terça-feira, 18 de outubro de 2011

Porcelana de Macau para um chá em família- Macau porcelain for a family tea

Embora um pouco atrasada devido a problemas de ligação à internet, esta semana vou mais uma vez participar nas atividades ligadas ao chá de TEA CUP TUESDAY e TEA TIME TUESDAY.
Although a bit late due to internet connection issues, this week, once again, I'm joining the tea related events of TEA CUP TUESDAY and TEA TIME TUESDAY.    
                     
                                                        
Numa das últimas vezes em que preparei um chá para a família em versão reduzida - éramos cinco mas um ainda não bebe chá :) - fui buscar este serviço de porcelana com marca chinesa acompanhada das palavras Fabricado em Macau.
In one of the last times I prepared tea for the family  in a short version - there were five of us but the little one isn't a tea drinker, yet :) - I went to fetch this porcelain tea set with a Chinese mark accompanied with the words "Fabricado em Macau" (Made in Macau).



Deve haver poucas famílias portuguesas que não tenham em casa pelo menos uma peça de porcelana com esta inscrição, que deixou de ser usada a partir do ano 2000, data em que Macau passou para a posse plena da República Popular da China.
There must be few Portuguese families who don't own at least one china piece bearing this inscription, which ceased to be used from the year 2000, date at which Macau (or Macao) went into full possession of the People's Republic of China.

           

Este serviço, com uma pintura à mão que não é propriamente um primor, tem para mim dois atrativos:  foi decorado com flores orientais numa paleta Imari em tons muito intensos- azul cobalto, vermelho ferro e dourado - que me agrada particularmente e  tem essa marca indissociável da história portuguesa que é o facto de , tendo sido fabricado em território chinês, ter aquelas palavras, Fabricado em Macau, escritas em português.
This hand-painted set has a  double  attraction for me: it was decorated with oriental flowers in an Imari pallette in very intense colours- cobalt blue, iron red and gold - which delight me, and it bears that backstamp one can't separate from the Portuguese history which is the fact that, having been made in Chinese territory, it bears those words "Fabricado em Macau", written in Portuguese.




Vem a propósito lembrar que  o território chinês de Macau, durante quatro séculos e meio sob administração portuguesa, foi não só o primeiro entreposto comercial europeu em solo chinês, mas também  a última colónia europeia na Ásia.
By the way, I like to remember that the Chinese territory of Macau, under Portuguese administration for four and a half centuries, was not only the first European commercial settlement on Chinese soil , but it was also the last European colony in Asia.
Foi naquele porto situado no delta do Rio das Pérolas, que, a  partir de meados do século XVI, foram embarcadas para Lisboa e dali para o resto da Europa, as primeiras porcelanas Ming e Kangshi que deslumbraram os europeus. É por isso um nome bem conhecido dos amantes de porcelana, sejam ou não portugueses.
It was from that harbour, in the  Pearl River Delta, that  around  the middle of the 16th century the first Ming and Kangshi porcelains were shipped to Lisbon and from there to the rest of Europe, and so much  amazed the Europeans. 
Macau is therefore a well-known name for porcelain lovers, whether they are Portuguese or not.



Para além da porcelana, há nesta mesa de chá uma outra vedeta que é a colher de açúcar ou de compota, em casquinha alemã, com decoração de rosas.  Aqui foi usada para servir compota de ameixa caseira.
 Besides the china , there is another star on this tea table - the sugar or jam spoon, made of German silverplate, with rose decoration. I used it here to serve a homemade plum jam.



Comprei-a por meia dúzia de euros há cerca de um mês em Lisboa, na Feira de Belém, porque adorei a peça, mas também  motivada pelas peças da coleção que a Johanna do blogue Silber+Rosen costuma mostrar nos seus chás de terça-feira. Há muitos fabricantes alemães deste tipo de talheres, em prata ou em casquinha, o que permitiu à Johanna não só reunir uma magnífica coleção, mas  também ter publicado um livro sobre o assunto, intitulado "Rosen-Bestecke"(talheres de rosas).
I bought it for half a dozen euros, about a month ago, at a street fair in Lisbon, because I loved it, but also motivated by Johanna's collection that she usually shares in her blog Silber+Rosen in Tuesday tea parties.
There are a lot of German makers of this kind of silverware, both in silver and in silverplate, which allowed Johanna to gather a wonderful collection and also to publish a book on the subject , entitled "Rosen-Bestecke".



Como acontece com a maioria dos serviços de chá, este não dispõe de pratos para bolo, e por isso servi o meu brioche, a  que acrescento nozes e passas e toda a gente adora, em pires do serviço, já que são relativamente grandes.
As usual with most tea sets, this one doesn't  include cake plates and so I served my "brioche" with walnuts and raisins, which everyone loves, in saucers of the tea set, as they are a reasonable size.


Nesta fotografia vê-se bem a translucidez quase transparente da chávena em porcelana casca de ovo, tão caraterística do fabrico chinês e japonês a partir do século XIX.
In this photo one can see the translucent, almost transparent egg-shell porcelain of the cup, so characteristic of Chinese and Japanese production from the 19th century onwards.


No fundo das chávenas vêem-se gravados aqueles rostos de chinesinhas  que faziam as minhas delícias em miúda.
On the bottom of the cups one can see those lithophanes of Chinese women's faces, which were a delight for me as a kid.




14 comentários:

  1. Delicious and beautiful tea! The china is gorgeous with it's deep blues and reds. I have never seen an impression of a woman on the bottom of a cup! That is so unique!
    Hugs,
    Terri

    ResponderEliminar
  2. Dear Maria Andrade,
    thank you so much for sharing such treasures. The Imari china is amazing colorful and I love the history of Macao. This pieces of china are real treasures now because they are full of history. I also love the lithophane mark in the cups bottom. Dear Maria Andrade, you purchased a beautiful spoon and you are absolutely right, it is made by Christoph Widmann, Pforzheim/Germany. The pattern was called Model 3600. The company Christoph Widmann brought out this pattern to their 50th anniversary 1969. Thank you so much for mentioning my book. I would love to have you here, as there opens an exhibition with my collection of rose patterned flatware on October 30th. I wish you always something delicious and sweet where you can use this beautiful spoon.
    Hugs and best greetings, Johanna

    ResponderEliminar
  3. Hi Maria,
    What a delightful tea you have shared with us today. The Imari pattern is striking and very vibrant. I have an Imari teacup too which I shared a couple of weeks ago. It is a little different than yours but Imari nonetheless. Love your silverware. I enjoyed the history of the pieces too. I love the impression of the lady on the bottom of the china. So pretty! Thank you so much for sharing and have a wonderful week.

    Blessings,
    Sandi

    ResponderEliminar
  4. You have always lovely things to show
    I am really glad visiting you
    Love

    ResponderEliminar
  5. I, too, love imari colors. So vibrant! A lovely tea set. Lithophanes...the portraits at the bottom, are very difficult to find. You have a treasure!
    Thanks for visiting me. I am glad to meet you!
    R

    ResponderEliminar
  6. Lindo o jogo! E como brasileiro, não deixo de ter uma certa ligação também com a história de Macau. O que mais me entristesse foi a proibição do uso do português como idioma local. Foi como perder milhares irmãos.
    Curioso como no mercado português jogos de chá não possuem pratos de bolo. Aqui sempre foi praticamente obrigatório ter bandeja e pratinhos para bolo nos jogos de chá. A bandeja já se foi, mas mesmo nos jogos mais recentes é comum haver pratos de sobremesa.
    abraços!

    ResponderEliminar
  7. Maria Andrade, fez-me fome!
    Fiquei deliciado com estas requintadas doçarias, ainda por cima sou viciado em doces (os ingleses referem-se a pessoas com estas características como possuirem um "sweet tooth", eu refiro-me a mim mesmo como possuidor de um "whole set of sweet teeth").
    Confesso que gosto muito de beber chá por porcelana muito fina (casca-de-ovo), quase transparente, como este seu, que tem como beleza maior o contraste de cores como o "rouge de fer" e o azul, que nos fazem lembrar o estilo mais próprio a Imari.
    Um verdadeiro prazer ver o chá quase à transparência e sentir uma borda fina e ter na mão uma chávena delicada que quase se tem medo que se quebre entre os dedos. É um dos meus maiores prazeres durante o chá.
    Ao invés, o café, ainda que me dê prazer a fina porcelana, prefiro-o bebido por "púcaros" como, depreciativamente, refere o Luís ... (risos)
    Por antítese, e estranhamente, gosto igualmente de usar chávenas de chá como algumas que conheço, marcadas Satsuma, de finais de o século XIX, inícios do XX (período dito Meiji), quando a pasta ainda é grosseira (posteriormente tornou-se menos grossa e terminaram mesmo a fabricar a "casca-de-ovo"), mas a pintura é rica, guardando, no entanto, algo do encanto da simplicidade oriental e as chávenas ou não possuem pega, ou esta ainda é algo rudimentar.
    Mais tarde, esta pintura de Satsuma tornar-se-á mais sobrecarregada, de acordo com o que os japoneses pensavam que era o gosto ocidental, e amiúde, muito mal acabada. Esta fase deixa muito a desejar e é algo a evitar cuidadosamente.
    Alguns dos serviços desta proveniência, vinham dentro de uns estojos forrados, creio que com seda, que os tornavam muito apelativos.
    A porcelana fabricada em Macau pode ser de boa qualidade, mas, daquilo que conheço, a pintura nem sempre o é. Seguramente deverão ter tido boas peças, mas essas, com certeza, não se destinavam a exportação generalizada nem eram dirigas ao grande público.
    Lembro-me bem dos serviços de chá e café de Macau que chegavam a Moçambique em grande número, mas tinham uma procura algo moderada, pois, quem conhecia, dava preferência aos fabricados no Japão ou na China (vá-se lá saber porquê, pois muito da produção da China, após 1917, ou de Hong Kong, de meados do século, deixa muito a desejar em todos os sentidos, entre os quais saliento os vidrados, que me arrepiam).
    E lembro-me como, em miúdo, e até em graúdo, me admiravam profundamente as imagens produzidas por litofania ... ficava ensimesmado a olhar para elas e a pensar como seria que elas lá tinham ido parar ... ainda não sei, mas deixaram de me causar admiração.
    Alongo-me sempre, mas não consigo conter-me!
    Uns bons chás pois o tempo que se aproxima convida a este cerimonial
    Manel

    ResponderEliminar
  8. As suas fotografias melhoram de dia para dia e hoje deixou-nos de água na boca com o chá, o doce e o bolo. Não só as peças tem que ser bonitas, temos também que fotografa-las no seu melhor, apresentar o que de mais interessante possuem.

    Antes de iniciar o blog não sabia mexer sequer numa máquina fotográfica e depois, tal como a Maria andrade fui aprendendo aos poucos, fazendo experiências e hoje faço umas fotos aceitáveis. Claro não tenho o talento da Maria Paula.

    Gostei da colher de doce. Já tinha ouvido falar de pessoas que coleccionam partes de serviços de prata, por exemplo, colheres de café e fazem conjuntos lindos. Só não faço isso, porque me falta...espaço, mas tenho vista nas feiras coisas lindas a sorrirem para mim.

    Durante séculos a China esteve fechada ao Ocidente e Macau era a única porta aberta. A feitoria portuguesa servia por assim dizer como o bairro diplomático de Pequim e único entreposto comercial com a Europa.

    Beber chá nessa chávenas é um pouco sentir o sabor da História

    ResponderEliminar
  9. Caros amigos,
    Continuo com problemas de ligação à internet.
    Tem havido períodos longos em que pura e simplesmente não consigo aceder a partir de casa.
    Assim se explica a minha ausência por aqui.
    Agora não posso alongar-me muito, mas espero durante o dia ter oportunidade de pôr a escrita em dia...
    Abraços

    ResponderEliminar
  10. Olá Fábio,
    Não tinha pensado em Macau por esse prisma, mas é verdade que é um dos últimos redutos da lusofonia na Ásia. Vai acabar por acontecer ali o que já aconteceu em Malaca , em Ceilão ou, menos, por enquanto, em Goa, onde os descendentes lusos foram aos poucos perdendo o contacto com a nossa língua.
    É um mundo de referências culturais e de identidade linguística que se perde para sempre...
    Voltando aos pratos de bolo nos serviços de chá, é curioso haver essa tradição no Brasil, porque tanto quanto eu sei, nem a Vista Alegre nem qualquer outra fábrica de loiça em Portugal alguma vez os incluíram; e estes serviços chineses de Macau seguiam a mesma linha. Por outro lado, tenho restos de um serviço japonês em faiança Satsuma que tem os trios formados por chávena, pires e prato de bolo. E os pratos de bolo individuais até dão muito jeito, quer para bolo, quer para torradas; ainda bem que os fabricantes brasileiros os vão mantendo.
    Um abraço

    ResponderEliminar
  11. Olá Manel,
    Então tem "a whole set of sweet teeth"!!! E pelo que já tenho percebido em conversas de blogue, nem por isso perde a linha :)
    Eu confesso que não sou muito dotada para a cozinha, faço tudo muito simples e mais para o tradicional, muito à base de produtos caseiros… e, claro, não deixo de fazer as minhas compotas. Se me meto em aventuras e modernices é que em geral sai asneira :)
    Também gosto de beber chá por chávenas assim finas e tanto os chineses como os japoneses especializaram-se nesta porcelana casca de ovo.
    Sobretudo os japoneses atingiram algum requinte na pintura desses serviços, mas inundaram de tal maneira o mercado europeu e do resto do mundo que hoje, apesar da beleza e da qualidade de muita dessa produção, é muito pouco valorizada no mercado de antiguidades.
    Uma exceção é a faiança Satsuma (não conheço porcelana) que é muito valorizada no mercado inglês e americano, mas só a de final do séc. XIX, princípio do XX, do tal período Meiji de que o Manel fala, pintada à mão por artistas consagrados, com muito fundo à vista e as paisagens ou outros motivos pintados com muita delicadeza a pequenos toques de pincel. O que aparece por cá são em geral peças mais tardias que eu acho feias, cheias daquelas carantonhas dos imortais, e é dessa Satsuma que eu tenho as peças de chá que referi ao Fábio. Hei-de desfazer-me delas qualquer dia, talvez no eBay…:)
    Mas também comprei uma vez um Koro muito bonito, da tal Satsuma de que eu gosto, com belas pinturas e só com uns probleminhas na tampa…
    Enfim, cacalhada de toda a espécie é o que não falta cá em casa.
    Aproxima-se mais um fim de semana, por isso,
    Bom fim de semana

    ResponderEliminar
  12. Olá Luís,
    Ainda bem que vai notando alguma melhoria nas minhas fotografias.
    A escolha do local para as fazer é muito importante e agora tenho muito mais cuidado com a incidência da luz e outros pormenores. Mas também, tal como o Luís, passei a minha vida toda sem ligar muito à fotografia, só queria máquinas automáticas muito simples em que não precisasse de preparar nada, era só carregar para ficar com umas recordaçõezitas... :) Agora com as máquinas digitais a coisa sai melhor…
    Olhe que o Luís apresenta belíssimas fotografias, não sei se por ter desenvolvido talento que estava adormecido ou por dominar bem as técnicas do photoshop, a verdade é que são boas!
    Por falar na Maria Paula, a nossa grande referência nesta área, dou por mim a pensar em que complicações profissionais andará envolvida para não ter tempo para aparecer por aqui há várias semanas… Já sentimos falta do talento dela…
    Quanto ao tal "espaço" de que precisamos para adquirir certas coisas, às vezes é só uma questão de opção...
    Um abraço

    ResponderEliminar
  13. Adorei seu blog! Ainda não o conhecia, encontrei ao acaso numa busca sobre porcelana de Meissen. Porcelana, velharias, livros, chá e até talheres com padrões de caninhas, me senti como tendo encontrado uma amiga :)

    ResponderEliminar
  14. Caro Daniel Figueiredo,
    Seja muito bem vindo! Adorei a sua visita!
    Se também é amante de todas estas coisas terá sempre comentários interessantes a fazer sobre o que vou mostrando...
    Obrigada pela simpatia.
    Cá o aguardo.

    ResponderEliminar