sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Faiança inglesa Davenport

 

Este motivo ou padrão decorativo da Davenport é conhecido por Rhine Pattern ou Rhenish views, já que apresenta várias paisagens imaginárias da Alemanha ao longo do rio Reno.
Cada tipo de peça de um serviço terá uma cena diferente, mas todas com a presença do Reno - a grande estrada fluvial do centro da Europa, ligando a Suiça ao Mar do Norte - e das suas margens onde se desenvolveram mais de 20 grandes cidades europeias, na maioria alemãs, mas também da Suiça, da França e da Holanda (Basileia, Estrasburgo, Düsseldorf, Colónia, Roterdão, Bona, Mainz...)
Não admira, por isso, que nas paisagens deste padrão se vislumbrem ao longe os contornos de cidades com casario, torres, cúpulas e castelos.  
Comprei estas peças em ocasiões diferentes e comprarei mais se encontrar este padrão com outras paisagens, mesmo com alguma fratura, como acontece com o prato de sobremesa. Tenho sempre a curiosidade de ver se a marca corresponde ao mesmo período de fabrico e que elementos foram introduzidos nas várias paisagens imaginadas.


As marcas que se vêm gravadas na pasta têm inscritos os dois últimos dígitos do ano de fabrico, um de cada lado da âncora, o que permite datar a travessa de 1860 e os dois pratos, de jantar e de sobremesa, de 1836.
De qualquer forma, quando se vê a marca Davenport numa peça de faiança ou de porcelana, pode-se logo ter a certeza de que ela foi fabricada em data anterior a 1887.
Com efeito, a firma Davenport foi fundada por John Davenport (1765-1848) em Longton, Staffordshire, em 1793, iniciando mais uma dinastia de ceramistas ingleses - a par das famílias Spode e Wedgwood - à frente dos destinos de uma marca de prestígio que só terminaria, com esse nome de família, em 1887. 






O gosto romântico pelas paisagens europeias, geralmente da Europa do sul, mas também do centro, como neste caso, desenvolveu-se na Inglaterra graças às experiências dos jovens ingleses durante o Grand Tour, uma espécie de rito de passagem à idade adulta com um banho de cultura a que eram sujeitos os mancebos aristocratas ou da burguesia endinheirada,  para finalizar a sua formação académica com conhecimentos de Arte e Humanidades. Viajavam pela Europa acompanhados de um tutor, visitavam museus, monumentos ou as ruínas das civilizações clássicas e depois regressavam mais cultos e com a bagagem cheia de obras de arte ou de contactos para as encomendarem.
Hoje em dia ainda se cultiva essa tradição no chamado Gap Year ou, nos Estados Unidos, Year Off, só que  os limites temporais e espaciais da experiência alteraram-se significativamente: graças à facilidade e rapidez de transportes esse período vai agora de 6 meses a um ano - no passado podia durar de um a vários anos - e o espaço a conhecer alargou-se da velha Europa a todo o mundo.


10 comentários:

  1. How lovely, Maria! I love the soft blue and white. The scenes are gorgeous. Wishing you a wonderful weekend.

    Blessings,
    Sandi

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  2. I love Davenport. And I am especially appreciative of British Registry date which help to date things so precisely. Love your collection!
    Cheers!
    R

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  3. Hi Sandi, Hi Ruth,
    Thank you very much for your visits and nice comments.
    I hope Google Translator helped you understand the text about Davenport and this particular pattern.
    I love English antique transferware!
    It´s a continuous source of interesting stories, discoveries and pleasure for antiques lovers.
    Hugs

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  4. Adorei o seu post. Essa louça inglesa com os países é muito bonita e de facto evoca o "grand tour". Julgo que o Manel tem a terrina desse serviço, com uma vista linda sobre o Reno. Julgo que das muitas louças inglesas que ele tem é aquela que eu gosto mais, talvez por me despertar mais a imaginação, porque me transporta para uma daqueles séries de época, que a BBC é mestra a fazer e que antigamente a televião pública passava a horas aceitáveis.

    Abraços

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  5. Olá Maria
    As peças que mostra são muito interessantes e apelativas.As imagens centrais, num belo tom de azul acinzentado - faz lembrar alguns dos nossos painéis de azulejo - e a cercadura, num azul monocromático, terminando num filete mais escuro que bordeja um encordoado, (à maneira de algumas peças de Vianaa),são ricas em pormenores.
    Da mesma fábrica, mas talvez de um período mais adiantado temporalmente, tenho um prato coberto e dois pratos fundos. Para além de apresentarem um azul mais forte, têm uma decoração diferente: duas crianças a brincar, no meio de uma paisagem. A marca tem inscrita, numa cartela, as palavras Chinese pastime.
    Cumprimentos.
    if.

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  6. Olá Luís,
    Esta é uma área das velharias que sei que também aprecia. Também acho este padrão bonito e o tom de azul muito diferente do habitual.
    Em formato terrina deve ser magnífico, o Manel mais uma vez revela o seu bom gosto.
    Acredite que o facto de a RTP passar essas boas séries da BBC a desoras, quando ainda as passava, provocava em mim uma revolta e uma frustração..., sobretudo porque ainda estava no ativo e, como muita gente, tinha que trabalhar no dia seguinte. Sentia que havia uma falta de consideração pelos espetadores que queriam ter um pouco de entretenimento de qualidade ao fim de um dia de trabalho!
    Agora já nem fora de horas as passam...
    Abraços

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  7. Olá If,
    Muito obrigada pelo seu comentário, mais uma vez com uma descrição muito precisa dos pormenores das peças, revelando um olhar atento e conhecedor.
    Essas peças de que fala devem ser magníficas, os pratos cobertos, tal como as terrinas fazem sempre um belíssimo efeito. Da Davenport não tenho nenhum, só mais pratos de outros motivos decorativos.
    O padrão com as crianças a brincar talvez represente meninos chineses porque a inscrição "Chinese pastime" na cartela é o nome do padrão, uma marca que a Davenport usou durante algum tempo a partir de 1879.
    Tenha uma ótima semana.
    Um abraço

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  8. Isto de lhe escrever ao som de Chopin e do piano da Mª João Pires (uma combinação explosiva) é muito perigoso, porque me esquecem metade das coisas que gostaria de referir.
    Mas, tal como o Luís referiu, tenho efetivamente a terrina deste serviço com o respetivo prato de baixo, dos quais lhe vou enviar por e-mail as respetivas fotografias que, apesar de mal tiradas (peço desculpa), poderão dar ideia do formato da mesma, com linhas barrocas inesperadas, por não serem muito inglesas, tendo em conta outras terrinas que por aqui andam, com formas muito mais tradicionais e mais consentâneas com a época neoclássica.
    Talvez tenha a ver com a sobrevivência de formas barrocas mais antigas, apresentando, no entanto, uma decoração mais adaptada às novas tendências.
    Aconteceu o mesmo com muitas das nossas fábricas, como Estremoz, por exemplo, que continuou a utilizar formas antigas modificando a decoração para as adaptar às novas tendências.
    Mas este padrão é dos mais bonitos que conheço, pois as vistas são sempre diferentes.
    É fantástico ... com as devidas distâncias e enquadramentos, faz-me lembrar o serviço da rã verde de Wedgwood & Bentley, fabricado para Catarina.
    Uma boa semana
    Manel

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  9. Caro Manel,
    Muito obrigada pelo seu comentário ao som de Chopin e pelas fotos que enviou para o e-mail. Ainda nem as consegui ver, depois explico-lhe porquê, mas imagino uma terrina lindíssima com este motivo.
    O serviço Wedgwood da Catarina da Rússia é sempre uma referência de qualidade e beleza, mas este serviço Rhenish Views completo, embora muito mais modesto, também devia ser magnífico.
    Somos pessoas de bom gosto! :)
    Um bom resto de semana também para si.

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  10. Boa tarde,
    Tenho algumas peças da davenport que gostaria de saber o valor pois quero vender. Alguém me poderá ajudar nesse sentido.
    Paulo, obg e cmpts

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