terça-feira, 22 de maio de 2012

Telhões de faiança





Este mundo dos blogues tem o condão de aproximar pessoas que, não se conhecendo pessoalmente a maioria das vezes, comungam dos mesmos interesses e paixões.
Isso aconteceu aqui de novo, muito recentemente, ao ser visitada por um colecionador de faianças que conta na sua coleção com alguns exemplares dos magníficos telhões que temos admirado em beirais nortenhos.
Os dois primeiros exemplares, que até agora não vi aplicados em beirais, encantam não só pelo motivo floral azul e branco, caraterística da maioria, mas também pela terminação de folhas em relevo, na extremidade que se vira para o exterior do beiral. Penso que em muitos casos este remate não fica visível devido à instalação de caleiras.


Este exemplar decorado com pássaros já nos é familiar por ser igual aos do último beiral que eu publiquei, de uma casa na aldeia de Grada, aqui na Bairrada.


Por sua vez os exemplares que se seguem, com decoração floral, apresentam o formato que seria utilizado nos cantos do beiral, como se vê em cima.



O próximo telhão, invulgar não só pela paleta de cores, mas por ser todo decorado em relevo, também nos é familiar. 



É igual aos que integram um beiral da Rua das Flores no Porto, que já aqui mostrei, infelizmente mal fotografado. Interessante o efeito decorativo das telhas juntas, completando um padrão como se de azulejos se tratasse.


Mais um exemplar com extremidade em relevo num motivo floral que eu já tinha visto na Ribeira, mesmo à beira do Douro, sem ter na altura máquina para o fotografar.


Felizmente este colecionador teve a amabilidade de me enviar a fotografia desse beiral 


e de mais este que também se situa na Ribeira e cujos telhões são iguais aos que fotografei no Largo de S. Domingos, na Rua de Cedofeita (e mais recentemente na Rua do Almada, mas não publiquei). Como se vê, estes estão em muito melhor estado de conservação... e além disso muito melhor fotografados...


Finalmente um telhão já incompleto mas com uma beleza cativante no seu  motivo de peixes e malmequeres, como o dos pássaros, e também como a maioria dos restantes em dois belos tons de azul sobre branco.


Quando se tenta atribuir origem de fabrico a estes belíssimos materiais cerâmicos, infelizmente não marcados, vem à baila o nome de Santo António de Vale da Piedade, mas também o da Fábrica das Devezas, ambas em Gaia. Tal facto foi-me de novo referido por este nosso amigo e colecionador que se dá a conhecer como Franm57 e a quem me resta agradecer esta generosa partilha de tão rica e invejável coleção.
Só mais uma curiosidade: no final do século XIX (1886), a Fábrica das Devezas instalou uma filial na vila da Pampilhosa, importante entroncamento ferroviário no concelho da Mealhada, com o cruzamento ali da Linha do Norte com a Linha da Beira Alta. Essa unidade dedicou-se ao fabrico de materiais cerâmicos para construção, sobretudo vários tipos de telhas e cumes. Tem-me ocorrido que o facto de se encontrarem nesta zona e em Coimbra quatro casas com telhas ou telhões pintados de faiança se possa dever à proximidade dessa unidade fabril que as terá fabricado, pelo menos na sede em Gaia.
Sou ainda levada a pensar, por comparação com peças cerâmicas para arquitetura que o LuísY postou e que estão marcadas Fábrica de Sto António Porto, que os telhões com terminação de folhas em relevo a azul deverão ser  fabrico de Sto António de Vale da Piedade. 
O que apresenta relevo a branco, o sétimo da série, será Devezas, segundo informação do colecionador, que me chegou entretanto.


Para rematar o post com chave de ouro, ele enviou-me há pouco um telhão marcado Fábrica de Sto António Porto, algo que penso seja muito raro.
Mais uma vez obrigada. 
Embora a decoração seja muito semelhante à do telhão das Devezas, nota-se no de Sto António um processo de fabrico mais artesanal. Não nos podemos esquecer que a Fábrica das Devezas, fundada em Gaia em 1865 por António Almeida da Costa, é considerada a primeira unidade verdadeiramente industrial no ramo da cerâmica, na área do Porto.



54 comentários:

  1. Dear Maria Andrade,
    I always admire portuguise tiles. But those Telhões are so special. I wonder why I have never noticed such decorated Telhões when I was in Portugal. Thank you for sharing this precious photos.
    Wiski is in the house now because it will rain soon. He is bored and behaves like a little boy who want to play outside. :-)
    Best greetings, Johanna

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    1. Hello Johanna,
      I don't know what part of Portugal you've been to, but you can only find these roof tiles in the North, in old buildings, and there aren't many left any more.
      That's why some of us have been photographing the ones we can still find, before they disappear, hoping they won't...
      Wiski is a good companion, it must be like having a kid in the house, so enjoy his company!
      Hugs

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  2. Olá Maria Andrade,
    De facto o requinte, o enquadramento e a beleza são fantásticos.
    Obrigado pela partilha.
    Cumprimentos, js

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    1. Caro JS,
      Gosto de o ver por aqui de novo!
      Não haja dúvida que estes materiais cerâmicos são um motivo de contentamento para os amantes de faiança, e é sempre uma emoção descobrir mais algum dos poucos que ainda restam.
      Cumprimentos

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  3. Olá Maria
    Lindíssimas as peças que nos mostra e que caracterizam tão bem os beirais do Norte. Aqui pelo Sul, talvez pelas especificidades do clima, nunca encontrei nada semelhante.
    Cumprimentos.
    if

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    1. Olá IF,
      Embora já tenha aqui publicado vários beirais, é sempre com muito gosto que partilho mais algum... e neste caso, os belos telhões.
      Estes beirais mais salientes são sobretudo necessários em zonas muito chuvosas, como acontece no Norte, e por isso não os encontra por aí.
      Um abraço

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  4. Olá Maria Andrade
    Mais uma vez vim aqui aprender mais um pouco sobre arte. E desta vez surpreendi-me com o meu total desconhecimento destes telhões, pois nunca os tinha visto antes, nem nos telhados das casas nem em peças soltas.
    Excelente pesquisa fotográfica, e conhecimento sobre as fábricas portuguesas.
    Muito interessante, como sempre.
    Um abraço
    AMCaetano

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    1. Olá Ana Caetano,
      Também não é há muito tempo que estou atenta a estes beirais. Se não me engano, fui alertada para eles por um post do blogue "as coisas de que eu gosto" da Maria Paula, que sei que também segue.
      Felizmente neste nosso Portugal que tantos consideram pobrezinho e falido temos muitos motivos de interesse, em património artístico e natural, que nos são dados a apreciar de forma gratuita, basta andar de olhos bem abertos e atentos.
      E isso também deve ser motivo de orgulho para todos nós.
      Abraços

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  5. Que belos telhões! Há pouco tempo andei a vaguear pelas ruínas de uma casa senhorial perto do paço de Monte Real e quando começei a mirar os beirais, alertada pelo que por aqui vejo, descobri que o beiral seria feito com telhas de cerâmica verde e com folhas em relevo, só que está tudo em tão mau estado que não creio que mesmo que quisesse, conseguisse tirar uma boa foto... A maioria caíu e no chão encontram-se muitos bocados mas muito pequenos... O interior foi completamente esventrado! Teria belos tectos em caixote, frescos e azulejos de que restam apenas bocados... A unica coisa que resta, nem sei como, são os fogões de sala em Pedra (enormes e austeros).
    Obrigado pela partilha.
    Cumprimentos,
    Ana Silva

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    1. Olá Ana Silva,
      É sempre compensador andarmos atentos ao cimo dos prédios antigos, e esse é um desafio que foi lançado pelo LuisY há mais de um ano nesta comunidade de blogues.
      Encontram-se materiais cerâmicos muito interessantes que, estando à vista de todos, não são muito acessíveis ao nosso olhar por estarem num plano muito elevado.
      É uma pena continuarmos a perder belos exemplares do nosso património arquitetónico, sem que ninguém com poder a nível local, queira ou possa evitar a ruína.
      Resta-nos ir fotografando.
      Um abraço

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  6. Olá Maria Andrade.

    Gostei muito deste seu post sobre telhões.
    Trouxe-me à memória a casa do meu bisavô na Rua das Flores no Porto.Ficava do lado esquerdo da rua, quem a desce, quase no começo. A foto do seu post parece ter sido tirada a esse prédio.

    Abraços

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    1. Olá Joaquim Malvar,
      Obrigada pela sua visita e pelo comentário.
      A Rua das Flores tem alguns edifícios notáveis e este é realmente do lado esquerdo quando se desce.
      Seria uma coincidência muito agradável, se eu tivesse fotografado o beiral da casa do seu bisavô.
      Também tenho curiosidade em saber se aí por Trás-os- Montes haverá destes beirais, em Chaves, por exemplo.
      Será que já andou atento ao cimo dos prédios? :)
      Um abraço

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  7. Olá Maria Andrade
    Fiquei sem fôlego! Tantos e tão bonitos telhões! O último é de uma beleza fora de série. Obrigada a si ao Franm57.
    Continuo de nariz para o ar, mas, com bastante pena minha nunca mais vi nada :(
    Abraços

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    1. Olá Maria Paula,
      Partilhamos o gosto por estes materiais e também é para mim uma alegria quando vejo novos exemplares.
      Neste caso, foi um deslumbramento... :)
      Admira-me que não haja nenhum beiral destes aí por Braga, ou em Guimarães que lhe fica também tão próxima.
      Já tenho fotos de mais beirais que me foram enviadas pelo Franm57, mas ficarão para outro post.
      Beijos

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  8. Que interessante!!!!

    Os blogs são sem dúvida uma das maneira mais inteligentes de usar a internet e este post é uma prova evidente disso.

    Adorei as telhas do coleccionador seu seguidor, bem as imagens das localizações para as quais elas foram concebidas. É uma colecção muito curiosa, rara e constitui uma forma de guardar a memória de uma decoração que só existe no Norte e Centro de portugal.

    Concordo consigo ao atribuir as telhas a Santo António do Vale da Piedade ou Devezas, mas nunca se sabe.

    As telhas estarão marcadas?

    Abraços para si e para o coleccionador, que é certamente alguém de muito bom gosto

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    1. Pois é, Luís, foi uma sorte este colecionador ter descoberto aqui os posts sobre beirais de faiança.
      Quanto a estas peças estarem marcadas, penso que a maioria não está e depreendo que também não estão estas 8 que publiquei inicialmente.
      Só depois fui informada pelo colecionador de que a 7ª é das Devesas, mas não sei como ele obteve a informação.
      Finalmente hoje de manhã recebi a cereja no topo do bolo que é a telha marcada SAVP.
      E pensar que tudo começou no seu blogue com o desafio para andarmos de nariz no ar à procura de materiais cerâmicos no topo dos edifícios... :)
      Um abraço

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  9. Olá Maria Andrade.

    Parabéns pelo excelente post, extensivo ao colecionador Franm57 - amavelmente quis partilhar os seus telhões em faiança - só vieram acrescentar mais valia aos posts anteriores sobre o tema - peças isoladas no contraste dos beirais corridos.
    Amazing!
    A particularidade de um exemplar assinado é muito interessante.Nota-se uma pintura soberba principalmente no peixe - corpo em esponjados, os pássaros muito bem delineados.
    Um património a preservar para as gerações vindouras no alertar de mentalidades para o que existe de belo e precioso referente a uma época de glamur na arquitetura neste País à beira mar plantado.

    Beijos

    Isabel

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    1. Olá Maria Isabel,
      Já sabia que iria apreciar este post, amante de faianças como é, sobretudo de faiança portuguesa.
      Os beirais são muito bonitos, mas estas peças isoladas conseguem ter uma beleza muito particular, completamente inesperada e única.
      Também faço votos para que o que resta deste património seja preservado para as futuras gerações de portugueses... e para todos os que nos visitam, desde que sejam alertados para a sua existência...
      Beijos

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  10. Sabe, aqui no Sul nunca vi uma dessas telhas a ser vendida e sabe Deus as feiras e casas de velharias que tenho visitado. O Museu Nacional do Azulejo tem umas 2 ou 3 telhas dessas expostas e é tudo.

    Obrigado pelas suas palavras. O desafio foi facilmente aceite por todos, pois nesta comunidade de bloguers reuniu-se um grupo muito interessado e curioso, que atrai outras pessoas também amantes de antiguidades como a If, o Franm57 ou a segunda seguidora Anónima (que anda outra vez desaparecida e certamente iria adorar a telha com o peixe)

    presumo que SAVP seja Santo António do Vale da Piedade

    Abraços

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    1. Luís, é uma satisfação muito grande encontrar por aqui tantas pessoas interessadas nestas coisas, torna-se muito compensador fazer estes posts...
      Também já vi essas telhas do Museu Nacional do Azulejo e até as fotografei, só que entretanto até me tinha esquecido que tinha essas fotos.
      Fui revê-las ao MatrizNet para ver se alguma estaria identificada e efetivamente há pelo menos uma de Sto. António de Vale da Piedade (ou SAVP, a sigla que tem sido usada pelo Franm57 e que eu adotei para evitar o nome tão comprido) mas se tem marca não está visível na fotografia.
      Há tempos vi algumas telhas destas num antiquário de Faro, mas para além disso só as vi à venda no Porto.
      Mas basta vê-las nos beirais para me encherem de contentamento :)
      Um abraço

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  11. Lá consegui encontrar um bocadinho para comentar estas telhas magníficas!
    Só bastante tarde na vida consegui identificar estes beirais, mas foi necessário colocar o nariz para o alto, pois passam despercebidos ao incauto transeunte.
    Em Moçambique nunca vi nenhum (nem creio que se justificassem), em Coimbra, só os encontrei raras vezes, e em Lisboa não me lembro de ter visto um com estes telhões decorados com esta riqueza.
    Muito possivelmente estará relacionado com o facto destes beirais serem especialmente largos e permitirem uma proteção mais eficaz das paredes contra as chuvadas que se fazem sentir mais a norte do país.
    Efetivamente, a sul, dificilmente se encontram estes beirais.
    O telhão com a decoração de peixes faz as minhas delícias, e a forma dos que adequavam aos cantos têm um encanto que os torna peças de arte por si mesmos.
    É muito raro encontrar estas peças à venda (nunca vi nenhuma) o que faz esta mostra tão mais interessante e fora do vulgar.
    Obrigado por nos ter trazido aqui estas peças.
    Manel

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    1. Manel,
      Estes azuis sobre branco numa forma tão diferente do que estamos habituados a ver em objetos de uso comum - pratos, terrinas, bules, vasos, etc.- têm este condão de nos deslumbrar a todos.
      Concordo consigo em relação à beleza do telhão dos peixes, mas também gosto imenso do dos pássaros e realmente os que eram usados nos cantos também são surpreendentes!
      Como eu gostaria que houvesse mais beirais destes também para o Sul, mas realmente os beirais largos são mais adequados à pluviosidade do Norte e foi para os decorar por baixo que estes telhões foram pensados.
      Até já me lembrei que o turismo do Porto ou de Gaia podia organizar um roteiro dos beirais de faiança e convidar as pessoas a munirem-se de binóculos para os irem observar calcorreando as ruas antigas... uma espécie de observadores de pássaros citadinos... LOL.
      Um abraço

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  12. Olá Maria Andrade,

    Muito obrigado e parabéns pelo excelente post! Mesmo na correria, quando vi seu post no Google Reader eu tive que parar para vê-lo! Parabéns e obrigado também ao generoso colecionador, que nos permitiu fotos destas maravilhas!
    Engraçado os telhões serem vistos e conhecidos mais no centro e norte de Portugal, pois aqui, tão longe, no Rio de Janeiro, eu já tinha certa familiaridade com eles desde criança. A começar por aqueles das corujinhas (que sempre amei) em meu colégio. Em Itaipava há uma fábrica cerâmica bastante recente (fundada em 1952) que faz estes telhões.
    E há o magnífico acervo no Museu Castro Maia, a Chácara do Céu, na floresta da Tijuca, onde há vários, mas não expostos como relíquias, mas sim instalados nos telhados. A Chacara do Céu não foi criada como museu, mas era antes a residência do Castro Maia, e por isso todos os telhões e painéis de azulejos (muitos, muitos e MUITOS!) estão instalados da forma como foram pensados quando criados: nos beirais de telhados, e em paredes, mesmo externas, respectivamente. Acho que é muita sorte ter este patromônio aqui em minha cidade, tão perto de casa.
    Neste meu album no Picasa, há fotos de alguns (apenas alguns!!) dos painéis de azulejos e telhões da Chácara do Céu.
    https://picasaweb.google.com/118419207112475164272/AzulejosAntigosNoRioDeJaneiro?authkey=Gv1sRgCJrX2LX57PPwHw
    O mais curioso: do telhão com os pássaros, que eu adorei, há um na Chácara do Céu A 3 CORES!
    https://plus.google.com/photos/118419207112475164272/albums/5553554771938005153/5553574743854070978?banner=pwa&authkey=CJrX2LX57PPwHw
    Bom, fico por aqui pois já estou abusando do espaço neste meu comentário.
    beijos!
    Fábio

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  13. PS: quando vc se referiu às ruas de Cedofeita e Almada, até me deu calafrio na espinha, visto que passei o mês de abril inteiro no Porto, e estas ruas (e tantas mais na encantadora cidade do Porto) se tornaram passagens corriqueiras para mim, a ponto de quando li os seus nomes escritos, instantaneamente me veio imagens das ruas (e cercanias) na cabeça. A Almada então, eu cruzava todos os dias, várias vezes ao dia!
    beijos

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  14. Querida Maria Andrade, perdão pelo terceiro comentário, mas é só para dizer que empolgado por este post teu, acabei fazendo um post também sobre os telhões aqui no Rio de Janeiro:

    http://porcelanabrasil.blogspot.com.br/2012/05/telhas-coloniais-luiz-salvador.html

    beijos!

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    1. Caríssimo Fábio,
      É com imenso gosto que o vejo por aqui de novo e pode comentar as vezes que quiser porque vem sempre acrescentar algo de interessante e de muito agradável.
      Quando fiz o post lembrei-me de si por duas razões: Primeiro, pensei que ainda estaria no Porto e que teria oportunidade de ir ver estes beirais in loco sabendo as ruas em que se encontram (não sei se chegou a ver algum ao vivo e a cores).
      Segundo, lembrei-me que o Fábio fez referência às telhas das corujinhas do seu antigo colégio (não sei se aqui se no blogue da Mª Paula ou do Luís) e tentei ir vê-las no seu blogue, mas não as encontrei. Só consegui rever as da cerâmica Luiz Salvador, cópias das antigas. Percebo agora que as vimos no seu album no Picasa de que já tinha deixado o link nessa altura.
      E mais uma vez quando refere aqui o Museu Castro Maia no Rio de Janeiro fico cheia de pena de não ter ido visitar esse espaço e acervo belíssimos quando lá estive.
      Mas hei-de lá voltar um dia...
      Não me lembro de ter visto nas fotos os telhões dos pássaros a cores, mas quando tiver tempo volto lá para rever tudo :)
      Agora vou ver o seu novo post.
      Ainda bem que nos vamos inspirando uns aos outros, estas belezas bem o merecem!
      Beijos

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    2. As corujinhas, e todas as demais telhas estão agora reunidas no novo post, que apresenta 2 fotos da Chácara do Céu que não estão naquele álbum Picasa.
      Eu estive no Porto apenas em abril passado. Peguei todo o frio e chuva possível, ruas vazias e tristes, e sim, vi muitos beirais belíssimos, e não apenas isso, é claro! Aquela cidade é absurdamente linda e encantadora.
      beijos!

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  15. Acabei de visualizar o post do Fábio no Brasil e gostaria de acrescentar como mera curiosidade que o telhão das andorinhas foi adquirido a uma pessoa que me disse que este telhão tinha vindo do Brasil de uma casa que foi demolida... a informação vale o que vale mas a ser verdade, terá ido e voltado para a cidade de origem.
    A disposição fotográfica do post da Maria Andrade e os descritivos "só" vieram ajudar a realçar a beleza destas peças de arte que continuam a ser apreciadas decorridos mais de 150 anos desde o começo da sua produção.Bem hajam todos os que dedicam parte do seu tempo a divulgar arte, acima de tudo Portuguesa!

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    1. Franm57, como estas andorinhas já voaram!
      abraços

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  16. Sobre telhões não há muita matéria mas o site do Solar do Jambeiro tem documentação descritiva e fotográfica que recomendo para os apreciadores destas peças.
    http://www.solardojambeiro.com.br/
    no capitulo restauro, telhas de beiral.

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    1. e lá estão as andorinhas! estão ficando vulgares, agora ;-)
      abs

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  17. Seja bem vindo aqui, Franm57!
    Já se sentia a falta de um comentário do colecionador de bom gosto que proporcionou este post, disponibilizando as fotos dos seus belos telhões de faiança.
    E também gostei muito de ter acesso ao site do Solar do Jambeiro que complementa muito bem o post do Fábio sobre a coleção do Museu Castro Maia.
    Muito obrigada aos dois pelo entusiasmo que dedicaram a este assunto.
    Abraços

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    1. Olá,
      Eu fiz uma pesquisa no Google para ver fotos do Solar do Jambeiro, e fiquei IMPRESSIONADO com a sinfonia delirante de telhas e principalmente azulejos portugueses!!! Agora assim que tiver tempo vou dar um pulo no Ingá, pois além deste Solar, possui vários outros casarões lindíssimos, e faz tempo que não ando por lá.
      abraços

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    2. Olá Fábio.
      Excelente, estou certo que todos ficaremos impacientes à espera do registo fotográfico das maravilhas que vai encontrar.Cumprimentos

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  18. Cara Maria Andrade, obrigada pela magnífica partilha e pesquisa. O Luís tem toda a razão quando diz que ficaria encantada com o telhão do peixe (já me vai conhecendo o gosto:)). Apesar de raramente comentar tenho seguido o blog do Luís e claro também o seu e estão como sempre ambos de parabéns. Recentemente a Maria fez um post onde mencionava a ELAD e António Augusto Çonçalves. Assim que tiver um tempinho irei enviar-lhe uns materiais muito interessantes sobre o tema.

    Um abraço, CC (Segunda Seguidora Misteriosa)

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    1. Cara CC,
      Obrigada pelo simpático comentário, tenho muito gosto em a "ver" por aqui.
      Estes telhões tiveram o feitiço de atrair aqui um conjunto de pessoas que são grandes entusiastas da faiança portuguesa, como também é o seu caso.
      O telhão do peixe é um verdadeiro mimo!
      Cá fico a aguardar os materiais que tem sobre António Augusto Gonçalves e a ELAD, que desde já lhe agradeço. Um abraço

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  19. Olá Maria Andrade,
    Encontrei, via Google Street View, mais um conjunto de nossas amigas telhas de beiral em um pequeno sobrado bem simples na região da Central, no Rio de Janeiro:
    http://porcelanabrasil.blogspot.com.br/2012/08/telhas-de-beiral-e-azulejos-na-zona-da.html
    Mais um que preciso ir in loco fotografar... a lista só cresce!
    b'jinhos!

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    1. Muito obrigada, Fábio, pelo cuidado em vir aqui deixar esta informação.
      Como passo regularmente pelo seu blogue, já tinha apreciado o beiral, mas nunca é demais chamar a atenção para estas belezas.
      Bjs

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    2. Olá Maria Andrade, tudo bom?
      Como sei que você, como eu, gosta dos telhões de beiral, vim contar que encontrei um terceiro imóvel no centro do Rio com telhões!
      http://azulejosantigosrj.blogspot.com.br/2012/09/centro-xvi-rua-teofilo-otoni.html
      bjs
      Fábio

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    3. Desta vez, como estive uma semana fora de casa, ainda não tinha visto o novo beiral que descobriu no Rio. Agora já o fui ver no seu novo blogue.
      Obrigada novamente pela chamada de atenção.
      Bjs.

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    4. Nada chato, Fábio, longe disso, fico-lhe agradecida!
      Assim vai-nos alertando para os beirais que vai descobrindo no Rio. Mas melhor ainda será quando os puder fotografar e os pudermos admirar...

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    5. Obrigado, Maria Andrade!!
      Alguns casos de casarões com telhão de beiral eu até já fotografei com minha própria câmera, que tem um ótimo zoom, mas é tanta coisa que venho coletando, e tanta outras coisas da vida e do trabalho para resolver, que não tenho dado conta de publicar todo o material.
      Você por acaso viu o post sobre o Museu Histórico Nacional?

      http://azulejosantigosrj.blogspot.com.br/2012/09/centro-xviii-museu-historico-nacional.html

      É um quarteirão imenso, todo com telhão de beiral. São certamente recentes, pois a construção é de 1922, mas são bonitos como os mais antigos.
      beijos!!

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    6. O Fábio tem publicado a um ritmo que eu não tenho conseguido acompanhar... ;)
      Mas já fui ver, obrigada.

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    7. Embora eu tenha descoberto por estes últimos dias vários imóveis desfigurados no Rio de Janeiro, azulejos e telhões de beiral removidos, também tive uma ótima notícia sobre aquele prédio de Santa Teresa que no Google Street View aparecia em obras. Ele está lindo, impecável como novo!
      http://azulejosantigosrj.blogspot.com.br/2012/09/santa-teresa-ib-rua-andre-cavalcanti.html
      b'jinhos!

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    8. Obrigada mais uma vez, Fábio.
      Já fui ver esse e mais outro e outro...
      Que maravilha ainda existirem tantos beirais com telhões no Rio de Janeiro!
      Bjos.

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    9. Obrigado à você, por acompanhar lá o blog. Ainda há vários outros imóveis com telhões de faiança pintado por aqui no Rio, para a minha felicidade, que ainda não publiquei lá no blog.
      E este teu post me serve sempre de referência para comparar os desenhos dos telhões.
      b'jinhos!

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  20. Olá Maria Andrade, tudo bom?
    Voltei aqui para transcrever para você este pequeno texto que encontrei em um jornal online, sobre os azulejos na cidade do Porto:

    "Esta nossa cidade - seja dito para aquelas pessoas que porventura a conhecem menos - divide-se em três regiões, distintas por fisionomias particulares. A região oriental, a central e a ocidental. O bairro central é o portuense propriamente dito; o oriental, o brasileiro; o ocidental, o inglês. (...).
    O bairro oriental é principalmente brasileiro, por mais procurado pelos capitalistas que recolhem da América. Predominam neste enormes moles graníticas, a que chamam palacetes; o portal largo, as paredes de azulejo azul, verde ou amarelo, liso ou de relevo; o telhado de beiral azul; as varandas azuis e douradas; (...)."

    in " Uma Família Inglesa", Júlio Dinis, 1868

    Veja só! Talvez não seja à toa que venho encontrando tantos casarões aqui com beirais de telhão em azul/branco! Isto era visto no Porto do século 19 como uma característica de uma "casa brasileira"!!!

    b'jinhos!

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    1. Caro amigo Fábio,
      Muito obrigada por esta interessante achega.
      Ando há anos para reler "Uma Fanília Inglesa", que li ainda adolescente, à espera de encontrar referências à faiança inglesa usada no Porto, mas afinal aparecem estas referências tão importantes aos materiais cerâmicos para construção.
      Já fui consultar o romance e encontrei o extrato que o Fábio transcreveu no capítulo IV.
      Só tenho pena que não tenha deixado este comentário no último post, para ficar mais acessível aos nossos amigos, mas eu vou lá acrescentar ao texto a informação com o extrato.
      Estes palacetes não eram propriamente vistos no Porto como "casa brasileira", mas como "casa de brasileiro", ou seja, os emigrantes portugueses regressados do Brasil depois de lá fazerem fortuna, que queriam mostrar o sucesso nos negócios construindo estas casas muito vistosas, com muitos elementos decorativos, na altura criticadas por sinal de ostentação e falta de gosto, mas que agora tanto apreciamos.
      Já dizia Camões: "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades... todo o mundo é composto de mudança..."
      Beijos

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    2. Os novos-ricos sempre incomodam o status quo, pois além de serem uma ameaça que se apresenta, são vistos como pessoas sem refinamento, sem tradição, etc. É sempre assim, mas com o tempo, os ciclos se alternam, as elites se renovam, e a história segue.
      Perdão por ter colocado este comentário aqui, mas o fiz por saber que é um dos teus posts mais visitados e comentados, e a citação tinha relação com o assunto do post.
      b'jinhos!

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  21. Olá Maria Andrade, já estou eu aqui de volta. Achei esta foto de parte de um beiral com telhões, que segundo a legenda, é da Ribeira, no Porto. Não sei se é o mesmo imóvel que já aparece acima, mas comparei as telhas e outros detalhes dos prédios, e apesar de ser o mesmo padrão, acho que é outro prédio.

    http://www.flickr.com/photos/43789968@N05/4254524935/sizes/l/in/faves-jotacartas/

    b'jinhos!

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    1. Olhe Fábio, não me parece o mesmo beiral, o que não me surpreende porque há dois beirais de telhões na Ribeira com o mesmo motivo. Nunca mais me preocupei em voltar lá para fotografar o segundo, já que tinha esta foto de um deles que me foi enviada pelo nosso amigo colecionador de telhões.
      Sempre atento e em pesquisa permanente!
      Obrigada por me ir dando conta do que encontra.
      Bjs.

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  22. Olá,
    neste link há uma foto dos telhões em relevo policromados.
    b'jinhos

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    1. Obrigada, Fábio, vejo que são do Banco de Materiais da Câmara do Porto.
      Já destinei que na próxima ida ao Porto irei sem falta ao Palacete dos Condes de Balsemão apreciar esta importante recolha de materiais cerâmicos.
      Bjos

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