segunda-feira, 13 de junho de 2011

Um Cristo sem cruz... e sem braços.

Há pouco mais de uma semana o LuísY, do blogue Velharias, mostrou  uma escultura de Cristo crucificado que havia comprado na Feira de Velharias de Estremoz e deixou-nos ver a forma magistral como o expôs num teto inclinado da sua casa.
Coincidentemente, na mesma altura o meu marido encantou-se por este Cristo na Feira de Velharias da Mealhada.


Como se originou aqui uma comunidade de bloguers muito feita de partilhas, e porque o Luís se mostrou interessado em conhecer a peça, aqui estou hoje a mostrar esta nossa recente aquisição.
Com a cabeça descaída e os olhos fechados, representa o Cristo crucificado já morto, ou na fase final da agonia, mas como lhe falta a cruz e os braços, parece um Cristo jacente, depois de descido do calvário.


Não tendo eu a motivação da fé, para mim estas representações da crucificação de Cristo ilustram o sofrimento de um homem submetido a uma violência extrema de tortura e morte às mãos de outros homens, por isso não me são atraentes, no sentido em que não me agradaria viver rodeada destas imagens. Mas como apreciadora de arte e também de arte sacra, sou sensível aos aspetos estilísticos, à particular mestria dos criadores destas obras devotas, quer em escultura, quer em pintura ou em gravura.


Pormenor do tecido lavrado e da corda que o segura


Esta figura foi logo à partida esculpida com  grande elegância e sentido estético, mas "o tempo, esse grande escultor", para usar a expressão que Marguerite Yourcenar usou num título seu e que o LuísY gosta de citar, conferiu-lhe uma incompletude que parece ter-lhe aumentado a qualidade artística.


Tenho pena de não ter conhecimentos de História de Arte que me permitam discorrer sobre o estilo artístico e a época de criação desta escultura mas acredito que ela possui pormenores reveladores para olhos conhecedores e treinados.

4 comentários:

  1. Cara Maria Andrade
    Raramente reajo emocionalmente perante as representações de carácter religioso. Olho-as, gosto ou não, mas nenhuma tem o condão de me emocionar, provavelmente, porque, também a mim me falta convicção religiosa.
    Este Cristo fez vibrar qualquer coisa cá dentro!
    A expressão do rosto,a magreza do corpo, as marcas da flagelação, conseguem inspirar dó e compaixão.
    O fundo que escolheu para a fotografia, está muito conseguido, não só pela cor, como também pelo efeito dos diferentes tons e luminosidades.
    Resta-me felicitá-la por esta bela compra e ir embora a correr porque o relógio não para.
    Beijinhos
    Maria Paula

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  2. Que peça delicada e dramática e a Maria Andrade soube fotografa-la muito bem. Muitas vezes temos obras interessantes, mas não lhe sabemos capturar a beleza no instâneo fotográfico. Desta vez o Cristo apareceu com toda a sua beleza, com o seu trabalho delicado e com as marcas do tempo, que o tornaram ainda mais belo, mesmo para nós, aqueles que acham que somos meros passageiros em trânsito num mundo abandonado por Deus.

    Tal como a Maria Andrade, julgo que me deveria aplicar a estudar mais arte religiosa, para entender melhor estes Cristos, mas o tempo não chega para tudo

    Transmita os meus cumprimentos ao seu marido pelo gosto demonstrado

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  3. Olá Maria Paula,
    É realmente muito tocante esta figura de Cristo. Às vezes penso que estas imagens são melhor apreciadas por um prisma meramente humano dos nossos olhos descrentes do que à luz do fervor religioso. Mas, é claro, isto é discutível...
    Pergunto a mim própria o que poderá ter acontecido à cruz e aos braços, como foi possível ter neglicenciado a este ponto uma figura de tal delicadeza e qualidade artística.
    Ainda bem que gostou da forma como a fotografei,e que bem que sabe receber um elogio seu nesta área da fotografia, onde é mestra reconhecida!
    Beijos

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  4. Olá Luís,
    Vejo que também gostou da forma como fotografei o Cristo. Hesitei se o devia ou não colocar na posição vertical em que apareceria crucificado, mas acabei por achar que em posição de corpo jacente teria mais impacto.
    Já tinha usado aquele fundo com outras peças, só que com esta ganhou dramatismo pelas tonalidades avermelhadas sob um corpo morto com sinais de flagelação.
    Muito obrigada pelos cumprimentos ao meu marido.
    Já foram entregues.
    Ele acompanha-me no gosto por velharias, mas cada um tem as suas especialidades!(LOL)
    Um abraço

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