quarta-feira, 22 de setembro de 2010

As espadas cruzadas de Meissen

 Esta é certamente a mais famosa marca de porcelanas, sujeita a falsificações    em toda a Europa, sobretudo durante o séc. XIX.  Há várias versões mas todas muito semelhantes.
No primeiro período de fabrico, primeira metade do séc. XVIII, utilizaram-se outras marcas em peças especiais: AR - Augustus Rex e KPM - Königliche Porzellan Manufaktur (Real Manufactura de Porcelana) sobre as espadas, a atestar a ligação ao poderoso eleitor da Saxónia.
Curiosamente também estas duas marcas foram falsificadas no séc. XIX, sendo a falsificação mais conhecida a da oficina de Dresden de Helena Wolfsohn, que utilizou o AR em muitas das suas peças até ser impedida de o fazer por uma acção movida pela fábrica de Meissen.



Este pires, em perfeito estado de conservação, é igual a um dos meus pequenos tesouros que foi comprado numa feira de rua em Viena de Áustria, por apenas 10 euros porque tem duas esbeiçadelas. A marca que tem no verso é a nº 5, a que tem uma estrela entre as espadas. Corresponde ao chamado período Marcolini  de finais do séc. XVIII.

                                 

5 comentários:

  1. Infelizmente não tenho nenhum Meissen em casa

    Vi vários nos Museus, mas à distância, sem os poder tocar acariciar. Depois, por ocasião duma pesquisa na net acerca duma figurinha alemã em biscuit que possuo, voltei a ver dúzias de estatuetas de Meissen nos antiquários americanos on-line e achei-lhes uma graça doida, mas a fotografia, nunca é a mesma coisa que ver ao vivo

    Só há pouco tempo, num antiquário a caminho de Aveiro pude ver e tocar uns pratos Meissen genuínos, com a marca das espadas e fiquei encantado com a qualidade da pintura e percebi a razão da fama imemorial desta fábrica.

    Provavelmente já leu o livro, mas não posso deixar de evocar o extaordinário livrinho de Bruce Chatwin, "Utz", escrito à volta de um coleccionador de figurinhas de Meissen, que vivia em Praga, nos anos de chumbo do comunismo.

    Abraços

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  2. Olá Luís
    Obrigada pelos seus comentários.
    Não conhecia o livro q refere, mas já tomei nota e da próxima x q for à fnac ou à Bertrand hei-de procurá-lo.
    Não sei se já viu a sala das porcelanas de Meissen do Palácio da Ajuda. Inclui mobiliário, candeeiros e muitas figurinhas que pertenceram a D. Maria Pia, oferta de um tio da Saxónia. São peças fabulosas de requinte e primor artístico, verdadeiras obras primas de arte em porcelana. Esta fábrica, não só por ter sido a primeira na Europa, mas também por ter atingido uma elevadíssima qualidade artística às mãos do mítico modelador Johann Joachin Kandler(não consigo encontrar o trema no teclado e faz falta em cima do a), sempre exerceu em mim um grande fascínio. Suspirava por uma peça daquelas e via-as às vezes em antiquários mas por preços elevadíssimos e tirava dali o sentido.
    Quando vi numa feira uma figurinha com as espadas cruzadas, um par romântico sentado, barata por estar partida e colada, fiz a minha primeira aquisição.
    Também andei uns anos a namorar uma chaveninha sem pires, com as típicas cenas Watteau, numa antiquária da Figueira, mas achava o preço exorbitante para uma chávena desirmanada. Finalmente a senhora fez-me um desconto e eu trouxe a chávena para casa.
    Entretanto encontrei uma peça lindíssima noutra feira, um par de putti dentro de um sapato, e lá alarguei um bocadinho os cordões à bolsa.
    Enfim, era capaz de estar aqui a falar destas coisas ad eternum... mas hei-de mostrá-las em posts futuros.
    Sabe q este meu interesse pelas porcelanas e faianças estrangeiras, inglesas sobretudo, não tem nada de snobismo ou de deslumbramento pelo q vem de fora. Tem a ver com o facto de os outros países já há muito terem valorizado estas coisas, escreveram muito sobre elas, consegue-se encontrar muita informação impressa e online e é isso q me atrai mais nas peças de cerâmica: não apenas os aspectos visíveis - forma, cor, motivo decorativo, tamanho, material - mas sobretudo o q é invisível - quem fez, quando, onde, em q circunstâncias, em suma a história da peça. Quando vejo uma marca q não conheço mas me parece antiga, fico logo interessada em saber mais coisas e normalmente consigo nestas peças europeias.
    Bem, tenho q me forçar a parar de escrever. Desculpe se lhe tomei muito tempo.
    Um abraço,
    Maria A.

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  3. Cara Maria Andrade

    Também não sou um deslumbrado com as coisas do estrangeiro. Gosto de tudo. Tanto aprecio uma faiança ingénua portuguesa, como me encanto com um interior Luís XVI ou figurinhas de Meissen. Não tenho é dinheiro para comprar mobiliário francês ou porcelanas do Saxe, mas se os encontrasse a bons preços comprá-los-ia sem hesitação. O gosto é uma coisa eclética e tem espaço para muitas opções. Pelo contrário, as nossas casas e as nossas bolsas limitam e condicionam seriamente as escolhas.

    É curioso, estive com os meus filhos no Palácio da Ajuda, há bem pouco tempo. A visita foi conduzida por uma senhora francesa, já mais velha e ficou muito supreendida pelo meu interesse pelas figurinhas de Meissen, bem como a curiosidade que despertaram na minha filha. Na juventude dela, aquele tipo de estatuetas era fabricado em França por Limoges e as pessoas consideravam-nas de gosto duvidoso.

    Há uns tempos andei à procura do Utz do Bruce Chatwin para oferecer ao Manel, que além de gostar do escritor tem uma bela colecção de cerâmica. Mas não encontrei à venda. A edição tem aí uns 10 ou doze anos, mas por vezes os editores ficam com os livros em armazém, pois as livrarias só querem coisas recentes. Por isso, talvez encomendando consiga a edição. Eu deixei o meu exemplar em casa da minha ex-mulher. Enfim…

    Abraços

    Luís

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  4. Sabe, Luís, também conheço essas figurinhas francesas a q a senhora se referia, mas estão a anos-luz da delicadeza e qualidade das de Meissen ou de outras fábricas alemãs como Hochst, Ludwigsburg, Frankenthal de finais do séc. XVIII/séc.XIX. As francesas q eu conheço, mais recentes, são estáticas, com uma modelação grosseira e geralmente com umas rendas coladas, efectivamente de gosto duvidoso.
    Há q perceber as grandes diferenças. É como comparar o Cantão chinês do séc. XIX com a porcelana Ming.
    Um abraço,
    Maria A.

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  5. Boa tarde ,após uma deslocação para limpeza de uma quinta em tábua pertencente a avó da minha nora onde trouxe muita loiça antiga hoje deparei-me com 4 CHÁVENAS COM PIRES SEM UMA ÚNICA LASCA pretendo vende las alguém me sabe dizer o melhor sitio para me deslocar e avaliar a relíquia obrigado deixo o meu mail-pantera.727@hotmail.com obrigada por qualquer esclarecimento será bem vindo

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