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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Travessas antigas da Vista Alegre



Há motivos florais da Vista Alegre que foram sendo repetidos, não só nos mesmos modelos de serviços, mas também em serviços e peças diferentes, ao longo dos vários períodos de fabrico.
Daí resulta que muitas peças Vista Alegre são imediatamente identificadas, mesmo antes de as virarmos para ver a marca.


No caso desta travessa, começa por ser o modelo - formato, recortes e relevos -  a denunciar o fabrico. Tanto quanto eu sei, a Vista Alegre começou a usá-lo no final do século XIX e manteve-o nos serviços de jantar até há cerca de duas décadas. Quanto à decoração, aqueles tons de rosa e verde nos dois delicados raminhos também não enganam ninguém.



Não será este, no entanto, o motivo floral em rosas e verdes mais comum na porcelana Vista Alegre antiga. Antes, o que aparece em peças de serviço de chá modelo Garibaldi que aqui mostrei há pouco mais de um mês e que também decora uma linda travessa que, na sequência desse poste, foi partilhada pelo Arpose.


Quanto à outra travessa, pelo contrário, apresenta um modelo e um motivo floral que não deve ser comum, pois nunca o vi em mais nenhuma peça.


É uma decoração notoriamente de influência Arte Nova, com ramos de papoilas cheios de movimento em suaves tons pastel, complementados por filamentos ondulantes, sobre uma porcelana relevada e com ténues recortes na orla.


 As duas travessas apresentam marcas do mesmo período, 1881-1921, segundo a tabela de marcas da Vista Alegre, respetivamente  a marca nº 28, a punção, e a marca nº 22, a carimbo verde.



A segunda travessa foi ainda marcada com o nome de um estabelecimento comercial já nosso conhecido, a Casa Buisson, no Porto, como se pode ver na foto que se segue.


São peças que transportam memórias de infâncias longínquas, casas de avós, arroz doce branquinho e muito apuradinho, pintado a canela...
As duas estavam muito bem arrumadas no fundo de um armário, já não as via há algum tempo, mas como tenho andado em fase de mudanças parciais, a esvaziar armários para os mudar de sítio e ao respetivo conteúdo, ao passarem-me pelas mãos, pensei logo que mereciam ser as vedetas de um próximo poste... :)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Azulejos de fogão Arte Nova


O que me atraiu em primeiro lugar nestes azulejos foi o belo motivo floral em linhas Arte Nova.
Andei algum tempo a namorá-los, a vendedora pedia um preço acima do que estou habituada a pagar por azulejos dos século XIX e XX, mas eu não deixava de me sentir tentada, tratando-se do estilo Arte Nova que eu tanto aprecio.
Mas também me movia a curiosidade, não me pareciam bem azulejos tal como os conhecemos por cá. Pela forma e dimensões desconfiei desde o início de que se trataria de peças para revestimento dos grandes fogões de sala que eu já tinha visto em visitas a museus e palácios por essa Europa fora, além Pirinéus.


Acabei por comprar dois exemplares  com redução de preço (repeti a foto para ampliar o efeito) e vim para casa toda contente com eles, a estudar o local onde ficariam melhor, até agora sem grande sucesso...



 Entretanto,  fui tentar confirmar a ideia que tinha quanto ao uso que lhe era dado - para isso precisava de encontrar um não aplicado para ver a forma do tardoz - e eram efetivamente o que eu pensava.

Ravensburg stove do Museu Victoria & Albert em Londres

Fogão de cerâmica francês - séc. XIX

Fogão de cerâmica do Palácio de Catarina da Rússia em S. Petersburgo - foto da Wikipedia
O primeiro fogão de cerâmica ou de azulejos que vi foi na Áustria, onde se chama Kachelofen. É da mesma zona, de Ravensburg no sul da Alemanha, o primeiro exemplar que aqui mostro, datado pelo Victoria & Albert de cerca de 1450, mas segundo a Wikipedia, a tecnologia remonta ao tempo dos romanos e  ao seu hipocausto. Sendo um processo muito eficaz para a irradiação e manutenção de uma temperatura amena constante, é bastante económico em materiais de combustão, em geral a madeira, mas também palha ou aparas, por isso estão de novo a ser construídos e utilizados, pelo menos na Áustria.

Construção de um Kachelofen - foto da Wikipedia
A propósito do comentário do LuisY, resolvi acrescentar aqui o único exemplar que encontrei em museus portugueses, no Museu da Cidade em Lisboa, só que uma beleza e raridade destas encontra-se nas reservas...

Fogão em faiança da Real Fábrica de Louça ao Rato (1780-1816)
E agora, semanas depois de ter publicado o post, acrescento mais um fogão do tipo Kachelofen  existente nos nossos museus nacionais.



Trata-se do fogão que o LuísY referiu no seu comentário, existente no Palácio Nacional da Ajuda, na zona dos serviços da Secretaria de Estado da Cultura, e que a pedido dele foi fotografado expressamente para constar aqui. Agora fiquei curiosa em saber a sua história, certamente não foi cá fabricado...
Muito obrigada, Luís, por nos dar a conhecer um lindíssimo exemplar que veio enriquecer o post e que assim também beneficia de alguma visibilidade. Bem a merece e não entendo até por que razão, sendo um exemplar raro em Portugal, não é tratado como objeto museológico e tornado acessível aos olhos do público, no Palácio da Ajuda ou noutro museu nacional.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

As rosas de Mackintosh


Charles Rennie Mackintosh (1868-1928) foi um arquiteto escocês nascido em Glasgow, também designer de interiores e de mobiliário, considerado um líder do movimento Arte Nova em solo britânico.
No entanto, para muitos, ele foi além do seu tempo, criando um estilo original que introduziu o desenho modernista na arquitetura e nas artes decorativas.

A sua obra mais emblemática e a sua primeira encomenda foi o edifício da Glasgow School of Art (Escola de Arte de Glasgow), uma instituição em que ele próprio foi aluno embora, obviamente, num edifício anterior.
Todo o projeto incluiu a decoração dos interiores, para o que contou com a parceria da sua companheira, a artista Margaret Macdonald Mackintosh.
Vem tudo isto a propósito de, numa recente viagem que fiz à Escócia, ter tido a  oportunidade de visitar Glasgow e ter passado numa volta de autocarro turístico do chamado City Tour junto a este carismático edifício.
A fachada principal lembra, propositadamente, um edifício industrial, com muitas e enormes janelas quadrangulares rasgadas em paredes austeras de pedra escura. No entanto, logo na entrada veem-se trabalhos em ferro e outros pormenores arquitetónicos ao estilo Arte Nova.
Estando a viajar em grupo, não tive possibilidade de visitar o interior, minha grande frustração, mas trouxe da Escócia um souvenir que quero partilhar aqui com os meus amigos e pacientes leitores, muitos certamente apreciadores como eu da estética Arte Nova.



Não é mais do que um calendário de 2012 mas com cada um dos meses acompanhado de um desenho de Mackintosh ou da sua mulher Margaret, o que resulta num pequeno album de desenhos desta dupla de artistas.
Muitos dos desenhos apresentam rosas estilizadas que se tornaram conhecidas e facilmente identificáveis como rosas de Mackintosh.

Desenho para uma sala de música (pormenor)

Painel de gesso (pormenor)

Pormenor de um stencil de parede para a Hill House

A Rosa Branca e a Rosa Vermelha (pormenor)

Estas rosas passaram a figurar nas mais variadas decorações Arte Nova, em loiças, encadernações, ferros forjados, vitrais ... e eu até já tinha em casa peças com elas decoradas sem as relacionar com Mackintosh.


É o caso destas placas de majólica, bases para copos que tinha como sendo de fabrico alemão - têm uma marca que nunca consegui identificar - mas que entretanto, pelo desenho das rosas, admiti poderem ser inglesas ou mesmo escocesas. Com o comentário dos AM-JMV tive a confirmação de que são realmente alemãs e de cerca de 1910.


Também um livro do poeta inglês Alfred Lord Tennyson (1809-1892), datado de 1903, apresenta uma encadernação Arte Nova com um magnífico desenho na capa.


 Em baixo, nas guardas e nas páginas de rosto, belas composições com rosas de Mackintosh.



Não é aqui altura para falar dos poemas lindíssimos que integram esta obra, mas quem sabe, numa outra ocasião...

  


quinta-feira, 15 de março de 2012

Palacete Arte Nova


Na sequência da publicação que fiz da casa Arte Nova da Mealhada, a If - que já todos aqui conhecem como amável e sempre oportuna comentadora deste blogue - enviou-me várias fotos de um belo palacete de Lisboa em que se evidencia o estilo Arte Nova.
Este, por enquanto, é um resistente às investidas do camartelo...  


A fachada do edifício alonga-se por cinco corpos: três terminando em arco com cabeça de leão e pináculo central; dois, cada um com uma varanda, com cimalha reta. Oito urnas em pedra ornamentam a cimalha.
Fica situado numa rua pouco movimentada do Campo Grande e talvez por isso passe um tanto despercebido.
Apesar de um certo ar decadente, que me agrada, parece estar habitado e até tem um aspeto bem sólido. Esperemos que assim continue por muito tempo...


Destaca-se não só pelo rico trabalho de cantaria, mas sobretudo pelos belíssimos painéis de azulejos que foram desenhados, como é caraterístico neste estilo, para se integrarem em espaços específicos da frontaria que pretendem embelezar. Estes, no corpo central, apresentam um motivo com crianças ou putti a ceifar e a colher papoilas.


Sobre as varandas, em ferro forjado, a natureza pujante em forma de cisnes, caracóis e flores, de que se salientam os delicados e exóticos nenúfares.














Mais apontamentos florais em pequenos painéis de azulejos a ocupar espaços mais exíguos e também talhados na pedra das cantarias .
Pelos dados que se encontram na fachada, este palacete foi construído segundo projeto do arquiteto J. Coelho, em 1912, o que corresponde ao período de  influência Arte Nova na arquitetura em Portugal.
É, portanto, um edifício a comemorar o seu primeiro centenário!


Sendo um de vários exemplares Arte Nova  que felizmente ainda se encontram na cidade de Lisboa, nunca o vi referenciado em qualquer publicação ou na internet, e por isso, agradecendo à If o envio das fotos, aqui fica um pequeno contributo  para que seja mais conhecido, apreciado e preservado.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Azulejos Arte Nova numa casa da Mealhada


Esta casa de estilo Arte Nova situa-se mesmo no centro da pequena cidade da Mealhada e é por isso um edifício bem conhecido dos bairradinos.
Nela funciona há várias décadas a Farmácia Brandão, nome do primitivo proprietário, Augusto Brandão, que encomendou esta obra para ampliar e remodelar a antiga casa comercial da família. Segundo reza a história local, esta construção foi feita com dinheiro ganho no Brasil e o novo estabelecimento, que abriu como loja de "fazendas, mercearia, tabacos, transações bancárias, passagens para a África e Brasil", segundo publicidade na imprensa local, foi inaugurado em 1912.


Na fachada, não só os painéis de azulejos decorados com ramos de lírios em linhas coleantes, mas também outros elementos florais talhados na pedra, atestam bem o gosto da época.
No telhado, por cima da varanda, uma estrutura em ferro que, de acordo com testemunho oral, suportava uma bandeira de uso obrigatório nos estabelecimentos com venda de tabaco.
Também aqui se podem ver soluções arquitetónicas muito usadas nos edifícios Arte Nova: o revestimento do andar superior a telhas de lousa, imitando escamas de peixe e a inevitável presença de ferro forjado com linhas curvas e flores na pequena varanda do primeiro andar. Sempre as linhas orgânicas a dominar nos pormenores decorativos...


Aqui temos uma das portas laterais ladeada de montras, belíssimamente emoldurada por cantarias e encimada pelos magníficos azulejos. Um dos motivos talhados na pedra é o cacho de uvas, um dos ex-libris da Bairrada.


A fachada deste edifício sempre me atraiu pela sua beleza. O estilo Arte Nova é dos que conseguem reunir mais admiradores porque desenvolveu composições muito harmoniosas e  atraentes mesmo aos olhos de leigos nesta matéria.

Entretanto, há uns tempos reparei num pormenor dos painéis de azulejos que passou a concentrar as minhas atenções por um novo motivo.
É que há  inscrições que os atribuem à Fábrica da Fonte Nova (Aveiro), com as datas de 1911 e 1912.



Ora, segundo o ceramista José Queirós, o encerramento desta fábrica ocorreu em 1908 e segundo Artur de Sandão ainda antes, em 1904. Penso que esta última data será um engano motivado pela fundação em 1904 da Fábrica Aleluia, por João Aleluia e outros operários cerâmicos saídos da Fonte Nova, que estaria já nessa altura a atravessar dificuldades.
Mas será que este dado presente nos azulejos é fiável em relação à Fonte Nova? Se assim for, a data de encerramento da fábrica é posterior à indicada por José Queirós na bíblia para os amantes da cerâmica que é a sua obra "Cerâmica Portuguesa" datada de 1907 (posteriormente atualizada, pois só assim se compreende que contenha a data de encerramento de uma fábrica em 1908).
Bem, seja qual for a verdade dos factos quanto à Fábrica da Fonte Nova, uma coisa me parece certa em relação a este edifício mealhadense: assim remodelado, está a comemorar a bonita idade de cem anos... e em magnífico estado de conservação!


Postal da 2ª década do séc. XX, onde se vê a casa, à direita, com o estabelecimento comercial de Augusto Brandão
Entretanto, o seguidor deste blogue J.Saraiva veio amavelmente em meu auxílio e permitiu, com um link que deixou no seu comentário, que eu ficasse esclarecida quanto ao encerramento da Fonte Nova.
José Queirós não deixa de ter razão, já que a Empresa Cerâmica da Fonte Nova abriu falência em 1908, a sociedade que a explorava desfez-se e a fábrica de louça esteve à beira de fechar definitivamente. Só que dois antigos pintores da empresa, resolveram chamar a si a sua exploração, abriram assim um novo ciclo de laboração muito dedicado à produção de azulejos, e ela só veio a ser semi-fechada em 1930, com a morte do último desses proprietários. Esteve durante alguns anos quase sem atividade e depois, sendo de madeira, ardeu completamente num incêndio em 1937.

Na sequência do comentário de AM-JMV, resolvi  acrescentar aqui fotografias do interior da farmácia, onde se pode ver que estão bem preservados os materiais de acabamento e elementos decorativos originais.



Pode-se apreciar no interior, um delicado friso com motivo floral em tons pastel, já não de azulejos, mas, segundo creio, de vidro pintado.



Muito a propósito o slogan publicitário da ROC: a beleza não tem idade... o que se aplica não só às pessoas, mas também aos edifícios!!!

O arquiteto deste e doutros edifícios Arte Nova do distrito de Aveiro, incluindo os das Termas da Curia edificados entre 1909 e 1914,  foi Jaime Inácio dos Santos (1874-1942).


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Chávenas da Vista Alegre ao estilo Arte Nova - Vista Alegre cups in Art Nouveau style


Esta semana vou participar mais uma vez em  eventos ligados ao chá, ou seja no Tea Cup Tuesday e no Tea Time Tuesday e desta vez decidi-me de novo por um post bilingue...
This week, once again,  I'm taking part in tea-related events, namely Tea Cup Tuesday and Tea Time Tuesday and this time I went  for a bilingual post, again...

Deixo-me sempre seduzir pelas linhas Arte Nova, que acho um estilo cheio de elegância e requinte, leve e fluido nas suas formas ondulantes.
I always fall for the lines of Art Nouveau, which I find a style full of elegance and charm, light and fluid in its wavy forms. 
Da Vista Alegre, claramente neste estilo, tenho apenas duas chávenas e pires marcados, uma de chá e uma de café.
By Vista Alegre, clearly in this style, I only have two marked cups and saucers, a tea cup and a coffee cup.


Para criar um pouco de ambiente de época juntei às chávenas um espelho de mesa com moldura Arte Nova e ainda uma palmatória do mesmo estilo, com marca da WMF (Württembergische Metallwarenfabrik). Há uma terceira chávena e pires, de diferente fabrico, a que talvez reserve um outro post. 
To create a suitable period atmosphere I added a table mirror with Art Nouveau frame to the cups and also a candle holder in the same style, marked WMF (Württembergische Metallwarenfabrik). There is a third cup and saucer by a different maker, which I may deal with in another post.

 A chávena de chá, hexagonal tal como o pires, foi decorada com um delicado ramo de flores que me parecem anémonas, como são anémonas as flores do prato de porcelana Nymphenburg que está ao lado - flores muito presentes nas decorações desta corrente estética, a par dos lírios, jarros, lilazes, cravos e rosas.
The tea cup, of hexagonal form like the saucer, was decorated with a delicate bunch of flowers, which look like anemones to me, as anemones are the flowers on the Nymphenburg porcelain plate that stands next to it - very recurrent flowers in decorations found in this aesthetic movement, as are irises, calla lilies, lilacs, carnations and roses.

O pires tem ainda um suave relevo moldado na pasta, menos nítido na chávena, mas aquie vê-se também o pormenor da asa de um formato elaborado, mas elegante.
The saucer also has a soft moulded relief, less visible on the cup, but here you can see the detail of the handle, in an elaborate but elegant shape.


A marca corresponde ao período de fabrico da Vista Alegre que vai de 1881 a 1921, tendo sido usada a par com outras marcas.
 The backstamp belongs to the period of Vista Alegre production that spans the years between 1881 and 1921, although other backstamps were used during that period.


A segunda chávena, de café, para além das linhas coleantes em dourado tem um acabamento irisado que também é muito típico da porcelana da época.
The second cup, a coffee cup,  together with the golden  wavy lines, has an iridescent finish which is also typical of this period porcelain. 


De novo uma asa muito elegante, ao estilo da época.
Again a very elegant handle in period style.


Mais uma marca Vista Alegre do período1881-1921, neste caso só presente no pires.
Another Vista Alegre backstamp of the period 1881-1921, in this case only present on the saucer.