc. aparecem por todo o lado a propósito do dia de S. Valentim.
Eu nunca namorei sob os auspícios de S. Valentim, era data que não se festejava em Portugal há três ou quatro décadas, já que não faz parte das tradições portuguesas, mas hoje em dia não há como escapar-lhe...
Até a Casa Fernando Pessoa está a comemorar este dia!


Já que calhou na terça-feira do chá e as minhas parceiras estrangeiras, sobretudo americanas e canadianas, andam a falar no S. Valentim há semanas, vou participar  no Tea Cup Tuesday e no Tea Time Tuesday com porcelanas decoradas com pares românticos.
 aqui  falei nas porcelanas alemãs de Dresden (ou de Saxe), e na oficina de Helena Wolfsohn que durante um certo período, no final do século XIX (c.1870-1880), usou como marca uma cópia do AR de Meissen, da sigla Augustus Rex (Augusto o Forte da Saxónia).



 É essa a marca da cafeteira e do açucareiro que comprei juntos na feira de Portobello Road em Londres. Também vinha a chávena de chá em quadrifólio, com uma marca diferente, de Coburgo na Baviera, que fabricava ao estilo de Dresden.


Tive assim o conjunto das três peças durante algum tempo, com a chávena sem pires a  parecer uma leiteira.



Marca de Coburgo, na chávena de chá

A decoração de qualquer delas é em tudo semelhante, até na cor, à chávena  trembleuse de que falei há tempos. Cá estão as reservas com pares românticos ao estilo de Watteau, intercaladas com flores e com molduras ou cercaduras de arabescos a ouro.
Normalmente estas cenas galantes  sobre porcelana são associadas a Watteau, mas correspondendo a uma moda na pintura francesa do século XVIII,  podemos associar-lhes outros nomes como Boucher, Lancret ou Fragonard, qualquer deles com pinturas deste estilo que ficaram famosas.



Pelas dimensões, as duas peças maiores terão pertencido a um conjunto individual ou a um tête-à tête para café e por isso lhes juntei a chávena de café, desta vez com a marca das espadas cruzadas de Meissen, do século XIX como as restantes peças.





Andei alguns anos a namorar a chávena, numa antiquária da Figueira da Foz, e só a comprei quando o preço baixou para o que eu considerei razoável. Mais tarde encontrei o pires, com a marca AR, e assim ficou mais completo o conjunto.



Todas as peças me parecem pintadas à mão e por isso é difícil encontrar dois pares românticos ou dois ramos de flores iguais e aquele tom de azul turquesa ou verde água (?), continua a encantar-me.



terça-feira, 23 de agosto de 2011

Chávena e pires "trembleuse" com cenas de Watteau - "Trembleuse" cup and saucer with Watteau scenes

Nesta terça-feira de Tea Cup Tuesday e Tea Time Tuesday vou participar com uma chávena e pires "trembleuse", de porcelana alemã, mais propriamente da oficina de Helena Wolfsohn em Dresden, que decorou porcelana ao estilo rococó entre 1843 e 1883.


Comprei este conjunto na feira de velharias de Coimbra, ao fim de vários meses de namoro porque  o preço estava bem acima dos meus gastos habituais, numa altura em que não ousava tanto nas compras, mas também por ser uma peça cara tive a sorte de não ter sido vendida entretanto.


A verdade é que esta chávena e pires  para chocolate, mas que também pode servir para chá, com a vantagem de ter a tampa e assim manter a temperatura, atraía-me irresistivelmente por várias razões: nunca tinha visto uma trembleuse deste tipo ao vivo e a cores; a marca era minha conhecida,  sabia que havia uma original e uma  falsificada, por isso tinha alguma noção do que se tratava;

tinha as cenas românticas pintadas à mão como a restante decoração e um azul ou verde água que me fascina; era para mim novidade a delicada grade no pires, com o encaixe para a chávena; a tampa, com a pega em botão de rosa dourado, era um extra cheio de encanto e tornava-a diferente de todas as chávenas que tinha tido até então.
No entanto, estava (e ainda está) partida e mal colada numa zona da grade, o que a juntar ao preço, me fazia hesitar.
Bem, resumindo e concluindo, acabei por a comprar com uma pequena redução no preço e a partir daí já comprei outras peças da mesma cor, decoração e fabrico.
Para além dos modelos com grade ou com murete, há outros com um poço no centro do pires, onde encaixa a chávena.


As chávenas e pires "trembleuse", o termo francês adoptado para estes modelos a partir do verbo trembler, ou seja,  tremer, foram muito fabricadas e usadas no século XVIII, por Meissen, Sévres, Berlim, Worcester... mas continuaram a aparecer ao longo do século XIX. Destinavam-se obviamente a dar estabilidade à chávena quando segurada por mãos que tremiam, pela idade, pela doença... ou pela emoção!!!
Ao longo do século XIX esta também foi uma opção muito adequada para servir bebidas quentes nas viagens de longo curso, quer por via férrea, quer nos grandes transatlânticos que tantas vezes enfrentavam a agitação dos mares...


Num dos primeiros posts deste blogue, que dediquei às porcelanas de Meissen, a primeira porcelana europeia de pasta dura, fiz referência às fasificações a que foi sujeita a famosa marca das espadas cruzadas e também outras marcas usadas nos primeiros tempos de fabrico, a segunda e terceira décadas do século XVIII.


Uma delas, o monograma AR das iniciais de Augustus Rex, reportando-se ao Eleitor da Saxónia Augusto o Forte em cujo palácio a fábrica foi instalada, foi usada nessas primeiras décadas de produção apenas nas peças especiais de encomenda real. 
Na segunda metade do século XIX, houve uma oficina ou estúdio artístico em Dresden, conhecido pelo nome da artista de pintura em porcelana, Helena Wolfsohn, que a certa altura resolveu utilizar o AR a azul,essa marca especial de Meissen, para marcar as suas peças. Conseguiu fazê-lo durante algum tempo até que a manufactura de Meissen, a KPM, lhe levantou um processo e pôs fim a essa falsificação ou contrafação como lhe chamariamos hoje.


A mesma oficina tinha utilizado anteriormente como marca o D de Dresden encimado por uma coroa a azul.
A partir destes factos conhecidos consigo datar este exemplar entre 1870 e 1880.
As cenas galantes de Watteau (1684-1721), foram  popularizadas em porcelana ainda no século XVIII, mas mais ainda com o revivalismo romântico oitocentista. Continuaram a inspirar muitos artistas da porcelana durante o século XX, o que se pode ver, por exemplo, na produção de Limoges.