sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Prato de Sacavém com cena campestre



Comprei este prato de Sacavém, já lá vão uns bons anos, em primeiro  lugar pela raridade do motivo, numa policromia alegre e decorativa.
Habituada aos motivos monocromáticos que sempre conheci em casa dos meus avós - o Estátua, o Metz, o Reino, o Rio ou mesmo o Chinez com apenas três cores - e também o formato Espiga que a minha mãe usava na minha infância, achei esta decoração muito diferente de tudo o que eu conhecia da Fábrica de Sacavém. 


A estampa, como a maioria das usadas por Sacavém, deve ter sido importada de Inglaterra, mas mostra uma cena que podia ter sido captada há cem anos numa qualquer zona rural lusa, não fora aquele tipo de telhado de colmo muito inclinado e o toucado na cabeça da mulher a apontar para outras paragens.


Uma outra curiosidade do prato é o facto de apresentar duas marcas: a típica marca Gilman & Comandita de Sacavém e uma outra que é um malmequer verde e eu não sei o que representa.
Para além deste prato, só vi esta marca, nesse caso sem mais nenhuma outra, numa infusa que tenho em pó de pedra sem qualquer decoração.
Será que alguém conhece este motivo ou a marca a verde que me causou perplexidade?

19 comentários:

  1. Ola Maria Andrade!!


    Lindissimo prato!!

    Parabens!!!

    Boa surpresa de Sacavém!.. Parecia-me mais um daqueles magníficos exemplares de Alcântara mostrados pelo nosso colega Mercador no seu blog.

    Também já vi essa marca, e numa das minhas peças, mas não me lembro qual porque não dei muita importância. Essas marcas não tem algo a ver com o destino da peça?

    Tem o numero de serie em pasta...


    Lindo exemplar M. Andrade!!

    Um bjnho

    Flávio Teixeira


    P.S. A minha conta está um tanto ou quanto deficiente!!

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  2. olá bom dia.

    gostei do seu prato, tal como refere o Flávio, apesar de ter uma policromia bastante rica, apresenta uma decoração algo semelhante com o prato da Caça à Raposa que analisei há uns tempos que também julgo basear-se num desenho importado ou reproduzido de alguma pintura.

    posso dizer que já me deparei algumas vezes com esta marca de fabrico em forma de flor, e se não estou enganado, costuma estar presente em peças de perfil decorativo e de período correspondente às primeiras décadas do século XX, o que está em conformidade com as características visíveis neste prato.

    Mercador Veneziano

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  3. Olá Flávio,

    Obrigada pelo simpático comentário.
    Tem razão ao comparar este prato com alguns exemplares de Alcântara que o Mercador Veneziano tem mostrado e ele aí está a confirmá-lo.
    São estas peças pouco vistas que às vezes nos atraem nas feiras e eu também me deixo seduzir por marcas diferentes. É um desafio para mim depois tentar decifrá-las...
    A marca da flor verde chamou-me a atenção por a ter isolada numa outra peça e só quando vi este prato a pude associar a Sacavém.

    Como vê, a sua conta aqui funcionou bem.
    Um abraço

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  4. Olá Mercador,

    Lembrei-me de postar este prato precisamente por ter visto no seu blogue os exemplares de Alcântara com este tipo de cenas centrais, sobretudo o da Caça à Raposa.
    O prato destinava-se certamente a fins decorativos e aquela marca verde devia ser usada para diferenciar esse tipo de loiça, aliás as outras peças de que me enviou as fotos por e-mail, muito semelhantes a esta, atestam isso mesmo.
    A teoria só não bate certo com a outra peça que tenho com essa marca, uma infusa sem decoração, como eu disse em cima, mas pode ter havido algum engano na marcação da infusa, porque nem sequer tem a marca de Sacavém.
    Bem, a verdade é que já fiquei mais esclarecida em relação ao prato e por isso mais uma vez lhe agradeço.

    Tenha um bom domingo.

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  5. Ola Maria Andrade

    Agora a conta já funciona bem! =D


    O que fiz para comentar no seu blog foi colocar o meu URL =)


    Bjinho

    Flávio

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  6. Olá Maria

    Gosto do seu prato pela simpatia da imagem e pela graça dos gansos, tão frequentes em certas zonas rurais. Há histórias engraçadas acerca da sua fidelidade e como bons guardas. Lembro-me que, era eu garota, ofereceram aos meus pais uma gansa que chegou a nossa casa, enviada como encomenda, vinda de combóio. Trazia daquelas etiquetas de madeira com o nome do destinatário, presa com uma guita ao pescoço. Apesar de cega de uma das vistas, dava sinal de tudo e não deixava ninguém aproximar-se. Morreu de velhice e ainda hoje é recordada com simpatia. Tudo isto a propósito da sua paisagem de Sacavém...
    Um abraço
    if.

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    1. Olá IF,
      Tive que remover a resposta original para fazer uma pequena correção.
      Muito obrigada pelo seu comentário. Com a história da gansa cega, fez-me lembrar um casal de gansos que tivemos em tempos e andavam à solta no terreno, mas ninguém se podia aproximar muito... Um dia a gansa apareceu morta - doninha ou ave de rapina - e então o macho juntou-se a uma família de cabras que também andavam à solta numa cerca grande. Era muito engraçado, porque quando eu chamava as cabras para lhes dar algum acepipe, elas vinham a correr por mais longe que estivessem e o ganso corria atrás delas muito doido de asas abertas, como se fizesse parte da família caprina!!! É giríssimo lidar de perto com animais! O meu neto é tão pequenino e já gosta de ir visitar os que temos por cá (pelo menos quer sempre ir ao colo de quem ele vê a dirigir-se para a porta das traseiras...) Veja lá as histórias que a cena do prato de Sacavém foi desenterrar :)
      Um abraço

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  7. Good morning Maria,

    you have a great and beautiful collection of antique porcelain and I love especially this plate with the beautiful painting. It is a gorgeous piece. Do you hang it on a wall?

    Have a nice sunday,
    Tanja

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  8. Olá Maria Andrade

    Um prato interessante fez-me recordar os de Alcobaça.

    Quanto ao trevo verde, marca (?)
    Em tempos foi-me dito sobre esta marca suplementar ter sido usada em peças com tiragem limitada,geralmente com paisagens bucólicas ou pastoril, o seu prato tem na massa o nº 35. Trata-se pois de uma peça de coleção!
    Beijos
    Isabel

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  9. Hello Tanja,
    Thank you very much for your friendly comment!
    I had this plate on display in the kitchen for years, but then I rearranged the collection and removed it.
    Since then it has been waiting for a new place and I've already found one where it can hang permanently, because I also think it's worth being displayed.
    This sunday was the first autumn day around here... and about time, too.
    Hugs

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  10. Olá Maria Isabel,
    Muito obrigada pelas suas achegas sobre este meu prato de Sacavém.
    Essa informação de que a marca verde era usada para peças com tiragem especial faz sentido, pelo menos já vi outros pratos cujas fotos me foram enviadas pelo Mercador Veneziano, todos com a marca da flor verde, e eram pratos decorativos, semelhantes a este, mas com outras cores na barra e temática diferente.
    Antes de ver essas fotos, só conhecia o meu neste tipo de decoração da Fábrica de Sacavém, por isso sempre o achei muito especial e quis partilhá-lo aqui convosco.
    Fico satisfeita por ele ter agradado e por ter ajudado a lançar mais alguma luz sobre a produção de Sacavém.
    Abraços

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  11. Olá Maria,

    O seu prato e lindíssimo, a policromia é fantástica. Adoro esse tipo de paisagens.
    Quanto à marca verde "trevo", creio que era apenas colocada em peças destinadas a exportação. Eu tive uma peça de mesa (travessa) com a mesma marca. Tinha também a palavra Sacavém gravada na pasta.

    Um abraço

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  12. Boa tarde, Monte-Longo, seja bem vinda a este blogue!
    Muito obrigada por mais esta achega acerca do significado da marca da flor verde.
    Era interessante saber que tipo de decoração tinha a sua travessa com a mesma marca, para podermos perceber melhor se ela marcava qualquer tipo de peça que se destinasse à exportação ou se apenas as que tinham decorações especiais,com fins essencialmente decorativos, uma outra hipótese aqui levantada.
    Um abraço também para si e volte sempre.

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  13. Olá Maria Andrade
    Ontem passei por aqui já bem tardinho, para lhe dizer que acho este prato muito bonito com todo o seu colorido e não sei o que fiz que o comentário nunca chegou a aparecer:( Qualquer coisa falhou :)
    Abraços

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  14. Olá Maria Paula,
    Muito obrigada pelo seu comentário.
    Também já me tem acontecido isso, às vezes parece que o blogger anda meio atolaimado :)(termo que me lembro de se usar muito na minha terra mas nunca mais ouvi...)
    Beijos

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  15. Cheguei em último!!!! que vergonha!

    Talvez essa marca misteriosa seja a de um grande armazém que encomendava peças especiais a Sacavém, como o Grandela, o Chiado ou o Eduardo Martins ou outra loja importante de Lisboa, Porto ou Coimbra. Já experimentou espiar o blog do nosso amigo http://mfls.blogs.sapo.pt/ das Memórias de Sacavém? Ele normalmente está sempre bem informado.

    Quanto aos gansos, a sua capacidade de alertar os donos das casas para os perigos já é proverbial. Quanto os gauleses atacaram Roma e os seus habitantes estavam refugiados no monte Capitólio foram os gansos que avisaram os romanos de um ataque surpresa dos gauleses. Desde essa altura, o ganso tornou-se um animal venerado na Antiga Roma.

    Vou tentar ver nos meus canhamos se encontro qualquer coisa dessa marca.

    Abraços

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  16. Parece uma cena bucólica da Bretanha, de que Gauguin se ocupou muito durante a sua fase bretã.
    Claro que nunca pintaria nada deste tipo, sei, mas esta cena trouxe este meu pintor-fetiche à memória.
    Lastimo muito não ter qualquer teoria sobre esta sua marca, a qual não conheço, por nunca a ter encontrado, ou então já deparei com ela, mas não lhe liguei; no entanto, como a Maria Andrade é uma pessoa muito curiosa e mais observadora, não lhe iria passar despercebido este pormenor, que até pode ser fundamental para classificar uma peça como destinada a exportação ou a produção limitada e especializada.
    Manel

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  17. Olá Luís,
    Essa da vergonha por chegar em último!!!
    Sempre o seu bom humor a funcionar... :)
    Mas já sabe que chegando em primeiro ou em último, os seus comentários são sempre aqui muito bem-vindos!
    Também me parece plausível a sua hipótese quanto àquela marca do prato. Será certamente uma marca distintiva das peças que a apresentam e até sabemos que em tempos era comum marcar as loiças com o nome das casas comerciais que as vendiam, por isso...
    Já fui ao blogue mfls mais do que uma vez e não encontrei nada, pelo menos não vi nas etiquetas nada que eu relacionasse com marcas especiais.
    Mais uma vez o prato a lembrar histórias de gansos, neste caso histórias da História!!!
    Obrigada por se dispor a fazer alguma pesquisa.
    Um abraço

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  18. Sabe, Manel, eu nunca relacionaria este tipo de cena com Gauguin, mas os meus conhecimentos sobre pintura também não vão muito longe... Para mim Gauguin são as paisagens exóticas do Taiti e mais não reconheço sem ajuda.
    Eu realmente interesso-me bastante por marcas porque elas fornecem dados fundamentais para a história das peças. Acho é que temos poucos registos nas fábricas sobre essa matéria. Mesmo a Vista Alegre que até tem livros publicados que incluem as marcas, não explica, por exemplo, porque é que em determinados períodos foram usadas três ou quatro marcas e não chegamos a saber se as aplicavam indiferentemente em simultâneo, se se sucederam, embora sem limites estanques, nesse período de tempo ou se se usava uma ou outra conforme o tipo de peça.
    Sempre muitas dúvidas que é difícil esclarecer.
    Abraços

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